quinta-feira, 27 de março de 2008

Mera existência no YouTube



Como a modernidade fica se esfregando nas nossas caras o tempo todo, acabamos nos esquecendo que as coisas simples ainda funcionam muito bem. E que, às vezes, a união do simples com o moderno traz resultados mais fantásticos ainda. Foi assim com o autor de história em quadrinhos Lev Yilmaz e sua série Tales of Mere Existence. Com um detalhe: ele não faz exatamente quadrinhos (a não ser que você considere a janela do YouTube um quadrinho).

As historinhas de Yilmaz foram aparecendo no site de vídeos (e também no oficial do autor) e conquistando fãs do mundo todo. Quem não se identifica com contos do dia-a-dia, de amor, sofrimento e tédio? O próprio artista explicou tudo isso ao With Lasers.

Você também faz HQs em papel, não? O que te levou ao YouTube?

Estranhamente, comecei a fazer os filmes antes das versões impressas. Normalmente é ao contrário. Comecei antes do YouTube aparecer, então o problema era: "Qual formato usar? Quicktime, Flash, Windows Media..." Todos competiam. Quando o YouTube surgiu, não demorou muito para vermos que ele obviamente havia vencido a guerra dos formatos. Foi simples assim.

O quanto do seu trabalho é baseado na vida real?

Tudo, apesar de não ser necessariamente uma narrativa: muito dele vem de pensamentos e, claro, memórias da minha infância. Uma parte grande, mais recentemente, vem de observar as pessoas fazerem umas merdas que me lembrem de mim. Sabe como é?

É fácil se identificar com as suas animações. Ao mesmo tempo, elas parecem ser muito íntimas. Você nunca pensa: "Não, isto aqui é pessoal demais!"?

Não. Sempre fui estranho em relação a isso. Não me envergonho facilmente, não me assusto facilmente. Acho que é meio estranho, porque tenho pouquíssimos amigos e pessoas que sejam próximas de verdade. Sou reservado, mas não tenho problemas em contar minhas idiossincrasias a uma platéia. Tenho certeza de que algum psicólogo já inventou um nome para isso. Se você descobrir qual é, avise-me.

Seus vídeos são bem tristes. Tristeza é combustível para criatividade?


Mais ou menos, mas acho que a maior parte das pessoas interpreta isso errado: acho que a criatividade e a tristeza andam juntas, mas acho também que a tristeza vem da dificuldade de se comunicar verbalmente com as outras pessoas - e trabalhar com arte é a forma que alguns encontram para mostrar seus sentimentos. Comigo é assim, tenho certeza.

Qual é o seu vídeo preferido? O meu é "How to Break Up". Como foi que você o fez?

O meu é provavelmente "Conversation", aquele do casal conversando na locadora. Acho que é o mais bem escrito. Apesar de ter bastante orgulho de "I'm not going to think about her", não consigo nem assisti-lo. Se estou em algum evento e começam a passar esse, olho para o chão até que ele acabe. Talvez eu seja emocionalmente preso a ele, não sei. Sobre "How To Break Up": não tive nem de pensar sobre esse - foi só me lembrar. Sabe como é?

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