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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Décima edição do podcast Além do Que Se Vê está no ar!


É sempre a mesma história: eu começo o post sobre uma nova edição do podcast Além do Que Se Vê dizendo que "demorou, mas aqui está" o novo programa. Desta vez demorou um pouco mais, mas valeu a pena: eu e o Rodrigo Salem gravamos uma das melhores edições!

Salem estava de passagem pelo Brasil, então pela primeira vez gravamos juntos. Fomos longe nos assuntos: Tranformers, os motivos de Melissa McCarthy sempre ficar presa nos mesmos personagens, Terry Gilliam, Richard Linklater e o já clássico Boyhood, a volta do Monty Pyhton (que já acabou de novo), Michel Gondry, Expresso do Amanhã, The Strain e Guillermo Del Toro, The Leftovers, Wes Anderson... E muito mais.

O caminho continua o mesmo de sempre: você escuta o podcast Além do Que Se Vê aqui e também pode assiná-lo no iTunes.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Monty Python enfrenta a reta final

Dei um pulo em Londres, onde vi duas apresentações do Monty Python - nos dias 02 e 05 de julho. Foi mais ou menos assim.

Hoje começa a reta final dos últimos shows do Monty Python, algo nada menos do que histórico. O grupo – reduzido a quinteto depois da morte de Graham Chapman, em 1989 – já fez parte das apresentações de Monty Pyhton Live (mostly) – One Down, Five to Go na O2 Arena, em Londres, e jura que esse pacote de 10 apresentações (para 15 mil pessoas por noite) será o último suspiro do mais celebrado grupo de comédia de todos os tempos.

O show tem direção de Eric Idle, que assume postura de líder, e é um grande resumo da história do Python. Exatamente por isso, não deixa de ter certa melancolia. No palco, o espetáculo é dividido em duas partes. Na primeira, os comediantes começam com o esquete das lhamas, seguido de “Four Yorkshiremen”, onde relembram um passado crescentemente exagerado em termos de tragédia – e aqui, com longas falas, os integrantes tropeçam loucamente na entrega das falas, para delírio da plateia.

A noite continua com “Penis Song (Not the Noel Coward Song)”, que descamba para um musical grandioso, ao estilo da Broadway – algo que ainda ocorreria diversas vezes ao longo da noite, dando um estranho clima de performance mista para o show.

O ponto alto da primeira metade é certamente a desembocadura de “Vocational Guidance Counseller” (o quadro no qual Palin faz teste vocacional com Cleese) em “Lumberjack Song”. De forma impressionantemente deliciosa, Palin brinca com a ansiedade do público ao improvisar a conexão “mas na verdade eu queria mesmo ser...”. Em alguns shows ele apenas pausa dramaticamente, em outros ele simplesmente emenda uma frase aleatória, antes de começar a música do lenhador que gosta de se vestir de mulher.



Com o fim da parte inicial (encerrada por “I Like Chinese”, de 1980, que, em 2014, certamente faz o espectador pensar: “essa música não é... meio... um pouco... racista?”), um intervalo de 20 minutos.

A parte dois tem momentos mais memoráveis ainda. Apesar do excesso de vídeos antigos mostrados nos telões – presumidamente para que os comediantes, já com mais de 70, se preparem -, é bem mais ágil. Estão lá os esquetes “Nudge Nudge”, “Spanish Inquisition” e uma sequência de sucessos que mais parece um arrastão.



Destaque para a versão incrivelmente bem adaptada de “Blackmail”, quadro no qual Palin chantageia famosos. No palco da O2, foram recebidos convidados especiais surpresa como Stephen Fry e Matt Lucas (Little Britain), que assim puderam pagar tributo ao Monty Python e sua gigantesca influência no universo da comédia.

 Um momento constrangedor desequilibra o que seria uma goleada: quando o telão mostra Chapman cantando “Christmas in Heaven” e, no palco, um ator – não um dos comediantes do quinteto - surge caracterizado como o mesmo personagem e cantando a canção ao vivo. É uma daqueles momentos que realmente lembram um jogo de futebol com estádio lotado: você escuta o lamento da plateia com a cena, seguido de um silêncio absoluto até o fim do número.

 Mas o encerramento da apresentação é bem mais informal, com o Monty Pyhton cantando “Always Look on the Bright Side of Life” no palco. Porque, claro, em parte é isso mesmo que os fãs esperam: simplesmente ver John Cleese, Michael Palin, Eric Idle, Terry Jones e Terry Gilliam no mesmo palco. Depois da saída, duas imagens no telão: "Graham Chapman, 1941-1989" e "Monty Pyhton, 1969-2014". E uma singela mensagem final:



 O Fim?

Essa reunião começou a ser esboçada em 2010, com o espetáculo Not the Messiah (He’s a Very Naughty Boy), quando Idle e o maestro John Du Prez (colaborador desde os tempos de A Vida de Brian, 1979) misturaram comédia a O Messias, oratório de Händel. A ideia era comemorar os 40 anos do grupo, mas John Cleese não se interessou em participar.

Anos depois, tudo se encaixou: Idle, Cleese, Michael Palin, Terry Gilliam e Terry Jones concordaram que seria um bom momento para um último agradecimento aos fãs e, claro, também aproveitar para faturar mais um pouco com o legado do Monty Python.

E acabou mesmo? Não é a última vez que o Monty Pyhton diz que nunca mais se reunirá. Para o futuro próximo, o grupo se reunirá em 2015 – sem Cleese – em Absolutely Anything, filme dirigido por Jones e que também tem Simon Pegg e Robin Williams no elenco. Em uma entrevista coletiva para divulgar Monty Pyhton Live (mostly), o quinteto se mostrou incerto quanto à possibilidade de mais shows, e Cleese chegou a mencionar uma vontade inicial de também se apresentar nos Estados Unidos. Em um especial da BBC sobre a reunião, Monty Python: And Now For Something Rather Similar, Idle disse que Palin não aceitou fazer mais do que os 10 shows da O2 Arena.

De certo mesmo há a transmissão do último show, dia 20 de julho, ao vivo para cinemas de várias partes do mundo (sem o Brasil, infelizmente). Depois disso, em novembro, o especial será lançado em DVD e blu-ray.

Altos e Baixos 

Alguns detalhes de Monty Python Live (mostly):







  • A atriz Carol Cleveland participa, mas o músico Neil Innes não. Ele andou se estranhando com Eric Idle por direitos autorais de uma versão que ele criou de “Always Look on the Bright Side of Life” que teria sido usada sem a permissão dele no musical Spamalot;






  • A barraca de merchandising tem uma grande variedade de produtos novos: de camisetas e agasalhos a chaveiro e o chapéu de Gumby – que é, vamos falar a verdade, apenas um guardanapo amarrado vendido a preço de ouro;





  • Entre os (muitos) vídeos antigos exibidos nos telões estão “International Philosophy” e “The Fish Slapping Dance”. Um novo, com participação dos físicos Stephen Hawking e Brian Cox, também está lá, como parte de “The Galaxy Song” (spoiler: sim, Hawking canta!);




  • Durante os shows, Terry Jones parece tenso e sério. John Cleese mal consegue conter os surtos de riso. Michael Palin e Eric Idle são os mais desenvoltos, com maior aptidão para o improviso e conseguem entregar o texto com competência absoluta. E Terry Gilliam está engraçadíssimo, mesmo quando está voando com as tripas expostas.
  • sexta-feira, 12 de outubro de 2012

    Beatles: BBC reconta a história de Magical Mystery Tour



    Com o relançamento de Magical Mystery Tour em DVD e blu-ray (olha o site, que foda), a BBC produziu o documentário Magical Mystery Tour Revisited - com entrevistas não só sobre a produção do filme de 1967, mas também sobre como ele foi extremamente mal recebido na época.

    O documentário de quase uma hora tem depoimentos dos fab four e de gente como Terry Gilliam (Monty Python), Neil Innes (Bonzo Dog Doo-Dah Band), Barry Miles, Martin Scorsese e muitos outros. E um monte de imagens inéditas, depoimentos da época, fotos raras... É a BBC fazendo um trabalho sério de colocar uma obra de arte dentro de um contexto histórico amplo.

    O resultado é tão interessante que é uma pena que o programa não esteja nos extras do relançamento. Pelo menos foi parar no YouTube, o que já ajuda.



    quinta-feira, 11 de outubro de 2012

    "As pessoas me pareceram ser completamente livres", diz o ex-Monty Python Michael Palin sobre o Brasil



    No ano passado, Michael Palin passou pelo Brasil para gravar mais um de seus documentários. O programa - em quatro partes - deve ser exibido ainda neste ano pela BBC e se chamará Brazil (assim como o filme de Terry Gilliam, que Palin estrelou). Conversei com o ex-Monty Python sobre tudo isso (e muito mais). Dá para ler a íntegra aqui. Meus pontos favoritos:

  • Brasil. "Eu participei de Brazil – O Filme [1985], do Terry Gilliam, e o filme se chama assim porque, se você se lembrar, o personagem vai sendo gradualmente esmagado pelo sistema e a única coisa que mantém a mente dele viva é essa música, 'Brazil' [cantarola 'Aquarela do Brasil', de Ary Barroso]. Então, de certa forma, o Brasil era um mundo da fantasia para nós na Inglaterra: as praias eram douradas, os corpos eram lindos, a comida era incrível e havia música tocando o tempo todo."

  • Brasileiros. "Não vi ninguém sendo autoritário, no sentido de normas e regras, enquanto na Europa é exatamente o contrário, com muitas limitações sobre o que se pode fazer, aonde se pode ir, música que se pode tocar e a que hora. Pelos lugares onde passei no Brasil, nada disso parecia se aplicar. As pessoas me pareceram ser completamente livres de pressões externas, sem ansiedade alguma."

  • Viajar. "Vivo uma vida singular, mergulhando em diferentes continentes e trabalhos. E cada lugar que visito acaba me puxando de volta, mas nunca terei tempo o suficiente na vida para ir aos lugares que quero! Então depende das pessoas que conheço, que conheci, gosto de voltar para locais onde tenho amigos."

  • Monty Python. "É quase como se não fosse possível satisfazer as pessoas com o que você já fez – e acho que já fizemos nosso melhor, culminando em A Vida de Brian [1979], nosso melhor filme, na minha opinião. Nosso último longa foi feito 1982 [O Sentido da Vida, lançado no ano seguinte] e não fizemos praticamente nada depois disso. E as pessoas ainda acham que basta usar uma varinha mágica e estaremos de volta fazendo a esquete do papagaio."
  • quarta-feira, 4 de agosto de 2010

    Arcade Fire faz cover de Jay Reatard em show



    O Arcade Fire tocou "Oh It's Such a Shame", do Jay Reatard, em um show na Filadélfia, segunda-feira passada.

    Hoje e amanhã a banda toca no Madison Square Garden, em Nova York - e o segundo show será transmitido ao vivo, via YouTube, com direção de Terry Gilliam.



    [via Billboard]

    quarta-feira, 9 de junho de 2010

    Mais uma reunião do Monty Python



    Já está nas lojas norte-americanas o DVD/Blu-ray Not the Messiah (He's a Very Naughty Boy), uma performance erudita (semi-erudita? erudita-pop?) baseada em A Vida de Brian, do Monty Python.

    A peça foi escrita por Eric Idle e John Du Prez, os responsáveis pelo sucesso Spamalot (espetáculo da Broadway baseado em Em Busca do Cálice Sagrado), e conta com participações de Michael Palin, Terry Gilliam e Terry Jones. John Cleese não deu as caras na apresentação, que foi gravada no Royal Albert Hall, em outubro do ano passado.

    A curiosidade é que a obra não é de esquetes (ou só de reproduções das músicas do grupo de comédia): são interpretações das faixas em versão "orquestra sinfônica". Pelo menos é algo diferente, não mais um documentário ou coletânea de quadros do programa de TV Flying Circus.

    E você ainda pode cantar junto:

    quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

    Terry Gilliam fala sobre a retomada do Dom Quixote dele



    Em entrevista à revista Time Out de Hong Kong, o diretor Terry Gilliam deu mais detalhes sobre a retomada do projeto The Man Who Killed Quijote (filme que ele já tentou fazer uma vez, mas que acabou em uma série quase infinita de problemas - tudo retratado no documentário Lost in La Mancha).

    "Depois de sete anos, o roteiro finalmente foi lido e resgatado do sistema legal francês", disse Gilliam. "Foi a hora de reescrevê-lo, e isso já foi feito. Tive sorte em não concluir aquele filme porque o roteiro não era bom o suficiente. Agora acho que está perfeito. Ou talvez eu esteja só enganando a mim mesmo."

    Ele também falou sobre os problemas de agenda do astro do longa-metragem, Johnny Depp: "A agenda dele, infelizmente, está cheia de outras coisas - aventuras 'piratescas' e momentos dignos de Totó." Com a falta de tempo, Depp deve acabar fora do projeto. "Vou precisar de outra pessoa e conseguir dinheiro. Fácil."

    O papel de Quixote que, segundo boatos, ficaria com Michael Palin agora está com Robert Duvall. Ainda não se sabe quando as filmagens devem começar.

    sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

    Heath vale por três?


    Então é mesmo o Johnny Depp quem vai substituir o Heath Ledger nas cenas que faltaram de The Imaginarium of Doctor Parnassus, filme de Terry Gilliam. E o Colin Farrell. E o Jude Law. Cada um dos atores deve fazer dos segmentos que faltaram.

    segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

    Heathless


    Com um empurrãozinho involuntário, The Imaginarium of Doctor Parnassus - o novo longa de Terry Gilliam - ganhou mais atenção. Agora foi a vez do site oficial do filme (mais ou menos) entrar no ar e mostrar a primeira imagem oficial.

    Continuam as dúvidas: quem vai substituir Heath Ledger (computação gráfica? Johnny Depp?)? O Gilliam vai ser da (eterna) série zicada de filmes?

    terça-feira, 29 de janeiro de 2008

    Nada de Johnny Depp?


    Segundo o ator Cristopher Plummer o diretor Terry Gilliam deve usar efeitos especiais para terminar o longa The Imaginarium of Doctor Parnassus sem Heath Ledger. "O Terry está se jogando na missão de tentar salvar o filme", contou Plummer ao The Daily Telegraph. "Felizmente o filme lida com mágica, então talvez haja um modo... De transformar Heath em outras pessoas usando fotos e efeitos especiais."

    Tipo O Corvo, né?

    sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

    Sai Ledger, entra... Depp?


    O The Sun diz que Johnny Depp pode substituir Heath Ledger no filme The Imaginarium of Doctor Parnassus. Faltavam apenas seis semanas de filmagem para a conclusão do longa de Terry Gilliam.

    O tablóide alega que a substituição seria possível porque em uma cena do filme o personagem de Ledger passaria por um espelho e, como se trata de um longa de fantasia, ele sofreria uma transformação mágica.

    De concreto mesmo só sabemos uma coisa: esse Gilliam é zicado demais! Primeiro ele torrou uma grana gigante em As Aventuras do Barão de Muchausen (1988) e não teve retorno de bilheteria. Depois de vários problemas menores com outros filmes, teve o desastre que foi a tentativa de fazer The Man Who Killed Don Quixote - que pelo menos rendeu o belo documentário Lost in La Mancha (2002). E aí veio Tideland, um filme horrendo do qual nem o diretor deve ter gostado. Banho de sal grosso, amigão!