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sábado, 25 de janeiro de 2014

Clipe de Amarante para "Maná" abre o caminho para o Carnaval


 Rodrigo Amarante lançou o clipe de "Maná", do disco Cavalo, bem à tempo para o Carnaval 2014: é um vídeo feito a partir de imagens da festa de Momo em Saquarema, no Rio de Janeiro, em 1975 e 1976. Ele mesmo deu mais detalhes:
Essas imagens foram feitas por meu pai e minha mãe em 75 e 76 durante o carnaval em Saquarema, município do estado do Rio de Janeiro. Essas pessoas que se vêem aqui são mimha família, meus pais e avós, tios, primos e amigos, gente maravilhosa, meus grandes heróis na infância. Todo ano eles formavam esse bloco chamado Saquarema de Banda. Dá pra ver muito claro porque ao invés de chamar de Banda de Saquarema eles inverteram o nome. Todos eles de banda, alguns mesmo entortados, todos palhaços, crianças em espírito. Foi assim que eu cresci e tão logo eu consegui segurar uma baqueta passei a tocar com eles no bloco. Esses foram os momentos mais felizes da minha infância e eu e minha irmã fomos pra sempre marcados por essa época, essas pessoas. Minha irmã, com quem dirigi e editei esse vídeo é hoje ritimista da Estação Primeira de Mangueira e foi pra ela que eu escrevi essa música. Maná é a graça, a benção, e Má é ela, Marcela. Esse vídeo é uma homenagem à todos que fizeram parte desse bloco, especialmente os mais velhos que faziam tudo acontecer, uma prova de que apesar de nos sentirmos muito modernos e livres no século 21 nossos pais e avós eram muito menos caretas do que somos. Bom, pelo menos os meus. 

Maná from Rodrigo Amarante on Vimeo.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Toque Dela: o amor segundo Marcelo Camelo



Entrevistei o Marcelo Camelo, que acabou de lançar Toque Dela, para a Rolling Stone deste mês (Ronaldinho Gaúcho na capa). Meus momentos preferidos da entrevista:

  • "O amor é o modus operandi, é o 'como'. O amor é o como. Tem aquela do [Robert] Anton Wilson que fala: 'O objeto que você usa pra olhar o universo descreve em iguais proporções o universo, aquilo que você está observando e ele próprio, aparelho'. Então é como se fosse um 'como', é o proceder. O Laércio de Freitas, meu mestre absoluto, sempre me dizia: 'Marcelo, é com e para. Ser com e para as coisas'. O meu irmão tem uma frase que eu acho bonita. Ele diz que a felicidade é um gesto físico. Se é amoroso, você ganha amor. Se você é violento, ganha violência."

  • "Talvez inconscientemente [meu novo processo de composição] seja um caminho de liberdade - de uma mudança desse processo, mais do que de liberdade. Eu funciono com uma certa tentativa de busca. Martelar na mesma tecla não me interessa muito, parece que eu vou chegar ao mesmo lugar. Então, fico tentando opor o método [de composição e gravação] anterior ao seguinte. Acho que tenho conseguido um resultado estético diferente da anterior, de alguma forma. E também tem um monte de coisa que influencia. Não sei o que é faz os olhos desfocarem e você ficar mais míope para a percepção, passar a entender que a percepção menos acurada, menos precisa, também traz informação. Se eu tiro os meus óculos, passa a ser outro jeito de ver as coisas. O processo na música passa um pouco por aí: desfocar as escolhas e a precisão das coisas pra tentar enxergar outro lugar."


  • Fora as páginas que estão na revista, ainda há mais coisas inéditas no site da RS. E um montão de conversa ainda ficou de fora, infelizmente. Eu gosto bastante (e acho melancólico também) de como a entrevista acaba na versão de papel.

    quarta-feira, 2 de março de 2011

    Marcelo Camelo libera teaser de música nova (atualizada)



    Marcelo Camelo liberou esse trecho de "ôô", nova música de trabalho dele. Difícil julgar com tão pouco, mas parece interessante.

    ATUALIZAÇÃO: os outros dois trechos já foram liberados. São estes:



    terça-feira, 5 de outubro de 2010

    Los Hermanos 2010: banda divulga imagens do primeiro ensaio



    O Los Hermanos se reuniu nesta terça-feira para começar os ensaios da mini-turnê que fará nos próximos tempos. Os fãs podem acompanhar a movimentação pelo Twitter ou pelo Twitpic (de onde saíram as imagens acima). As datas dos shows estão no MySpace da banda.

    quinta-feira, 13 de maio de 2010

    Los Hermanos fará dois shows em 2010



    O Los Hermanos deve se reunir para duas apresentações fechadas, em Recife e Salvador, no segundo semestre deste ano. A informação foi dada por Marcelo Camelo, em entrevista à revista Trip.

    "Vamos fazer dois shows no segundo semestre, dois shows fechados", disse o músico. "Um em Recife e um em Salvador. E eu tô adorando. Pô, sinto mó saudade deles, outro dia fiquei vendo uns vídeos nossos em casa."

    A última apresentação da banda foi ao lado do Radiohead, em 2009.

    domingo, 16 de agosto de 2009

    Little Joy estreia músicas novas no Brasil (veja!) (atualizada)

    O Little Joy aproveitou a passagem pelo Brasil para mostrar novas músicas aos fãs - mais rápidas, com metais (tocados nas versões ao vivo, inclusive). Em São Paulo foi assim:







    A banda ainda fez duas versões: "Procissão" (Gilberto Gil) e "Midnight Voyage" (The Mammas & the Papas).

    ATUALIZAÇÃO - Aqui está o vídeo da cover do Gil:

    sexta-feira, 29 de maio de 2009

    Marcelo Camelo, Anna Julia e Ivete Sangalo no Multishow

    Já viu a chamada do especial Pode Entrar, da Ivete Sangalo, que tem participação do Marcelo Camelo? É engraçada: Ivete e Camelo são recebidos por uma funcionária da cantora, que não resiste e canta "Anna Julia". Impagável!



    No especial Marcelo Camelo canta "Teus Olhos", composição dele, com a baiana:



    Eu já achava legal quando o Los Hermanos tocava um trecho de "Flor do Reggae" nos shows, então essa parceria faz todo sentido.

    sexta-feira, 20 de março de 2009

    Quando o Radiohead tirou um barato do Oasis

    Aquecimento para o Just a Fest: áudio do Radiohead com a banda tirando um barato do Oasis (que também toca no Brasil logo mais):



    Aproveitando, o YouTube também tem um vídeo que seria de um dos ensaios do Los Hermanos:


    terça-feira, 17 de março de 2009

    "Seria difícil haver melhor oportunidade para o reencontro", diz tecladista do Los Hermanos

    Los Hermanos

    Está chegando a hora: depois de quase dois anos sem fazer shows, o Los Hermanos volta aos palcos para duas apresentações dentro do Just a Fest (que terá também Kraftwerk e Radiohead), no Rio e em São Paulo. Falei com o tecladista Bruno Medina sobre os motivos que levaram a banda a aceitar esse convite, sobre o tempo que o grupo ficou parado e, obviamente, sobre as duas apresentações - que por enquanto devem ser únicas. Parte dessa entrevista foi publicada em uma matéria da edição de março da Rolling Stone (U2 na capa). Recomendo a leitura da revista: lá também tem declarações dos outros três integrantes do Los Hermanos.

    With Lasers - Por que vocês decidiram fazer esses dois shows? O fato de ser junto com o Radiohead influenciou? Vocês gostam da banda?

    Bruno Medina - Acredito que já havia por parte de todos uma vontade de estarmos juntos num palco novamente. O assunto não vinha à tona porque realmente ocorreu um afastamento entre nós. O fato de cada um ter se dedicado a projetos completamente diferentes resultou nos poucos encontros que tivemos durante estes quase dois anos, e isto, de alguma maneira, já era um efeito previsto quando optamos pelo recesso. O convite para tocarmos com bandas das quais tanto gostamos foi fundamental para que todos o aceitassem prontamente. Acho que percebemos que seria difícil haver melhor oportunidade para o reencontro.

    Como foi que vocês quatro conversaram sobre a possibilidade de se reunir para esses shows? Foi pessoalmente?

    Combinamos tudo basicamente por e-mail. Não houve, no entanto, troca de mensagens a respeito da ideia de fazer os shows, isto sempre foi ponto pacífico. Como o período de negociação coincindiu com uma turnê kamikaze do Little Joy pelos EUA, não era possível agendar reuniões com o Rodrigo; também não faria sentido conversarmos pessoalmente sem contar com a presença dele. Semana passada Rodrigo e eu estivemos no show do Marcelo [nota: a entrevista foi feita na segunda quinzena de fevereiro] e os três juntos conseguimos dividir algumas impressões sobre repertório e outros pormenores.

    Você esperava uma comoção tão grande por parte dos fãs quanto a essa pausa da banda? No momento seguinte ao anúncio das férias já começaram especulações sobre o futuro do grupo.

    Seria bastante hipócrita dizer que não esperávamos uma comoção entre nossos fãs, afinal é notório o envolvimento que determinadas pessoas chegam a ter com nossas músicas. Ao mesmo tempo era preciso determinar que, pelo bem da própria banda, não poderíamos deixar que a repercussão da notícia nos impedisse de tomar a decisão de parar naquele momento. O anúncio do recesso foi delicado, porque não queríamos estimular previsões quanto ao prazo do hiato - o que nem mesmo nós sabíamos - ao passo que ainda havia a preocupação de evitar o clima fatalista que poderia se apoderar da novidade.

    Tentamos fazer um comunicado simples, leve, mas agora percebo que as pessoas esperavam contar com mais detalhes. Quanto às especulações, é claro que elas não nos agradam, afinal este hábito de tentar prever cada passo que damos é uma bola de neve. Quando confirmamos os shows queriam saber sobre o repertório, depois se haveria outros shows, um disco talvez, e por aí vai. É uma loucura! Felizmente os dez anos que se passaram nos ensinaram a lidar com essa expectativa de uma forma mais amena.

    Vocês quatro já se encontraram para falar dessas apresentações? Já decidiram repertório, agenda de ensaios e coisas assim?

    Até agora só houve este encontro no show do Marcelo, e mesmo assim sem o Barba. Antes do recesso nos acostumamos a resolver muitas coisas por e-mail, e assim tem sido também agora. O Repertório já está decidido e posso adiantar que será um show longo para os padrões de festival, misturando as músicas de todos os discos. A princípio serão quatro os ensaios, isso sem contar com o tempo que cada um precisará gastar em casa relembrando suas partes.

    Todos vocês passaram por experiências musicais bem diferentes durante o recesso. Você acredita que essas diferentes referências vão contribuir para – ou modificar – a sonoridade do grupo?

    Com certeza. Agora, olhando com distanciamento, concluo que o ocorrido durante esta pausa está muito próximo do que havíamos previsto. O plano era mesmo buscar novas referências, novos parceiros, e para isto cada um de nós escolheu caminhos musicais muito distintos. Em minha opinião esta diversidade sempre foi o maior mérito da banda. Sempre estivemos abertos para nos deixar permear por novas influências, o recesso inclusive é coerente com esta atitude.

    Dois anos de férias é um tempo longo. Do que você mais sentiu falta em relação ao Los Hermanos nesse tempo?

    Senti falta principalmente do convívio com toda a equipe, de viajarmos juntos, e desta sensação bastante única que é estar no palco com o Los Hermanos. Sinto saudade também do repertório, e da reação que ele causa nos fãs.

    Just a Fest - Rio de Janeiro. 20 de março (sexta-feira), na Praça Apoteose – Rua Marquês de Sapucaí s/nº, Praça Onze. Abertura dos portões: 16h. DJ Mauricio Valladares: 18h. Los Hermanos: 19h. Kraftwerk: 20h45. Radiohead: 22h30. Ingressos: Pista/arquibancada – R$ 200 (inteira) e R$ 100 (meia entrada). Venda: nas bilheterias do Flamengo (Praça Nossa Senhora Auxiliadora s/n°, Gávea), diariamente, das 10h às 18h. Nas bilheterias da Apoteose. Setor 11. Av. Salvador de Sá s/n°, Cidade Nova. De 9h às 18h, até o dia 19/1. No dia do show, de 9h às 19h. Nos pontos de venda só será aceito pagamento em dinheiro. Há o limite de venda de quatro ingressos por pessoa. Não haverá devolução do dinheiro após a compra. Não será permitida a troca de ingressos após a compra. Censura: 16 anos (menores somente acompanhado dos pais ou responsáveis legais). SAC: (21) 2545-9411. Site oficial: www.justafest.com.br. Estacionamento: não haverá bolsões de estacionamento para o público no local. Metrô: o Metrô Rio terá esquema especial para atender o público quer for ao show. A Estação Praça Onze estará aberta para embarque até uma hora depois do término da apresentação. As demais estações das Linhas 1 e 2 funcionarão apenas para desembarque, depois da meia-noite. As linhas de extensão Metrô Na Superfície (Botafogo/Gávea e Siqueira Campos/Gávea) funcionarão até a chegada do último trem.

    Just a Fest - São Paulo. 22 de março (domingo), na Chácara do Jockey – Rua Francisco Morato 5.100, bairro Ferreira. Abertura dos portões: 14h. DJ Mauricio Valladares: 17h30. Los Hermanos: 18h30. Kraftwerk: 20h15. Radiohead: 22h. Ingressos: Pista – R$ 200 (inteira) e R$ 100 (meia entrada). Venda: pelo site www.ingresso.com – até dia 17. Nos pontos de venda só será aceito pagamento em dinheiro. Há o limite de venda de quatro ingressos por pessoa. Não haverá devolução do dinheiro após a compra. Não será permitida a troca de ingressos após a compra. Censura: 16 anos (menores somente acompanhado dos pais ou responsáveis legais). SAC: (21) 2545-9411. Como chegar: Linhas de ônibus – 6225-10 (Correio-Jd Rosana); 6250-10 (Term. Bandeira-Jd Jaqueline); 6253-10 (Pça da Bandeira-Pq Ipê); 6267-10 (Term. Bandeira-Jd Mitsutani); 6267-31 (Term. Bandeira-Jd Mitsutani); 627R-10 (Pinheiros-Jd das Rosas); 627V-10 (Pinheiros-Valo Velho); 637H-10 (Metrô Barra Funda-Jd Helga); 647M-10 (Pinheiros-Jd Macedôncia); 647V-10 (Pinheiros-Valo Velho); 7013-10 (Pinheiros-Pq Arariba); 7043-10 (Hosp. das Clínicas-Jd Ingá); 7054-10 (Pinheiros-Jd Macedônia); 724P-10 (Aclimação-Campo Lindo); 724P-41 (Pça Ramos de Azevedo-Campo Lindo); 7357-10 (Pinheiros-Inocoop Campo Lindo); 7392-10 (Est da Luz-Jd Maria Sampaio); 7393-10 (Est.da Luz-Inocoop Campo Lindo); 7394-10 (Pinheiros-Jd Guarujá); 7395-10 (Est. da Luz-Jd Macedônia); 756A- 10 (Santo Amaro-Jd Paulo VI); 758L-10 (Lapa-Campo Lindo); 7651-10 (Anhangabaú-Jd Maria Sampaio); 775C-10 (Metrô Ana Rosa-Jd Maria Sampaio); 775P-10 (Metrô Ana Rosa-Jd Guarau); 795P-10 (Paraíso-Parque do Engenho).

    quinta-feira, 29 de novembro de 2007

    Camelo sozinho

    Essa eu vi no blog do Alexandre Matias. "Téo e a Gaivota" é uma música solo do Marcelo Camelo, ex-Los Hermanos, postada no YouTube pelo Alex Werner, que trabalhava com a banda. Olha (e escuta) só:


    Não custa lembrar que o Rodrigo Amarante também andou por essa praia solo. Ele colocou uma versão diferente de "Evaporar", que originalmente saiu no disco mais recente do Lanny Gordin, no MySpace dele.

    Já o Barba, andou tocando bateria com o Jason. Só que a galera não perdia a chance de zoar...


    No MySpace do Latuya também tem algumas faixas novas, com o Barba na bateria. Os fãs de Hermanos vão curtir essas.

    quinta-feira, 11 de outubro de 2007

    Olhos de diamante de Amarante


    Rodrigo Amarante, depois de participar do novo disco de Devendra Banhart, dá os primeiros passos na carreira solo. A canção "Diamond Eyes" foi parar na compilação Love Above All, feita por Banhart para a revista Uncut. Ouça agora:



    Segundo o norte-americano, depois da gravação de Smokey Rolls Down Thunder Canyon, "ele começou a escrever músicas em inglês pela primeira vez. Acho que o próximo projeto dele deve ser um disco solo. Dizem que ele talvez vá para Nova York gravar com os Strokes - ele é bem amigo do Nick e do Fabrizio."

    Quando eu falei com o Amarante para uma matéria da Rolling Stone, ele disse que não tinha pressa em fazer planos - mas que tinha muitos projetos legais rolando ao mesmo tempo. Escute o trecho da entrevista:



    A peça Homem Sem Rumo, que o Amarante cita, estréia dia 26 de outubro no Sesc Avenida Paulista. Alguns dos vídeos do diretor Primitivo Gonzales - com participação de Rodrigo Amarante - estão disponíveis na internet, clique nos nomes para assistir: Mais Velho (2001), Idade da Pedra (2002), Império das Pelúcias (2005) e Tesão em Saquarema (2001).

    sexta-feira, 14 de setembro de 2007

    Tropicalista contemporâneo


    Ao escutar Smokey Rolls Down Thunder Canyon, você pode ter - em vários momentos - aquela sensação de "que porra é essa?!?". O disco de Devendra Banhart vai fundo em sua diversidade e consegue, de forma surpreendente, manter sua unidade. O gospel "Saved" cai bem ao lado do rock "Tonada Yanomaminista" e da épica "Seahorse". A seguir, Devendra fala sobre Smokey em entrevista ao With Lasers. Para saber ainda mais sobre o trabalho (com depoimento do novo parceiro Rodrigo Amarante), corra até as bancas e compre a edição mais recente da Rolling Stone Brasil.

    Você e o Rodrigo Amarante se conheceram no evento da Tropicália, Em Londres. Foi uma parceria feita nos céus?

    Devendra Banhart - Foi como se o Egito fosse gentilmente arrancado do bico do grande thunderbird no céu [nota do WL: essa é uma referência à criação do mundo segundo uma lenda dos nativos norte-americanos], um verdadeiro presente, uma irmã do mesmo útero trovejante.


    Por que esse método de gravar suas canções em casa é melhor?


    Eu nunca disse que era melhor. Desta vez só tinha de ser assim. Você tem de mudar, sempre.

    Em seus dois último discos as músicas têm uma sonoridade mais "de banda", o que é bem diferente de, por exemplo, Niño Rojo. Por quê?


    Veja a resposta anterior. E desta vez vou citar Miles Davis: "Se você não mudar, vai acabar como um cantor de folk, tocando em museus e sendo um filho da puta regional." Uma coincidência engraçada é que tocamos no Museu de Arte Moderna de San Francisco um tempo atrás [risos].

    Como o ator Gael García Bernal foi parar no disco? Essa música faz parte do filme que ele dirigiu, não?

    Ele me pediu para escrever uma canção para filme dele, Déficit. Identifiquei-me com os personagens, com a alegoria, e tudo isso me levou a um sentimento puro sul-americano de vazio, que vocês chamam de "saudade". Nós o chamamos de "novela da vovó" – e, rapaz, ele dói docemente.

    No ano passado você já havia dito que tinha interesse nos Yanomami. Agora você escreveu "Tonada Yanomaminista". Como essa música nasceu?


    Bom, passamos um tempo com eles, meio sem querer, na fronteira do Brasil com a Venezuela. O Rodrigo estava conosco, era perto de um ponto de energia, perto de uma vila. Todos nós consumimos um pouquinho de Yopo, o suficiente para inspirar essa música.


    Você continuou em contato com o Caetano Veloso? Por que ele não participou do CD, como você queria?

    Ainda estou esperando que ele cante em um disco meu! Pode ser um arroto, qualquer coisa! Brincadeira... Caetano é o cara! Mas eu preciso ter algo que seja digno dele – e ainda não consegui. Talvez um dia eu escreva algo que seja digno de um sussurro dele.

    Normalmente os músicos têm medo de tocar – especialmente quando estão gravando – instrumentos com os quais eles não tenham intimidade. O seu disco novo tem dezenas de instrumentos. Isso é algo que você decidiu antes de começar a gravar ou foi natural?

    Não somos só nós tocando os instrumentos exóticos – Chris Robinson, do Black Crowes, arrasa no charango! É mais como fazer o corte certo para que cada música se torne a roupa que merece. Como eu poderia escrever uma canção sobre a Venezuela sem um cuatro? Ou um samba sem a cuíca? Por outro lado, é divertido aproximas essas coisas todas umas das outras, é mais tropicalista!

    Inicialmente você queria gravar esse CD no Brasil, fazendo um tributo à Tropicália, mas acabou gravando nos EUA mesmo. Mas escutando o resultado final, talvez ele tenha acabado sendo ainda mais tropicalista dessa forma, sem ser declaradamente e claramente tropicalista. Concorda?

    Concordo, apesar de eu nunca ter dito que faria um tributo tropicalista. Só disse que eu, Andy Cabic e Noah estávamos planejando fazer um álbum em brasileiro – não em português! [risos] Seria com nossas músicas preferidas, como "Sangue Latino" (Secos e Molhados), muitas da Caetano, "Preta Pretinha", "Mistério do Planeta" ou "Acabou Chorare" (Novos Baianos), "O Mar" (Dorival Caymmi), "Kalu" (Humberto Teixeira), "Sorriso Dela" (Erasmo Carlos), "Novena" (Alceu Valença), alguma coisa do Gil e do Jorge Ben... Talvez "Zumbi", do Quarteto em Cy - e até uma música do Dick Farney! E assim vai. Aí queríamos também gravar coisa de autores de toda a América do Sul, como Víctor Jara, Atahualpa Yupanqui, Violetta Para, Eduardo Mateo, Roy Brown, Simon Diaz... E aí, com todas as canções do Rodrigo, pensamos em fazer um disco só delas! E aí tudo foi ficando demais e resolvemos fazer este disco e agora vou aprender a tocar guitarra e a cantar e tentar a sorte em outros projetos, talvez. Shooooooooooooooooofa!

    [as fotos desta página são de Lauren Dukoff e estão no site oficial de Devendra Banhart]

    quinta-feira, 30 de agosto de 2007

    Devendra vazou


    Vazou o álbum Smokey Rolls Down Thunder Canyon, de Devendra Banhart (aquele com participação do hermano Rodrigo Amarante). Oficialmente, ele só sai dia 25 de setembro. Particularmente, recomendo a compra da edição especial, que virá com desenhos do Devendra. Mas se você não agüentar esperar, o disco está por aí.

    segunda-feira, 30 de julho de 2007

    Los Hermanos Banhart


    Lembra que o Rodrigo Amarante entrou para a banda de Devendra Banhart? Pois já dá para ouvir duas faixas novas no MySpace do gringo. Uma delas, "Rosa", é em português e os dois dividem os vocais. O novo CD se chama Smokey Rolls Down Thunder Canyon e sai dia 25 de setembro. Segundo o blog do Dev no MySpace, a cada sexta-feira duas novas faixas serão postadas.

    segunda-feira, 18 de junho de 2007

    Los Devendras


    Rodrigo Amarante, ex(?)Los Hermanos, agora é integrante da banda de Devendra Banhart. E quem disse foi o próprio hippão, em seu MySpace: "A banda principal sou eu, Noah, Luckey, Pete, Greg, e Andy. Rodrigo tocará em alguns shows nossos até que o trabalho com o Los Hermanos volte e/ou a saudade bata."

    Segundo o BrooklynVegan, o novo álbum de Devendra se chama Vasu Deva Kutumbam e deve sair em setembro.

    domingo, 17 de junho de 2007

    Será?

    Por falar em "o vencedor", você já está com saudades do Los Hermanos? Dá uma olhada no YouTube. Eu gostei de "Lágrimas Sofridas". Emo antes do emo. "Peixinhos e aves", tá ligado?

    quinta-feira, 3 de maio de 2007

    Los Hermanos, R.I.P.

    Los Hermanos is no more. It has ceased to be. It's expired and gone to meet its maker. Uma semana atrás, a banda publicou uma nota no seu site oficial, com toda a pompa, circunstância e impessoalidade de uma nota no Diário Oficial: "a banda Los Hermanos comunica a decisão de entrar em recesso por tempo indeterminado". O motivo, "outras atividades que vieram se acumulando" pelos membros durante a existência da banda. Em outras palavras: um disco de samba e carreira de compositor sério de MPB, uma big band de músicas antigas com os amigos, uma carreira blog-literária e tocar bateria em bandas que façam rock de verdade. Foi tudo meio anticlimático, já que eles já tinham divulgado que estavam prestes a entrar em estúdio para preparar seu quinto disco, mas na real não acho que tenha sido triste. A banda é muitíssimo boa, mas o último disco já era bem mais fraco que os anteriores e com uma esquizofrenia latente e explícita, apesar de alguns grandes momentos. A grande aposta agora é: quem vai fazer o disco solo mais legal, Camelo ou Amarante? Meu dinheiro está no Amarante, já que ele vinha melhorando a cada música e cada disco. A última música que ele lançou, "Evaporar", no disco do Lanny Gordin, é bem bonita. Por outro lado, acho que o Camelo sozinho, fazendo seus sambas com toda a indulgência que lhe cabe, pode até achar um caminho interessante. Pior do que no "4" não é possível que seja.

    E agora é torcer pra todas as bandas que surgiram nos últimos anos copiando o Los Hermanos aproveitem pra acabar também. Gram e Numismata, estou falando com vocês.