terça-feira, 17 de março de 2009

"Seria difícil haver melhor oportunidade para o reencontro", diz tecladista do Los Hermanos

Los Hermanos

Está chegando a hora: depois de quase dois anos sem fazer shows, o Los Hermanos volta aos palcos para duas apresentações dentro do Just a Fest (que terá também Kraftwerk e Radiohead), no Rio e em São Paulo. Falei com o tecladista Bruno Medina sobre os motivos que levaram a banda a aceitar esse convite, sobre o tempo que o grupo ficou parado e, obviamente, sobre as duas apresentações - que por enquanto devem ser únicas. Parte dessa entrevista foi publicada em uma matéria da edição de março da Rolling Stone (U2 na capa). Recomendo a leitura da revista: lá também tem declarações dos outros três integrantes do Los Hermanos.

With Lasers - Por que vocês decidiram fazer esses dois shows? O fato de ser junto com o Radiohead influenciou? Vocês gostam da banda?

Bruno Medina - Acredito que já havia por parte de todos uma vontade de estarmos juntos num palco novamente. O assunto não vinha à tona porque realmente ocorreu um afastamento entre nós. O fato de cada um ter se dedicado a projetos completamente diferentes resultou nos poucos encontros que tivemos durante estes quase dois anos, e isto, de alguma maneira, já era um efeito previsto quando optamos pelo recesso. O convite para tocarmos com bandas das quais tanto gostamos foi fundamental para que todos o aceitassem prontamente. Acho que percebemos que seria difícil haver melhor oportunidade para o reencontro.

Como foi que vocês quatro conversaram sobre a possibilidade de se reunir para esses shows? Foi pessoalmente?

Combinamos tudo basicamente por e-mail. Não houve, no entanto, troca de mensagens a respeito da ideia de fazer os shows, isto sempre foi ponto pacífico. Como o período de negociação coincindiu com uma turnê kamikaze do Little Joy pelos EUA, não era possível agendar reuniões com o Rodrigo; também não faria sentido conversarmos pessoalmente sem contar com a presença dele. Semana passada Rodrigo e eu estivemos no show do Marcelo [nota: a entrevista foi feita na segunda quinzena de fevereiro] e os três juntos conseguimos dividir algumas impressões sobre repertório e outros pormenores.

Você esperava uma comoção tão grande por parte dos fãs quanto a essa pausa da banda? No momento seguinte ao anúncio das férias já começaram especulações sobre o futuro do grupo.

Seria bastante hipócrita dizer que não esperávamos uma comoção entre nossos fãs, afinal é notório o envolvimento que determinadas pessoas chegam a ter com nossas músicas. Ao mesmo tempo era preciso determinar que, pelo bem da própria banda, não poderíamos deixar que a repercussão da notícia nos impedisse de tomar a decisão de parar naquele momento. O anúncio do recesso foi delicado, porque não queríamos estimular previsões quanto ao prazo do hiato - o que nem mesmo nós sabíamos - ao passo que ainda havia a preocupação de evitar o clima fatalista que poderia se apoderar da novidade.

Tentamos fazer um comunicado simples, leve, mas agora percebo que as pessoas esperavam contar com mais detalhes. Quanto às especulações, é claro que elas não nos agradam, afinal este hábito de tentar prever cada passo que damos é uma bola de neve. Quando confirmamos os shows queriam saber sobre o repertório, depois se haveria outros shows, um disco talvez, e por aí vai. É uma loucura! Felizmente os dez anos que se passaram nos ensinaram a lidar com essa expectativa de uma forma mais amena.

Vocês quatro já se encontraram para falar dessas apresentações? Já decidiram repertório, agenda de ensaios e coisas assim?

Até agora só houve este encontro no show do Marcelo, e mesmo assim sem o Barba. Antes do recesso nos acostumamos a resolver muitas coisas por e-mail, e assim tem sido também agora. O Repertório já está decidido e posso adiantar que será um show longo para os padrões de festival, misturando as músicas de todos os discos. A princípio serão quatro os ensaios, isso sem contar com o tempo que cada um precisará gastar em casa relembrando suas partes.

Todos vocês passaram por experiências musicais bem diferentes durante o recesso. Você acredita que essas diferentes referências vão contribuir para – ou modificar – a sonoridade do grupo?

Com certeza. Agora, olhando com distanciamento, concluo que o ocorrido durante esta pausa está muito próximo do que havíamos previsto. O plano era mesmo buscar novas referências, novos parceiros, e para isto cada um de nós escolheu caminhos musicais muito distintos. Em minha opinião esta diversidade sempre foi o maior mérito da banda. Sempre estivemos abertos para nos deixar permear por novas influências, o recesso inclusive é coerente com esta atitude.

Dois anos de férias é um tempo longo. Do que você mais sentiu falta em relação ao Los Hermanos nesse tempo?

Senti falta principalmente do convívio com toda a equipe, de viajarmos juntos, e desta sensação bastante única que é estar no palco com o Los Hermanos. Sinto saudade também do repertório, e da reação que ele causa nos fãs.

Just a Fest - Rio de Janeiro. 20 de março (sexta-feira), na Praça Apoteose – Rua Marquês de Sapucaí s/nº, Praça Onze. Abertura dos portões: 16h. DJ Mauricio Valladares: 18h. Los Hermanos: 19h. Kraftwerk: 20h45. Radiohead: 22h30. Ingressos: Pista/arquibancada – R$ 200 (inteira) e R$ 100 (meia entrada). Venda: nas bilheterias do Flamengo (Praça Nossa Senhora Auxiliadora s/n°, Gávea), diariamente, das 10h às 18h. Nas bilheterias da Apoteose. Setor 11. Av. Salvador de Sá s/n°, Cidade Nova. De 9h às 18h, até o dia 19/1. No dia do show, de 9h às 19h. Nos pontos de venda só será aceito pagamento em dinheiro. Há o limite de venda de quatro ingressos por pessoa. Não haverá devolução do dinheiro após a compra. Não será permitida a troca de ingressos após a compra. Censura: 16 anos (menores somente acompanhado dos pais ou responsáveis legais). SAC: (21) 2545-9411. Site oficial: www.justafest.com.br. Estacionamento: não haverá bolsões de estacionamento para o público no local. Metrô: o Metrô Rio terá esquema especial para atender o público quer for ao show. A Estação Praça Onze estará aberta para embarque até uma hora depois do término da apresentação. As demais estações das Linhas 1 e 2 funcionarão apenas para desembarque, depois da meia-noite. As linhas de extensão Metrô Na Superfície (Botafogo/Gávea e Siqueira Campos/Gávea) funcionarão até a chegada do último trem.

Just a Fest - São Paulo. 22 de março (domingo), na Chácara do Jockey – Rua Francisco Morato 5.100, bairro Ferreira. Abertura dos portões: 14h. DJ Mauricio Valladares: 17h30. Los Hermanos: 18h30. Kraftwerk: 20h15. Radiohead: 22h. Ingressos: Pista – R$ 200 (inteira) e R$ 100 (meia entrada). Venda: pelo site www.ingresso.com – até dia 17. Nos pontos de venda só será aceito pagamento em dinheiro. Há o limite de venda de quatro ingressos por pessoa. Não haverá devolução do dinheiro após a compra. Não será permitida a troca de ingressos após a compra. Censura: 16 anos (menores somente acompanhado dos pais ou responsáveis legais). SAC: (21) 2545-9411. Como chegar: Linhas de ônibus – 6225-10 (Correio-Jd Rosana); 6250-10 (Term. Bandeira-Jd Jaqueline); 6253-10 (Pça da Bandeira-Pq Ipê); 6267-10 (Term. Bandeira-Jd Mitsutani); 6267-31 (Term. Bandeira-Jd Mitsutani); 627R-10 (Pinheiros-Jd das Rosas); 627V-10 (Pinheiros-Valo Velho); 637H-10 (Metrô Barra Funda-Jd Helga); 647M-10 (Pinheiros-Jd Macedôncia); 647V-10 (Pinheiros-Valo Velho); 7013-10 (Pinheiros-Pq Arariba); 7043-10 (Hosp. das Clínicas-Jd Ingá); 7054-10 (Pinheiros-Jd Macedônia); 724P-10 (Aclimação-Campo Lindo); 724P-41 (Pça Ramos de Azevedo-Campo Lindo); 7357-10 (Pinheiros-Inocoop Campo Lindo); 7392-10 (Est da Luz-Jd Maria Sampaio); 7393-10 (Est.da Luz-Inocoop Campo Lindo); 7394-10 (Pinheiros-Jd Guarujá); 7395-10 (Est. da Luz-Jd Macedônia); 756A- 10 (Santo Amaro-Jd Paulo VI); 758L-10 (Lapa-Campo Lindo); 7651-10 (Anhangabaú-Jd Maria Sampaio); 775C-10 (Metrô Ana Rosa-Jd Maria Sampaio); 775P-10 (Metrô Ana Rosa-Jd Guarau); 795P-10 (Paraíso-Parque do Engenho).

Nenhum comentário: