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domingo, 3 de agosto de 2014

Roteirista de Doctor Who e Sherlock fala sobre o futuro de ambas as séries


Para variar um pouco, algo diferente. Aqui está a íntegra, em áudio, da entrevista que fiz com o roteirista e ator Mark Gatiss durante a passagem dele pelo Brasil, em março. E por que agora? Simples, porque neste mês estreia a nova temporada de Doctor Who, e na publicação da entrevista no Último Segundo (leia aqui) o assunto era mais Sherlock.



O Gatiss é um cara muito interessante, fã de terror e de televisão. Além de ter escrito episódios geniais de Doctor Who, ele é produtor do sucesso Sherlock, no qual também interpreta o irmão de Sherlock Holmes, Mycroft.

Nesta entrevista ele fala sobre as duas séries, sobre como começou a escrever e detalha um pouco do futuro de ambas. Também dá a opinião dele sobre o novo Doctor, Peter Capaldi, e explica o motivo de achar um crossover entre Sherlock e Doctor Who uma péssima ideia.

Uma observação: o áudio não é perfeito porque a entrevista foi feita em um ambiente aberto, que teve de vento a helicópteros.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Décima edição do podcast Além do Que Se Vê está no ar!


É sempre a mesma história: eu começo o post sobre uma nova edição do podcast Além do Que Se Vê dizendo que "demorou, mas aqui está" o novo programa. Desta vez demorou um pouco mais, mas valeu a pena: eu e o Rodrigo Salem gravamos uma das melhores edições!

Salem estava de passagem pelo Brasil, então pela primeira vez gravamos juntos. Fomos longe nos assuntos: Tranformers, os motivos de Melissa McCarthy sempre ficar presa nos mesmos personagens, Terry Gilliam, Richard Linklater e o já clássico Boyhood, a volta do Monty Pyhton (que já acabou de novo), Michel Gondry, Expresso do Amanhã, The Strain e Guillermo Del Toro, The Leftovers, Wes Anderson... E muito mais.

O caminho continua o mesmo de sempre: você escuta o podcast Além do Que Se Vê aqui e também pode assiná-lo no iTunes.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Monty Python enfrenta a reta final

Dei um pulo em Londres, onde vi duas apresentações do Monty Python - nos dias 02 e 05 de julho. Foi mais ou menos assim.

Hoje começa a reta final dos últimos shows do Monty Python, algo nada menos do que histórico. O grupo – reduzido a quinteto depois da morte de Graham Chapman, em 1989 – já fez parte das apresentações de Monty Pyhton Live (mostly) – One Down, Five to Go na O2 Arena, em Londres, e jura que esse pacote de 10 apresentações (para 15 mil pessoas por noite) será o último suspiro do mais celebrado grupo de comédia de todos os tempos.

O show tem direção de Eric Idle, que assume postura de líder, e é um grande resumo da história do Python. Exatamente por isso, não deixa de ter certa melancolia. No palco, o espetáculo é dividido em duas partes. Na primeira, os comediantes começam com o esquete das lhamas, seguido de “Four Yorkshiremen”, onde relembram um passado crescentemente exagerado em termos de tragédia – e aqui, com longas falas, os integrantes tropeçam loucamente na entrega das falas, para delírio da plateia.

A noite continua com “Penis Song (Not the Noel Coward Song)”, que descamba para um musical grandioso, ao estilo da Broadway – algo que ainda ocorreria diversas vezes ao longo da noite, dando um estranho clima de performance mista para o show.

O ponto alto da primeira metade é certamente a desembocadura de “Vocational Guidance Counseller” (o quadro no qual Palin faz teste vocacional com Cleese) em “Lumberjack Song”. De forma impressionantemente deliciosa, Palin brinca com a ansiedade do público ao improvisar a conexão “mas na verdade eu queria mesmo ser...”. Em alguns shows ele apenas pausa dramaticamente, em outros ele simplesmente emenda uma frase aleatória, antes de começar a música do lenhador que gosta de se vestir de mulher.



Com o fim da parte inicial (encerrada por “I Like Chinese”, de 1980, que, em 2014, certamente faz o espectador pensar: “essa música não é... meio... um pouco... racista?”), um intervalo de 20 minutos.

A parte dois tem momentos mais memoráveis ainda. Apesar do excesso de vídeos antigos mostrados nos telões – presumidamente para que os comediantes, já com mais de 70, se preparem -, é bem mais ágil. Estão lá os esquetes “Nudge Nudge”, “Spanish Inquisition” e uma sequência de sucessos que mais parece um arrastão.



Destaque para a versão incrivelmente bem adaptada de “Blackmail”, quadro no qual Palin chantageia famosos. No palco da O2, foram recebidos convidados especiais surpresa como Stephen Fry e Matt Lucas (Little Britain), que assim puderam pagar tributo ao Monty Python e sua gigantesca influência no universo da comédia.

 Um momento constrangedor desequilibra o que seria uma goleada: quando o telão mostra Chapman cantando “Christmas in Heaven” e, no palco, um ator – não um dos comediantes do quinteto - surge caracterizado como o mesmo personagem e cantando a canção ao vivo. É uma daqueles momentos que realmente lembram um jogo de futebol com estádio lotado: você escuta o lamento da plateia com a cena, seguido de um silêncio absoluto até o fim do número.

 Mas o encerramento da apresentação é bem mais informal, com o Monty Pyhton cantando “Always Look on the Bright Side of Life” no palco. Porque, claro, em parte é isso mesmo que os fãs esperam: simplesmente ver John Cleese, Michael Palin, Eric Idle, Terry Jones e Terry Gilliam no mesmo palco. Depois da saída, duas imagens no telão: "Graham Chapman, 1941-1989" e "Monty Pyhton, 1969-2014". E uma singela mensagem final:



 O Fim?

Essa reunião começou a ser esboçada em 2010, com o espetáculo Not the Messiah (He’s a Very Naughty Boy), quando Idle e o maestro John Du Prez (colaborador desde os tempos de A Vida de Brian, 1979) misturaram comédia a O Messias, oratório de Händel. A ideia era comemorar os 40 anos do grupo, mas John Cleese não se interessou em participar.

Anos depois, tudo se encaixou: Idle, Cleese, Michael Palin, Terry Gilliam e Terry Jones concordaram que seria um bom momento para um último agradecimento aos fãs e, claro, também aproveitar para faturar mais um pouco com o legado do Monty Python.

E acabou mesmo? Não é a última vez que o Monty Pyhton diz que nunca mais se reunirá. Para o futuro próximo, o grupo se reunirá em 2015 – sem Cleese – em Absolutely Anything, filme dirigido por Jones e que também tem Simon Pegg e Robin Williams no elenco. Em uma entrevista coletiva para divulgar Monty Pyhton Live (mostly), o quinteto se mostrou incerto quanto à possibilidade de mais shows, e Cleese chegou a mencionar uma vontade inicial de também se apresentar nos Estados Unidos. Em um especial da BBC sobre a reunião, Monty Python: And Now For Something Rather Similar, Idle disse que Palin não aceitou fazer mais do que os 10 shows da O2 Arena.

De certo mesmo há a transmissão do último show, dia 20 de julho, ao vivo para cinemas de várias partes do mundo (sem o Brasil, infelizmente). Depois disso, em novembro, o especial será lançado em DVD e blu-ray.

Altos e Baixos 

Alguns detalhes de Monty Python Live (mostly):







  • A atriz Carol Cleveland participa, mas o músico Neil Innes não. Ele andou se estranhando com Eric Idle por direitos autorais de uma versão que ele criou de “Always Look on the Bright Side of Life” que teria sido usada sem a permissão dele no musical Spamalot;






  • A barraca de merchandising tem uma grande variedade de produtos novos: de camisetas e agasalhos a chaveiro e o chapéu de Gumby – que é, vamos falar a verdade, apenas um guardanapo amarrado vendido a preço de ouro;





  • Entre os (muitos) vídeos antigos exibidos nos telões estão “International Philosophy” e “The Fish Slapping Dance”. Um novo, com participação dos físicos Stephen Hawking e Brian Cox, também está lá, como parte de “The Galaxy Song” (spoiler: sim, Hawking canta!);




  • Durante os shows, Terry Jones parece tenso e sério. John Cleese mal consegue conter os surtos de riso. Michael Palin e Eric Idle são os mais desenvoltos, com maior aptidão para o improviso e conseguem entregar o texto com competência absoluta. E Terry Gilliam está engraçadíssimo, mesmo quando está voando com as tripas expostas.
  • segunda-feira, 2 de junho de 2014

    Depois de Cannes: o podcast Além do Que Se Vê conta tudo sobre o festival


    Cannes terminou, mas o Rodrigo Salem ainda tem muito a dizer sobre o que aconteceu no festival - e está tudo aqui na nova edição do podcast Além do Que Se Vê. Depois também entramos no debate sobre as fórmulas dos filmes de super-herói, passamos por filmes de terror como Oculus e The Quiet Ones e ainda refletimos sobre Jennifer Lawrence e Angelina Jolie. Está imperdível.   

    Vai lá: você escuta o podcast Além do Que Se Vê aqui e também pode assiná-lo no iTunes.

    terça-feira, 8 de abril de 2014

    Dos bastidores de Hollywood à falta de filmes bons no cinema, aqui está o Além do Que Se Vê




    Tem semanas em que não é fácil: a seleção de filmes que chega aos cinemas é simplesmente uma porcaria. Então, eu, Rodrigo Salem e Diego Maia aproveitamos para falar um pouco sobre os bastidores de quem cobre cinema em Los Angeles, além de outras coisas mais. Está tudo aqui!

    Como sempre: você escuta o podcast Além do Que Se Vê aqui e também pode assiná-lo no iTunes.

    sábado, 29 de março de 2014

    Opa, opa: aqui tem uma nova edição do podcast Além do Que Se Vê!


    Demorou um pouco, mas o Além do Que Se Vê voltou para sua sexta edição. Conversamos sobre o sucesso da campanha de divulgação de Os Muppets 2, Arrow, Noé, séries que viraram filmes (e filmes que viraram séries) e ainda selecionamos nossas pérolas pessoais do Netflix.




    quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

    Woody Allen? House of Cards? Robocop? Está tudo na edição desta semana do podcast Além do Que Se Vê




    Com um pouco de atraso, aqui está a nova edição do podcast Além do Que Se Vê, que eu faço com Diego Maia e Rodrigo Salem (de Los Angeles).

    Nesta semanas nós falamos um pouco sobre Nebraska e Philomena, que estão nos cinemas brasileiros, da segunda temporada de House of Cards, sobre o Robocop do José Padilha e os pilotos de séries da Amazon. Também discutimos um pouco o caso Woody Allen e parabenizamos a Ellen Page.

    Como sempre: você escuta o podcast Além do Que Se Vê aqui e também pode assiná-lo no iTunes.

    segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

    Aqui está o segundo podcast Descobrindo Doctor Who!


    Demorou um pouquinho, mas aqui está a segunda edição do podcast Descobrindo Doctor Who. Caso você não saiba do que se trata, é assim: eu forço a jornalista Amanda Luz - que nunca assistiu à série britânica - a ver alguns episódios e depois nós os comentamos.

    Desta vez foram 4 episódios de uma vez - "The Unquiet Dead", "Aliens of London", "World War Three" e "Dalek". E ainda deu tempo para falarmos um pouco sobre o novo Doctor, Peter Capaldi, e também de uma relação entre Freaks and Geeks e Doctor Who.



    Dá para assinar aqui (e você também pode ouvir a primeira edição) e no iTunes.

    segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

    O podcast da vez: cinema e TV no Além do Que Se Vê



    Mais um dia, mais um podcast. Desta vez me junto aos amigos jornalistas Rodrigo Salem (de Los Angeles) e Diego Maia para falar de televisão e cinema no Além do Que Se Vê.

    Nesta primeira edição: os indicados ao Oscar, a estreia da série True Detective, a volta de Girls, o mundo hiperativo de Guillermo Del Toro, Jonah Hill e a indicação mais do que justa da Academia, o Atividade Paranormal latino, The Square, The Act of Killing e muito mais.

    Clique aqui para ouvir/assinar no Podcast Garden. Também dá para assinar no iTunes, aqui.

    sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

    Ouça o novo podcast Descobrindo Doctor Who



    Com a série de comemorações de 50 anos da série britânica Doctor Who, no ano passado, a empolgação em torno da série cresceu monstruosamente - ainda mais com a chegada de um novo Doctor, Peter Capaldi, assumindo definitivamente o papel na temporada que estreia neste ano.

    Com isso, achei que seria legal fazer um podcast que também é um experimento. Convoquei a jornalista Amanda Luz - que eu já perturbava informalmente com informações sobre Doctor Who, sempre respondidas com um "eu já disse que não me importo!" - para gravar Descobrindo Doctor Who.

    A ideia é simples: a cada semana assistimos dois episódios (a partir da nova fase do programa, iniciada em 2005) e conversamos sobre ele. A Amanda nunca tinha assistido e, como mostrava a reação dela ao meu entusiasmo, provavelmente nunca assistiria.



    O resultado é este primeiro episódio, que você ouvir aqui, seguir pelo Podbean ou assinar pelo iTunes. Espero que tenhamos conseguido o nosso objetivo, que é atrair pessoas que não assistem às série (mas têm algum interesse nela) e também os fãs brasileiros, que já são muitos. Até a semana que vem.

    quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

    Mais um bebê para Rosemary em 2014




    A NBC anunciou ontem a escolha de Zoe Saldana para o papel de Rosemary na minissérie baseada no livro O Bebê de Rosemary (1967), aquele escrito pelo Ira Levin que virou filme do Roman Polanski em 1968.

    Como o papo sobre esse “remake” (não sei se dá para chamar assim, é uma adaptação para outro meio, com aquele papo que foi usado no novo Carrie: “não é um remake, é uma nova adaptação do livro"), fui reler o volume de Levin.

    Em primeiro lugar, fiquei chocado em ver como o filme do Polanski é fiel ao livro.

    Depois, lembrei-me da entrevista coletiva do diretor no Brasil (em 2000, 2001?). Um jornalista fez uma pergunta toda elaborada sobre o que O Bebê de Rosemary representava, a metáfora que era aquela história (não me lembro os detalhes, algo sobre o medo da guerra?). O Polanski: “Não tem metáfora, é um filme de terror”. Respeitei.

    E fuçando por aí, descobri que a história tem duas continuações. A primeira é um filme feito para a TV em 1976, chamado Look What’s Happened to Rosemary’s Baby, baseada nos mesmos personagens, mas escrito por Anthony Wilson (roteirista que trabalhou nas séries Bonanza e Perdidos no Espaço). Julgue você mesmo:



    A segunda, mais digna, foi escrita por Ira Levin em 1997: Son of Rosemary. Eu sei, parece um bate-carteira clássico. Também pensei isso. Mas não é tão ruim assim – ainda se você pensar que, apesar da boa história, o original também não é um exemplo superior da arte da escrita.  


     A minissérie Rosemary's Baby ainda não tem data de estreia, mas sabe-se que terá cerca de 4 horas. Segundo este site, a história será transferida de Nova York para Paris. Só Deus - ou o diabo - sabe por que.

    domingo, 15 de dezembro de 2013

    Monty Python e a piada do carro usado que virou papagaio morto



    Um dos esquetes mais famosos do Monty Python, o do papagaio morto (veja acima), teve origem antes da formação do grupo de comédia. Graham Chapman e John Cleese escreveram a piada de um cara, interpretado por Michael Palin, que compra um carro velho e tenta devolvê-lo para o programa How to Irritate People (1968), uma produção de David Frost.

    Quando o sexteto estava escrevendo o Monty Python's Flying Circus, decidiu trocar o carro velho por um papagaio morto - e história foi feita.

    Isso, claro, se você ignorar a tese de que a piada teve seu primeiro registro no Philogelos, o mais antigo registro de piadas da história, datado do século IV. 


    segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

    Todas as referências do especial de 50 anos de Doctor Who!

    Olha só, um maluco juntou todas as referências mostradas no especial de 50 anos do Doctor Who, The Day of the Doctor:





    Não deixe de ler os comentários, onde os whovians (sim, é assim que se chamam os fãs da série britânica) estão debatendo loucamente cada detalhe.

    domingo, 1 de dezembro de 2013

    Monty Python 2014: "Que diabo era aquilo?" ou "Descobrindo o Monty Python"




    Muitos anos atrás, eu fui visitar amigos em Porto Alegre. Eles eram (ainda são) pessoas muito mais inteligentes do que eu, então colocaram umas gravações (em VHS, se não estou enganado!) para eu assistir. Fiquei chocado, sem reação – não sabia se tinha gostado ou se achava engraçado. E não conseguia parar de ver.

    Que diabo era aquilo?

    Era o Monty Python’s Flying Circus.

    Claro, o Monty Python estava no meu radar fazia anos – pelos filmes, em especial. Mas o Flying Circus é outro universo completamente distinto que, suspeito, funciona muito bem para dois tipos de gente: as muito inteligentes e as muito burras. É um paradoxo (e ainda não sei direito a qual grupo pertenço).
    Os tempos seguintes foram uma maratona para me inteirar.

    Pausa para sugestão de material que ajuda a entender o Monty Python:






  • The Complete Monty Python’s Flying Circus 16 Ton Megaset.
  • São as quatro temporadas do programa de TV mais o especial alemão Monty Python's Fliegender Zirkus, o documentário (com novos quadros) Parrot Sketch Not Included e as gravações ao vivo Live at the Hollywood Bowl e Live at Aspen. Se você for comprar apenas um box de DVDs na sua vida, que seja este;






  • Almost the Truth - The Lawyer’s Cut.
  • Um documentário que faz para o Monty Python o que o Antholgy fez para os Beatles. São 6 horas detalhando cada passo do grupo. Está disponível em DVD no Brasil;





  • ThePythons Autobiography by the Pythons. O livro definitivo, acompanhando o documentário Almost the Truth;



  • TheMonty Python Channel. A explicação do canal oficial dos britânicos (e um americano) no YouTube é simples e direta: “Durante 7 anos, usuários do YouTube nos passaram pra trás, pegando dezenas de milhares de nossos vídeos e colocando no YouTube. Agora vamos virar a mesa”. São esquetes, entrevistas, vídeos promocionais e muito mais – tudo de graça.

  • Não é exagero dizer que o Monty Python é uma pedra fundamental da comédia. George Harrison ia mais longe, dizendo que o espírito – revolucionário, desbravador, ousado – dos Beatles havia reencarnado no sexteto. “Dizem que a história é escrita pelos vencedores”, escreveu Bob McCabe, organizador de The Pythons, na apresentação do livro. “Também acho que ela seja escrita por aqueles que ousam comentá-la, subvertê-la, fazer piada com ela.”

    E história também é o que o Monty Python acabou de fazer, lotando a O2 Arena para uma apresentação de reunião do agora quinteto (Graham Chapman foi vitimado pelo câncer, em 1989) em menos de 1 minuto – e prontamenteanunciando mais de uma dezena de outros shows. Acho que é razoavelmente seguro dizer quem estará na plateia da O2: todos os comediantes respeitáveis contemporâneos.



    Eu estarei lá, na terceira noite, para ver se o Michael Palin – meu python preferido – vai morder a língua e contradizer o que me falou no ano passado:

    “É, sempre tenho de responder a respeito de uma reunião. É quase como se não fosse possível satisfazer as pessoas com o que você já fez – e acho que já fizemos nosso melhor, culminando em A Vida de Brian [1979], nosso melhor filme, na minha opinião. Nosso último longa foi feito 1982 [O Sentido da Vida, lançado no ano seguinte] e não fizemos praticamente nada depois disso. E as pessoas ainda acham que basta usar uma varinha mágica e estaremos de volta fazendo a esquete do papagaio. Só que não temos mais o Graham Chapman, e é difícil entender que éramos um sexteto, um grupo incrível de seis pessoas que contribuíam como autores e performers. É como uma mesa de seis pernas, se você tirar uma não vai ser a mesma coisa. Sempre disse que não poderíamos nos reunir como Python sem o Graham – e ainda acredito nisso. Mas também acho que a dinâmica que permitiu que seis pessoas tão diferentes, que tinham filosofias de vida tão distintas, fizessem comédia só conseguiria se sustentar por um breve período de tempo. A força centrífuga do Python fazia os integrantes serem jogados para fora, mas enquanto nos seguramos juntos funcionou. Não acho que daria para juntar os pedaços e fazer algo novo.”
     Entre hoje e julho de 2014, quando o Monty Python voltará aos palcos, pretendo publicar aqui uma série de textos sobre eles.

    sexta-feira, 12 de outubro de 2012

    Beatles: BBC reconta a história de Magical Mystery Tour



    Com o relançamento de Magical Mystery Tour em DVD e blu-ray (olha o site, que foda), a BBC produziu o documentário Magical Mystery Tour Revisited - com entrevistas não só sobre a produção do filme de 1967, mas também sobre como ele foi extremamente mal recebido na época.

    O documentário de quase uma hora tem depoimentos dos fab four e de gente como Terry Gilliam (Monty Python), Neil Innes (Bonzo Dog Doo-Dah Band), Barry Miles, Martin Scorsese e muitos outros. E um monte de imagens inéditas, depoimentos da época, fotos raras... É a BBC fazendo um trabalho sério de colocar uma obra de arte dentro de um contexto histórico amplo.

    O resultado é tão interessante que é uma pena que o programa não esteja nos extras do relançamento. Pelo menos foi parar no YouTube, o que já ajuda.



    quinta-feira, 11 de outubro de 2012

    "As pessoas me pareceram ser completamente livres", diz o ex-Monty Python Michael Palin sobre o Brasil



    No ano passado, Michael Palin passou pelo Brasil para gravar mais um de seus documentários. O programa - em quatro partes - deve ser exibido ainda neste ano pela BBC e se chamará Brazil (assim como o filme de Terry Gilliam, que Palin estrelou). Conversei com o ex-Monty Python sobre tudo isso (e muito mais). Dá para ler a íntegra aqui. Meus pontos favoritos:

  • Brasil. "Eu participei de Brazil – O Filme [1985], do Terry Gilliam, e o filme se chama assim porque, se você se lembrar, o personagem vai sendo gradualmente esmagado pelo sistema e a única coisa que mantém a mente dele viva é essa música, 'Brazil' [cantarola 'Aquarela do Brasil', de Ary Barroso]. Então, de certa forma, o Brasil era um mundo da fantasia para nós na Inglaterra: as praias eram douradas, os corpos eram lindos, a comida era incrível e havia música tocando o tempo todo."

  • Brasileiros. "Não vi ninguém sendo autoritário, no sentido de normas e regras, enquanto na Europa é exatamente o contrário, com muitas limitações sobre o que se pode fazer, aonde se pode ir, música que se pode tocar e a que hora. Pelos lugares onde passei no Brasil, nada disso parecia se aplicar. As pessoas me pareceram ser completamente livres de pressões externas, sem ansiedade alguma."

  • Viajar. "Vivo uma vida singular, mergulhando em diferentes continentes e trabalhos. E cada lugar que visito acaba me puxando de volta, mas nunca terei tempo o suficiente na vida para ir aos lugares que quero! Então depende das pessoas que conheço, que conheci, gosto de voltar para locais onde tenho amigos."

  • Monty Python. "É quase como se não fosse possível satisfazer as pessoas com o que você já fez – e acho que já fizemos nosso melhor, culminando em A Vida de Brian [1979], nosso melhor filme, na minha opinião. Nosso último longa foi feito 1982 [O Sentido da Vida, lançado no ano seguinte] e não fizemos praticamente nada depois disso. E as pessoas ainda acham que basta usar uma varinha mágica e estaremos de volta fazendo a esquete do papagaio."
  • terça-feira, 11 de setembro de 2012

    Depois de apagar clássicos da comédia e da música, BBC luta para recuperá-los



    A história é velha, mas continua interessante: a BBC não costumava gravar os programas que transmitia ao vivo e, eventualmente, apagava as fitas de atrações que hoje são consideradas clássicas. Foi assim até mais ou menos os anos 80. Esse é o tema desse documentário acima, Missing Belived Wiped, que também é o nome de uma iniciativa do British Film Institute dedicada a tentar recuperar esses tesouros perdidos. A BBC tem uma versão própria da campanha, a Treasure Hunt.

    Muito do material só foi recuperado devido ao empenho de colecionadores e de telespectadores que gravavam as transmissões em casa, ilegalmente. Até as primeiras temporadas do Flying Circus, do Monty Python, um dos programas mais influentes da comédia mundial, quase foram apagadas.

    Muita coisa continua perdida. Inúmeros episódios de Doctor Who, por exemplo. E algum material ressurge eventualmente, como a performance de David Bowie no Top of the Pops, em 1973, cantando "Jean Genie":



    Nesse caso, o câmera do programa tinha guardado uma cópia - e essa foi a salvação desse pequeno pedaço da história do rock. "See Emily Play", com o Pink Floyd tocando no mesmo programa, em 1967, também ressurgiu recentemente:



    Claro que, apesar dessas iniciativas das grandes empresas, são os fãs que têm mais chances de encontrar o material perdido. E organizações como a Missing Episodes se dedicam a isso, o resgate de parte da memória cultural de um país.

    Por aqui, a história é um pouco diferente. Muito dos momentos marcantes da TV brasileira foi perdido em incêndios famosos, mas também há casos de fitas apagadas para serem usadas novamente. O show do Nirvana no Rio, em 1993, é um ótiumo exemplo disso - e só sobreviveu porque os fãs gravaram a transmissão ao vivo da Globo. Entre as séries perdidas, praticamente tudo de Família Trapo (só o episódio com Pelé ainda existe).

    sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

    Opa, opa: "um mashup de blogs?" ou "With Lasers vai ao Vintedoze"

    Vintedoze: Manipuladores da vida real from Alexandre Matias on Vimeo.



    Olha só: participei da segunda edição em vídeo do Vintedoze, o ex-podcast do Alexandre Matias e do Ronaldo Evangelista. Foi tanto assunto que eu nem me lembro direito: irmãos Coen, Black Mirror, country, bluegrass, cinema asiático, Kubrick. Vai longe (mas sempre volta). [uma explicação sobre o meu blazer: o programa é gravado num restaurante que tem código de vestimenta. mentira, mas verdade...]

    sexta-feira, 5 de agosto de 2011

    Quando o criador de Two and a Half Men escreveu um single para Debbie Harry (ouça!)



    Essa é uma das histórias mais bizarras que eu já vi: Chuck Lorre, que depois criaria as séries Two and a Half Men e Dharma & Greg, escreveu a música "French Kissin'", single do álbum Rockbird (1986), da Debbie Harry.

    Como compositor de música pop ele é um roteirista mediano de TV (mas ele parece saber isso). Mais um detalhe: o lado B do single de "French Kissin'" tinha uma versão em francês da canção. Claro.



    E o Blondie, hein? Cada vez mais perto do Brasil, parece.

    terça-feira, 19 de julho de 2011

    Quarta temporada de Jersey Shore ganha trailer (veja!)



    Aí está, finalmente: o trailer da quarta temporada de Jersey Shore, a que foi gravada na Itália. Parece que o clima estava tenso. Estreia em 4 de agosto, na MTV norte-americana.