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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Brian Epstein: a redescoberta do lendário empresário dos Beatles



Na história dos Beatles sempre houve um grande debate a respeito de que seria “o quinto beatle”. Eu sou de uma tese simples: ninguém. Mas se for para entrar no clima, eu diria que é um posto dividido igualmente pelo produtor George Martin e o empresário Brian Epstein.

A vida do segundo, que deixou uma segura posição de administração das empresas familiares para apostar no mundo desconhecido da vida artística, virou uma interessante HQ em 2013. Ela se chama, claro, The Fifth Beatle e foi escrita pelo produtor da Broadway Vivek Tiwary.


A graphic novel usa de recursos surrealistas para mostrar os lados mais obscuros da personalidade de Epstein - que era gay em uma época absurda em que ainda era crime ser gay no Reino Unido - incluindo o vício em remédios prescritos. Bonito, inteligente e articulado, ele foi o protótipo do superstar manager, dando crias que até hoje se espalhando pelo mundo do entretenimento (pense em Scooter Braun, empresário de Justin Bieber, PSY e outros).


“Fiquei assustado em descobrir como havia pouca informação sobre Brian Epstein e a administração dos Beatles”, escreve Tiwary no posfácio do volume - e ele tem razão, até hoje a única referência da vida e do trabalho do empresário é autobiografia A Cellarful of Noise (1964, atualmente só disponível em versão para Kindle) e alguns poucos livros menores. “Então mergulhei em uma pesquisa que durou mais de duas décadas.” (Também vale a pena ver o documentário que a BBC fez em 2010, The Brian Epstein Story)

Epstein morreu aos 32 anos, em agosto de 1967, vítima de uma overdose de remédios para dormir. Os Beatles, já estraçalhados internamente, se enfiaram numa espiral de escolhas erradas, brigas internas e interesses distintos que os levaram a uma separação poucos anos depois.

Quando li que um filme sobre a vida de Epstein seria feito, pensei: “tomara que seja baseado nos quadrinhos de Vivek Tiwary”. Por sorte, será mesmo – com roteiro escrito por ele e lançamento previsto para 2014 (e a liberação das músicas dos Beatles já aprovada). O ator para o papel é supostamente Benedict Cumberbatch – uma daquelas escolhas perfeitas e irrepreensíveis para contar uma das grandes histórias de bastidores do mundo da música.   

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Beatles tentam fugir da lei lançando coletânea de raridades no iTunes



Até o momento de publicação deste post, continuava lá na iTunes Store brasileira o álbum Bootleg Recordings 1963, dos Beatles. Ao estilo da série Anthology, é um volume que junta outtakes, demos e gravações ao vivo na BBC. Mas ao contrário da Anthology, tem uma função meramente técnica: garantir que esse material inédito não caia em domínio público na Europa. Bob Dylan já tinha feito o mesmo com The 50th Anniversary Collection, que teve 100 cópias lançadas.

Não vou me aprofundar nos detalhes de tal lei porque é um assunto chato demais. Basicamente ela diz que material inédito gravado há 50 anos - como esses registros do fab four - viram domínio público. Ela tem outras ramificações também, que até já colocaram o primeiro compacto dos Beatles, Love Me Do / P.S. I Love You, em domínio público. E tudo está sendo amplamente debatido na Inglaterra.

Voltando ao álbum do iTunes, é um projeto que só interessa aos fãs mais radicais. E, mesmo assim, essa facção já conhece tudo que foi lançado ali. Só que segundo testes de conhecedores, a qualidade dessas 59 faixas colocadas agora no mercado digital é bem superior.

Além disso, é a primeira vez que algumas dessas composições recebem lançamento comercial e oficial. As demos de "Bad to Me" (composição de Lennon e McCartney só lançada por Billy J. Kramer, em 1963) e "I'm in Love" (popularizada pelo The Fourmost, em 1963) são os grandes diamantes de Bootleg Recordings 1963.



"Bad to Me" foi registrada pelos Beatles entre maio e junho de 1963 em um acetato, o único registro existente dessa versão. A faixa havia sido encomendada pelo empresário Brian Epstein especialmente para Kramer. O áudio do lançamento é rudimentar, não conseguiu fugir dos riscos do acetato, mas é superior ao que circulava em discos piratas (ouça acima).

E como ela circulava por aí? Fácil: o disco único foi herdado pelo assistente de Epstein, Alistair Taylor, e foi leiloado na Sotheby's em 22 de dezembro de 1981. Por 308 libras. Não, você não leu errado: cerca de R$ 1.160.



Com John Lennon ao piano na demo, cantando uma letra incompleta, "I'm in Love" tem uma melodia que não faz feio perto de clássicos dos Beatles. Os especialistas acham que ela vem de uma fita caseira gravada em 1963, mas há quem defenda que ela foi gravada já nos anos 70. O lançamento atual parece resolver esse detalhe. 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Beatles: BBC reconta a história de Magical Mystery Tour



Com o relançamento de Magical Mystery Tour em DVD e blu-ray (olha o site, que foda), a BBC produziu o documentário Magical Mystery Tour Revisited - com entrevistas não só sobre a produção do filme de 1967, mas também sobre como ele foi extremamente mal recebido na época.

O documentário de quase uma hora tem depoimentos dos fab four e de gente como Terry Gilliam (Monty Python), Neil Innes (Bonzo Dog Doo-Dah Band), Barry Miles, Martin Scorsese e muitos outros. E um monte de imagens inéditas, depoimentos da época, fotos raras... É a BBC fazendo um trabalho sério de colocar uma obra de arte dentro de um contexto histórico amplo.

O resultado é tão interessante que é uma pena que o programa não esteja nos extras do relançamento. Pelo menos foi parar no YouTube, o que já ajuda.



segunda-feira, 27 de agosto de 2007

A vida de Brian


Há 40 anos morria Brian Epstein, o empresário que revelou os Beatles. Em homenagem à data, uma música inédita dos Beatles: "Brian Epstein Blues".

Epstein, dizem, teve uma relação "profunda" com John Lennon. Ela foi retratada no filme The Hours and Times, de 1991.