domingo, 1 de dezembro de 2013

Monty Python 2014: "Que diabo era aquilo?" ou "Descobrindo o Monty Python"




Muitos anos atrás, eu fui visitar amigos em Porto Alegre. Eles eram (ainda são) pessoas muito mais inteligentes do que eu, então colocaram umas gravações (em VHS, se não estou enganado!) para eu assistir. Fiquei chocado, sem reação – não sabia se tinha gostado ou se achava engraçado. E não conseguia parar de ver.

Que diabo era aquilo?

Era o Monty Python’s Flying Circus.

Claro, o Monty Python estava no meu radar fazia anos – pelos filmes, em especial. Mas o Flying Circus é outro universo completamente distinto que, suspeito, funciona muito bem para dois tipos de gente: as muito inteligentes e as muito burras. É um paradoxo (e ainda não sei direito a qual grupo pertenço).
Os tempos seguintes foram uma maratona para me inteirar.

Pausa para sugestão de material que ajuda a entender o Monty Python:






  • The Complete Monty Python’s Flying Circus 16 Ton Megaset.
  • São as quatro temporadas do programa de TV mais o especial alemão Monty Python's Fliegender Zirkus, o documentário (com novos quadros) Parrot Sketch Not Included e as gravações ao vivo Live at the Hollywood Bowl e Live at Aspen. Se você for comprar apenas um box de DVDs na sua vida, que seja este;






  • Almost the Truth - The Lawyer’s Cut.
  • Um documentário que faz para o Monty Python o que o Antholgy fez para os Beatles. São 6 horas detalhando cada passo do grupo. Está disponível em DVD no Brasil;





  • ThePythons Autobiography by the Pythons. O livro definitivo, acompanhando o documentário Almost the Truth;



  • TheMonty Python Channel. A explicação do canal oficial dos britânicos (e um americano) no YouTube é simples e direta: “Durante 7 anos, usuários do YouTube nos passaram pra trás, pegando dezenas de milhares de nossos vídeos e colocando no YouTube. Agora vamos virar a mesa”. São esquetes, entrevistas, vídeos promocionais e muito mais – tudo de graça.

  • Não é exagero dizer que o Monty Python é uma pedra fundamental da comédia. George Harrison ia mais longe, dizendo que o espírito – revolucionário, desbravador, ousado – dos Beatles havia reencarnado no sexteto. “Dizem que a história é escrita pelos vencedores”, escreveu Bob McCabe, organizador de The Pythons, na apresentação do livro. “Também acho que ela seja escrita por aqueles que ousam comentá-la, subvertê-la, fazer piada com ela.”

    E história também é o que o Monty Python acabou de fazer, lotando a O2 Arena para uma apresentação de reunião do agora quinteto (Graham Chapman foi vitimado pelo câncer, em 1989) em menos de 1 minuto – e prontamenteanunciando mais de uma dezena de outros shows. Acho que é razoavelmente seguro dizer quem estará na plateia da O2: todos os comediantes respeitáveis contemporâneos.



    Eu estarei lá, na terceira noite, para ver se o Michael Palin – meu python preferido – vai morder a língua e contradizer o que me falou no ano passado:

    “É, sempre tenho de responder a respeito de uma reunião. É quase como se não fosse possível satisfazer as pessoas com o que você já fez – e acho que já fizemos nosso melhor, culminando em A Vida de Brian [1979], nosso melhor filme, na minha opinião. Nosso último longa foi feito 1982 [O Sentido da Vida, lançado no ano seguinte] e não fizemos praticamente nada depois disso. E as pessoas ainda acham que basta usar uma varinha mágica e estaremos de volta fazendo a esquete do papagaio. Só que não temos mais o Graham Chapman, e é difícil entender que éramos um sexteto, um grupo incrível de seis pessoas que contribuíam como autores e performers. É como uma mesa de seis pernas, se você tirar uma não vai ser a mesma coisa. Sempre disse que não poderíamos nos reunir como Python sem o Graham – e ainda acredito nisso. Mas também acho que a dinâmica que permitiu que seis pessoas tão diferentes, que tinham filosofias de vida tão distintas, fizessem comédia só conseguiria se sustentar por um breve período de tempo. A força centrífuga do Python fazia os integrantes serem jogados para fora, mas enquanto nos seguramos juntos funcionou. Não acho que daria para juntar os pedaços e fazer algo novo.”
     Entre hoje e julho de 2014, quando o Monty Python voltará aos palcos, pretendo publicar aqui uma série de textos sobre eles.

    Um comentário:

    Andar Tolo disse...

    Ótimo post! As novas gerações não podem deixar de conhecer Monty Python.