segunda-feira, 18 de abril de 2011

Vaccines: "Você nunca consegue superar as expectativas dos outros"



Em 2011, para mim, o mundo tem duas coisas muito legais acontecendo: o Odd Future e o Vaccines. Eu sei, muita gente vai dizer que é exagero chamar o Vaccines de empolgante. Só que a banda não quer revolucionar nada. É só um grupo honesto, com boas canções e boas letras. Não é o suficiente?

Eu conversei com o simpático (e pé no chão) vocalista Justin Young para a Rolling Stone (edição 54, do mês passado). Isto foi o que ele me disse sobre a banda:

  • Recepção nos EUA. "Os americanos nos conhecem menos, já falaram muito da gente na Inglaterra. Então eles são menos cínicos em relação à banda. No geral, os britânicos são mais cínicos, não é?"

  • Sobre evoluir musicalmente. "Os Beach Boys faziam música mais simples, só depois cresceram para fazer mais. Quando falo de simplicidade, quero dizer que estamos começando de forma simples e, espero, possamos nos desenvolver para começar a desafiar mais os ouvintes. Amamos o que é sonicamente interessante, tentamos pelo menos indicar algo assim na nossa sonoridade, com muitos loops e eco – criar uma ilusão de algo que, na verdade, não está lá. Então, gostamos desse lance de ‘wall of sound’, no qual você escuta muita coisa que não está lá de verdade."

  • Influências e comparações. "Sou fã do Ramones e do Jesus and Mary Chain, mas acho engraçado quando nos comparam a eles porque nossa música não tem essa influência. Talvez seja porque eles escutavam algumas das mesmas músicas que nós, rock and roll dos anos 50, coisas do Phil Spector. Aquelas músicas pop perfeitas de antigamente. E essa duas bandas buscavam reproduzir aquilo, cada uma de seu modo particular. Nós tentamos fazer isso também. Talvez as comparações venham daí: não é que fomos influenciados por eles, mas tivemos as mesmas influências."

  • Fazer parte de uma banda. "Acho que inspiramos uns aos outros. É maravilhoso poder passar seu tempo com gente talentosa, pessoas que entendem o que é a boa música. É legal poder mostrar uma música a alguém e ver essa pessoa agregar o talento dela à faixa. Ver uma canção crescer, surgir, é muito recompensador."

  • A entrada do baterista Pete Robertson, o "ponto de nascimento do Vaccines". "Quando ele entrou, eu já tinha escrito a maior parte das músicas. Eu e o Freddie já tocávamos juntos havia bastante tempo, então não tivemos de preparar um repertório novo assim, de repente. Muito material já estava pronto. Eu já estava trabalhando em algumas faixas fazia 18 meses, algo assim. Não sei se faz sentido, mas muitas das músicas podem não nascido com o grupo, mas floresceram com ele."

  • Sucesso. "Basicamente, a banda me ajudou a atingir vários objetivos musicais que eu buscava. Espero que isso continue, seria ótimo. Queremos ser tão bons quanto conseguirmos ser. E, obviamente, se as pessoas conseguirem se identificar com isso, melhor ainda, seria um ótimo bônus ver nossa popularidade crescer."

  • What Did You Expect From The Vaccines?, o título do álbum. "Achei que seria engraçado, mas ele também faz referência àquela era clássica em que se faziam títulos assim. O hype é algo curioso, que se autoconsome: primeiro te enchem de hipérboles e, pouco tempo depois, debatem sobre o fato de você merecer tudo aquilo. Mas acho que tem muita gente que nos considera bons, independente do que escrevem sobre nós."

  • O hype. "É um peso, mas também é muito enobrecedor. Tivemos sorte porque todo o lado artístico do primeiro álbum estava pronto antes disso começar, então não nos afetou musicalmente. Temos de continuar nos esforçando para mostrar que somos uma banda boa, mas sem ligar muito para quem gosta – ou não gosta – de nós. Você nunca consegue superar as expectativas dos outros, só dá para competir com as suas próprias. E é isso que já fizemos."

  • Música e internet. "O rock, e qualquer tipo de música, está muito mais acessível. Mas isso não quer dizer que as pessoas não sejam mais mal compreendidas. Ainda acredito em trabalhar para poder se comprar algo físico com o que você ganhou. Os downloads facilitam muitos aspectos, ajudam quem está começando, mas nunca vão substituir essa sensação de se possuir uma cópia física de algo. É por isso que acordamos e vamos trabalhar todos os dias, não? Porque queremos comprar coisas."

  • As letras das canções. "Todas as músicas são sobre ser um cara jovem e ter um desejo meio indefinido, insegurança, ciúmes, amor não retribuído. As faixas são unidas por esses sentimentos parecidos, expressam-se de forma semelhante."

  • Sair do interior e se mudar para Londres. "Sempre gostei de história e estudar em Londres foi um modo de chegar à cidade, a metrópole, poder conhecer outros músicos e coisas assim. Nunca quis ser um historiador, mas foi uma forma de fugir do interior."

  • Brasil? "Se houver demanda, claro que iremos. Mas ainda é muito cedo. Temos de esperar para ver se alguém daí vai comprar nosso disco."


  • Esse último tópico foi resolvido: nem precisou vender disco algum. Mesmo sem ter disco lançado por aqui, o Vaccines está confirmado para o festival Planeta Terra, em 5 de novembro, em São Paulo.

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