Para um coletivo tão esquisito, até que o Odd Future Wolf Gang Kill Them All (Odd Future ou OFWGKTA, para encurtar) está indo longe. Os músicos já passaram por programas de TV de canais abertos nos EUA (acima, tocando com o Roots), arrumaram briga com o B.o.B., foram criticados por usar termos como "fag" ("bicha") em letras e, neste fim de semana, participam do Coachella.
E aí um dos integrantes, Tyler the Creator (o do clipe acima, que adora vomitar em público), aparece vestindo esta camiseta:
No meio de 1975, a revista Crawdaddy! mandou o escritor William Burroughs a um show do Led Zeppelin com a missão de entrevistar o guitarrista Jimmy Page e voltar com um artigo interessante.
Ele foi, entrevistou e a matéria ficou interessante - o que, no universo jornalístico, quer dizer "chato, mas relevante de alguma forma".
Alguns trechos:
No show. "Recuso protetores de ouvido; estou acostumado com música alta de sopro e bateria do Marrocos";
A banda. "O ato de Jimmy Page com a guitarra de cordas rompidas foi impactante, assim como o solo de bateria de John Bonham e as letras cantadas com uma vitalidade precisa por Robert Plant. Os performers estavam dando o máximo deles, e foi muito bom. O último número, 'Stairway to Heaven', quando a plateia acendeu fósforos e houve fagulhas aqui e ali, encontrou o público comportado e cheio de felicidade, criando uma atmosfera de peça natalidade da escola. No geral, um bom show; nada baixo ou insípido. Sair da casa de shows foi como descer de um avião";
Marrocos. "O show do Led Zeppelin depende bastante de volume, repetição e bateria. Tem semelhança com a música hipnótica que encontrei no Marrocos, preocupada em evocar e controlar forças espirituais. No Marrocos, músicos também são magos";
Diabo do bem? "Jimmy me disse que a casa de Aleister Crowley tem boas vibraçõespara todo mundo que é relaxado e receptivo";
Casa à beira do lago. "Eu disse a Jimmy que ele tinha sorte em ter aquela casa com um monstro no jardim. E o Monstro de Loch Ness? Jimmy Page acha que ele existe. Perguntei-me se ele acharia comida suficiente".
O serial killer Jack, o Estripador, nunca foi identificado. Ele matou suas vítimas (cinco ou mais, dependendo do teórico que explica o caso) em 1888, mais de 120 anos atrás, e continua atraindo interesse. A maior prova disso está em duas obras de ficção lançadas neste ano: a minissérie britânica Whitechapel e o filme norte-americano O Inquilino.
A primeira, Whitechapel, teve três episódios, exibidos pela ITV 1 em fevereiro. Nela, os investigadores Joseph Chandler e Ray Miles contam com a ajuda de um especialista em Jack, Edward Buchan, para tentar capturar um novo assassino, que emula o estripador original. O sério The Times resumiu bem o clima do programa: "É tudo no pior gosto possível, mas malditamente divertido."
O Inquilo é uma refilmagem do filme de mesmo nome, lançado por Alfred Hitchcock em 1927 (também conhecido como O Locatário). Nele outro assassino imita o estilo de Jack, atormentando o investigador Chandler Manning. Enquanto isso, um hóspede misterioso leva a dona de casa Ellen Bunting a suspeitar que algo errado está ocorrendo na casa dela.
No meio de toda a informação que isso tudo colocou na minha cabeça, acabei descobrindo que Aleister Crowley - também conhecido como "a besta" - alegou ter descoberto a identidade de Jack. O mago britânico escreveu um panfleto sobre o caso, dizendo que um dos suspeitos, Robert D'Onston Stephenson (também conhecido como Roslyn D'Onston), era praticamente de magia negra e seria o assassino. Ele dizia até que D'Onston tinha cinco vestidos brancos manchados com o sangue das vítimas. O texto original pode ser lido aqui. Também dizem que o Crowley é avô do George W. Bush, mas essa é outra história.
Desde quando ouvi o disco Myths of the Near Future, sempre fiquei caçando boas entrevistas com o Klaxons pela internet. E nunca achava. Não que os ingleses sejam metidos a "não damos entrevistas", muito pelo contrário - eles curtem falar. Só que ninguém perguntava as coisas que eu queria saber: sobre como a literatura é importante para eles, se eles conheciam os modernistas brasileiraos (e a revista Klaxon deles) e as tais mudanças que o sucesso traz. As entrevistas eram sempre sobre a maldita new rave, o fato de um deles namorar a Lovefoxxx e coisas assim.
Admito que me sinto levemente culpado. Na finada Bizz, o vocalista/baixista Jamie Reynolds havia me contado uma história que era pura zoeira: a de que eles pretendiam fundar um partido político da new rave (new rave party, sacou?) e vi essa história sendo republicada por meses e mais meses.
Aí encheu. Resolvi que queria saber o que acreditava ser mais interessante sobre a banda, o recheio por baixo da camada de glitter. E o James Righton topou esclarecer, um tempo atrás. O resultado é a entrevista abaixo, que mostra "um pouco mais" de uma das bandas mais citadas neste blog.
Vocês chegaram a falar em gravar músicas para o segundo disco aqui no Brasil. É isso mesmo?
Não temos certeza. Pensamos em entrar em estúdio em Los Angeles, no Brasil... Tanto faz. Só queremos nos afastar de Londres novamente, como fizemos no primeiro disco. Não importa muito onde.
Quase todas as canções do primeiro disco fazem referência a literatura. Isso vai acontecer no disco novo também?
Acho que sim, provavelmente. Ainda é cedo, então não falamos muito sobre isso. O lance do primeiro disco é que nós não o baseamos na realidade, nas nossas vidas – e acho que devemos continuar nesse caminho. Mas não tenho muito a dizer sobre isso, na real.
O quão importante foram aqueles livros para você na adolescência? Ou foram algo que você descobriu depois?
O Simon (Taylor-Davis-Foxxx, guitarrista) é o mais ligado em literatura no momento, o que tem mais paciência... Mas sim, o álbum foi muito influenciado por Mitos do Futuro Próximo, de J.G. Ballard – dá para ver nos temas e tópicos do CD. E sim, foi algo que descobrimos nos últimos anos, não veio da adolescência.
Vocês três fizeram Art School?
Não, não. Só um de nós. Eu fiz Art School e estudei história em uma universidade de Cardiff. O Jamie estudou filosofia em Londres. Mas nem estudamos juntos.
Você já ouviu falar dos Modernistas brasileiros, que foram influenciados pelos Futuristas italianos – uma outra influência de vocês?
Não. Eles tinham uma revista chamada Klaxon.
Sério?!?
Sim.
(espantado) Eu não sabia disso. Incrível. Vou procurar na internet.
Como é que vocês descobriram o Aleister Crowley, que inspirou a música "Magick"? Ele é uma figura muito forte na cultura popular britânica, não?
Acho que o Crowley não é tão mainstream, mas uma pessoa que saiba algo sobre mágica e misticismo acaba aprendendo sobre ele. Não somos os primeiros a citá-lo – o Led Zeppelin já falou sobre e seus conceitos. Não somos praticantes de ocultismo ou algo do tipo. Nem seguidores de Crowley. Era só um assunto que queríamos inserir na música. Achamos que é algo que não deveria estar na música pop, então decidimos colocar.
Você leu O Livro da Lei?
Não, não li O Livro da Lei.
Tem uma nota no fim dele que diz que, caso o leia e fale sobre o assunto, você será eternamente perseguido por pestilência e coisas assim. Imagino que escrever uma música sobre o assunto e cantá-la toda noite deve ser um pouco pior do que ler...
Não. Sem preocupação alguma. Não temos medo. O que gostamos no Crowley é a mudança, o elemento de mudança. Essas coisas.
A primeira vez que entrevistei o Klaxons foi na mesma semana em que você assinaram um contrato com a Polydor. A vida de vocês mudou muito?
Não muito, acho. Quando você começa uma banda – logo de cara – começa a fazer shows, dar entrevistas, escrever músicas e você viaja pelo mundo. Apesar de termos um público maior e termos vendido mais discos, continuamos a mesma coisa. Não muda nada. Você faz as mesmas coisas: os shows, as entrevistas. Só que tudo é um pouco maior. E isso acontece com todo mundo. É o mesmo de sempre, mas atinge mais pessoas. Quando começamos não tínhamos muito tempo livre. Passávamos o que tivéssemos tocando, sempre juntos. E isso continua.
Mas não é mais impressionante quando você faz uma piada sobre ter formado um supergrupo com a Lily Allen e a notícia se espalha como se fosse verdade pelo mundo?
É só papo de tablóide. Dou risada. Outro dia li no The Sun que já tínhamos gravado um álbum, eu, a Lily, Alex Turner e o Dizzee Rascal! (risos) Eu amaria ouvir esse disco! (risos) Você tem de se sentar e dar risada, é um monte de mentira. Com a gente nem é uma questão de "o que eles estão fazendo é errado / certo". Então são só histórias que fazem as pessoas imaginar coisas. Isso mantém as pessoas meio em dúvida, intrigadas.
O Jamie me disse que o Klaxons é só uma banda festeira. E é óbvio que não é só isso, já que vocês se preocupam com as letras a ponto de citar referências obscuras. Você pensa nessa dualidade da música de vocês?
Acredito que somos, sim, uma banda festeira. O interessante é que, apesar de toda essa história de new rave e "renascimento da música para dançar", somos uma banda basicamente de guitarra. (pensa um pouco) Mas agora já não sei se somos bem isso. Gostamos de criar um clima de festa e adoramos ver as pessoas se divertindo nos shows, mas é mais isso. Não importa o que você faça, desde que todo mundo goste. Não é bem uma história de nós mostrarmos quem somos – a intenção é fazer todo mundo se juntar e se divertir enquanto estivermos tocando.
Vocês já fizeram turnês com o Cansei de Ser Sexy e com o Bonde do Rolê. Tem alguma história boa de bastidores?
Antes de qualquer coisa, eles são todos uns doces. Ótimas pessoas, amamos as duas bandas. Tinha uma certa pessoa do CSS que tinha o costuma de entrar no nosso camarim e jogar sucrilhos na gente. E o Bonde é completamente louco. Sério. É incrível ter eles por perto. O Gorky é um cara engraçado. Foi bem divertido, adoraríamos tocar com eles de novo. Manda um beijo para a Marina.
Tocar no Glastonbury foi uma boa experiência para o Klaxons?
Sim, não dá nem para descrever. Você nem acredita que está tocando para aquelas pessoas.
E a lama?
É a pior coisa do mundo! Mas faz parte do clima: não é o Glastonbury sem a lama.
Você já tinha ido ao festival como espectador?
Sim! Nós nos conhecemos no Glastonbury, a banda! Ficamos no mesmo lugar lá.
É melhor para ver ou para tocar?
Não é tão bom quando você vai para tocar, porque você perde quase todo o resto. O legal é ir como fã, com os seus amigos, enche a cara e se diverte com os amigos. Como artista você fica nos bastidores, vendo outros grupos que você já cansou de ver porque cruzou com eles na estrada... Você está trabalhando. É diferente.
Hoje, 13 de fevereiro, faz um ano que o With Lasers existe! Este é apenas o primeiro dos posts comemorativos - outros virão ao longo do dia. Vai ser tipo a turnê de reunião das Spice Girls, aguarde!