segunda-feira, 4 de agosto de 2014
Lyle: Gaby Hoffmann quer te assustar (e DE GRAÇA)
Você já conhece o rosto expressivo de Gaby Hoffman: ela teve papeis marcantes na série Girls e no filme Crystal Fairy & the Magical Cactus. E agora estrela Lyle, um filme de terror que será distribuído gratuitamente pela internet neste mês.
É uma espécie de tributo a O Bebê de Rosemary, com a história de uma mãe lidando com circunstâncias estranhas ao redor de seu bebê. O diretor Stewart Thorndike também escreveu o roteiro. O trailer está abaixo e o filme está neste link a partir de hoje.
domingo, 3 de agosto de 2014
Roteirista de Doctor Who e Sherlock fala sobre o futuro de ambas as séries
Para variar um pouco, algo diferente. Aqui está a íntegra, em áudio, da entrevista que fiz com o roteirista e ator Mark Gatiss durante a passagem dele pelo Brasil, em março. E por que agora? Simples, porque neste mês estreia a nova temporada de Doctor Who, e na publicação da entrevista no Último Segundo (leia aqui) o assunto era mais Sherlock.
O Gatiss é um cara muito interessante, fã de terror e de televisão. Além de ter escrito episódios geniais de Doctor Who, ele é produtor do sucesso Sherlock, no qual também interpreta o irmão de Sherlock Holmes, Mycroft.
Nesta entrevista ele fala sobre as duas séries, sobre como começou a escrever e detalha um pouco do futuro de ambas. Também dá a opinião dele sobre o novo Doctor, Peter Capaldi, e explica o motivo de achar um crossover entre Sherlock e Doctor Who uma péssima ideia.
Uma observação: o áudio não é perfeito porque a entrevista foi feita em um ambiente aberto, que teve de vento a helicópteros.
terça-feira, 29 de julho de 2014
Time Takes Time: quando Ringo Starr levou a música a sério de novo
Eu sei: qualquer um acharia ingrata a ideia de defender o ex-beatle Ringo Starr. Mas eu quero ir um passo além e defender um disco solo dele lançado já nos anos 90. Acompanhe a minha exposição de fatos antes de pensar nos surrados clichês sobre o lendário baterista.
Time Takes
Time saiu em 1992 e marcou uma retomada da carreira do músico. O último disco
de estúdio dele, o esquecível Old Wave, havia saído quase uma década antes. Nesse meio
tempo, ele também começou a se apresentar ao vivo com maior frequência – algo que
não fazia desde os tempos do quarteto de Liverpool, que parou de excursionar em
1966.
Naquele
momento, Starr estava com sede de música. E Time Takes Time reflete esse estado
de espírito.
O time de
produção é um quarteto estelar: Don Was (que vinha de trabalhos com Bob Dylan,
Elton John, Iggy Pop e B-52’s), Jeff Lynne (que um tempinho depois produziria a
volta dos Beatles, com “Free as a Bird” e “Real Love”), Peter Asher (da dupla
Peter and Gordon, cunhado de Paul McCartney nos anos 60) e Phil Ramone (que
trabalhou com todo mundo). Era um sinal claro do esforço para fazer algo de qualidade.
Os créditos
de composição também mostram que houve uma boa curadoria para o trabalho. Starr
assina a coautoria de apenas três das 10 faixas, compostas por um time variado.
Diane Warren (de baladas de muito sucesso, como “Because You Loved Me” e “How
do I Live”) colaborou com “In a Heartbeat”; Roger Manning e Andy Sturmer, do
Jellyfish, entraram com “I Don’t Believe You”; e o mais incrível é que até uma
cover do Posies, “Golden Blunders”, acabou no disco!
Claro, é um
álbum do Ringo. E digo isso no melhor dos sentidos: mesmo com o esforço
comercial, é bem humorada e as canções são permeadas de um clima leve. Não é
algo a ser levado a sério demais – o que também não quer dizer que o contrário
seja verdade. É um trabalho competente do baterista, talvez a última vez que
ele realmente tenha se empenhado em um disco de estúdio.
E por isso
mesmo ele chegou a se irritar durante uma entrevista para a Rolling Stone norte-americana,
no lançamento de Time Takes Time, ao ouvir perguntas sobre a banda antiga dele.
“O que é isto? Uma porra de uma entrevista sobre os Beatles?”, perguntou
exaltado ao jornalista David Wild. Na mesma conversa, ele explica um pouco a
própria trajetória solo (e talvez seja até duro demais com ele mesmo):
“É a primeira vez desde o disco Ringo que coloco tanta energia na feitura de um álbum. Depois de Ringo e, talvez, Goodnight Vienna, comecei a enfiar o pé na jaca e a comparecer cada vez menos. Isso transparece na arte de qualquer um. Em muitos dos discos, eu estava apressado para chegar logo em casa – ou, com uma frequência maior, à casa de alguém. E outra coisa é que – a menos que você esteja entrevista o Paul ou o George – você está falando com um cara que está nesse meio há mais tempo do que a maioria. Quando você fica tempo, vai ter altos e baixos. No meu caso, foi ladeira abaixo depois de Ringo. Mas estamos voltando agora.”
Caras
conhecidas aparecem por todos os cantos de Time Takes Time. Brian Wilson faz
backing vocals (discretos) em “In a Heartbeat”, Harry Nilsson canta em “Runaways”
e integrantes dos Heartbreakers de Tom Petty estão em várias músicas. Até a
capa é boa, ilustrada pelo elogiado artista plástico Mark Ryden.
Não custa dar
uma chance ao Ringo e ouvir esse belo disco esquecido dos anos 90.
sexta-feira, 25 de julho de 2014
Filhos cometem injustiça póstuma com Roy Orbison
Como bom fã, fiquei empolgado ao descobrir que Mystery Girl - o último disco que Roy Orbison lançou - ganharia uma edição especial. Porque é álbum que merece, ele realmente é especial. Pena que a alegria terminaria quando eu pegasse essa novidade nas mãos.
Mas antes, a história.
No meio dos anos 80, o cantor começava a sair de um buraco gigantesco: o esquecimento e a irrelevância. O Van Halen havia renovado o interesse na música dele com a regravação de sucesso de "Oh, Pretty Woman"; David Lynch colocou (contra a vontade do músico) a faixa "In Dreams" na trilha do filme Veludo Azul (1986); e em 1987 ele entrou tanto para o Hall da Fama dos Compositores de Nashville quanto para o Hall da Fama do Rock and Roll.
A atenção estava ali, só faltava um novo trabalho que mantivesse Orbison aos olhos do público.
Completamente consciente disso, ele começou a trabalhar em um novo álbum. Duas pessoas que ele havia conhecido naqueles tempos foram fundamentais, ambos produtores lendários: T. Bone Burnett e Jeff Lynne. Este último levou mais dois nomes de peso para o disco, Tom Petty e Mike Campbell.
Desse grupo, nasceram o hit "You Got It", "A Love So Beautiful", "California Blue" e outras. Bono, do U2, sempre conta uma história fantástica sobre como deu "She's a Mystery to Me" para Roy Orbison: segundo ele, depois de dormir ouvindo a trilha de Veludo Azul ele compôs a faixa, que mostrou aos companheiro de banda descrevendo como "algo do Roy Orbison" durante a passagem de som de um show. Logo depois da apresentação, quem bate na porta? O próprio cantor veterano, que perguntou: "Você tem alguma música para mim?".
Elvis Costello cedeu "The Comedians", que ele havia lançado em Goodbye Cruel World (1984). O tecladista Al Kooper e o baterista Jim Keltner, elogiados músicos de estúdio, participaram das gravações, que também tiveram a guitarra de George Harrison em "A Love So Beautiful". Ou seja, além de tudo, Mystery Girl plantou a semente do Traveling Wilburys, juntando Lynne, Harrison, Petty e Orbison (só Bob Dylan não entrou na brincadeira).
O resultado foi um disco lindo, digno da carreira de Orbison. O relançamento recente? Faz o serviço contrário.
A nova caixinha tem, além do repertório do trabalho, oito versões demo (de "California Blue", Windsurfer", entre outras), um DVD com um documentário de qualidade questionável (visualmente, parece mais caseiro do que qualquer outra coisa) e o maior pecado de todos: uma música antiga finalizada recentemente pelos três filhos de Orbison, "The Way is Love".
Poderia ter dado certo? Poderia. Os Beatles fizeram isso em "Free as a Bird" e "Real Love" (produzidas por Jeff Lynne, inclusive). Mas o vocal original já tinha qualidade baixíssima - tanto na gravação quanto na performance. Nem o reforço de John Carter Cash, filho de Johnny Cash, salvou o resultado final. É um desastre completo, uma mancha que Orbison não merecia ter postumamente. Duvida? Ouça você mesmo, abaixo.
quinta-feira, 24 de julho de 2014
No novo podcast VINIL, falamos das lojas de discos de Londres
Voltei a me encontrar com o produtor/DJ/músico Rodrigo Gorky para mais uma edição do podcast VINIL. Nós dois demos um pulo em Londres neste mês e passamos por muitas, MUITAS, lojas de discos - o principal assunto deste episódio.
Também aproveitamos para conversa com uma convidada, a jornalista Patrícia Colombo, entusiasta do vinil. Ela tenta tirar uma velha dúvida: qual o motivo de não termos mais mulheres colecionando discos? É um universo machista?
No meio dessa história toda, o Gorky cita um texto sobre o disco Trans, do Neil Young: é este aqui, vale a leitura. Para quem não sabe, o Trans é um álbum bastante peculiar dentro da discografia do canadense. Falamos muito sobre isso no podcast.
Você pode ouvir o VINIL abaixo, no Youtube, ou também assinar aqui e no iTunes.
Assinar:
Postagens (Atom)



