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domingo, 3 de agosto de 2014

Roteirista de Doctor Who e Sherlock fala sobre o futuro de ambas as séries


Para variar um pouco, algo diferente. Aqui está a íntegra, em áudio, da entrevista que fiz com o roteirista e ator Mark Gatiss durante a passagem dele pelo Brasil, em março. E por que agora? Simples, porque neste mês estreia a nova temporada de Doctor Who, e na publicação da entrevista no Último Segundo (leia aqui) o assunto era mais Sherlock.



O Gatiss é um cara muito interessante, fã de terror e de televisão. Além de ter escrito episódios geniais de Doctor Who, ele é produtor do sucesso Sherlock, no qual também interpreta o irmão de Sherlock Holmes, Mycroft.

Nesta entrevista ele fala sobre as duas séries, sobre como começou a escrever e detalha um pouco do futuro de ambas. Também dá a opinião dele sobre o novo Doctor, Peter Capaldi, e explica o motivo de achar um crossover entre Sherlock e Doctor Who uma péssima ideia.

Uma observação: o áudio não é perfeito porque a entrevista foi feita em um ambiente aberto, que teve de vento a helicópteros.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Doctor Who: quem "quase" já ganhou o papel principal na série britânica


Com a estreia de Peter Capaldi no papel-título de Doctor Who, começa uma nova fase para a série de 50 anos. O escocês de 55 anos é o primeiro Doctor mais velho da nova fase do programa, que antes dele teve Christopher Eccleston (41 anos ao assumir o papel), David Tennant (34) e Matt Smith (26 anos – o mais jovem de todos).

Mas tão interessante quanto os atores que passaram pelo papel é a lista dos que não aceitaram ou não foram aceitos ao longo dos anos. (eu particularmente acho que o Michael Palin seria um ótimo Doctor, mas fiquei surpreso ao descobrir que um outro integrante do Monty Python fez testes)

Indo direto aos mais conhecidos, em ordem cronológica:




  • Cyril Cusack poderia ter sido o primeiro Doctor, que acabou com William Hartnell. O sul-africano de Farenheit 451 (1966) estava mais interessado em teatro e não aceitou;


  • Famoso por dar vida ao detective Maigret, Rupert Davies foi sondado para assumir o posto de segundo Doctor. Ele não quis se comprometer com uma série de longa duração e Patrick Troughton (que era o preferido mesmo, supostamente tendo sido indicado por Hartnell) venceu a corrida;


  • O sociólogo e ator Ron Moody quase tirou de Jon Pertwee o papel de terceiro Doctor;


  • Aqui a coisa esquenta. O quarto Doctor, Tom Baker, é o preferido de grande parte do público britânico – porque foi o que passou mais tempo no papel (7 temporadas!) e pelo carisma gigantesco de Baker. O comediante Michael Bentine (da turma de Peter Sellers e do The Goon Show) foi convidado, mas disse que só aceitaria se pudesse aprovar os roteiros;


  • Richard Griffiths (Harry Potter, Hugo) foi o único candidato a disputar a sério com Peter Davison, o quinto Doctor; (mas para mim a melhor história do Davison é que a filha dele se casou com o David Tennant, o décimo Doctor. Como numa história da série, ela é filha e esposa de um Doctor!)


  • Diz a lenda que Colin Baker era o único candidato para o posto de sexto Doctor, então tudo ficou na mesma por aqui;


  • Alexei Sayle poderia ter dado um ar mais radical ao sétimo Doctor, já que o estilo de comédia dele é altamente influenciado (e talvez até mais radical) pelo surrealismo do Monty Python. Syvester McCoy ficou com o emprego;


  • Paul McGann ficou com a ingrata posição de oitavo Doctor, tendo participado apenas de um filme do personagem (e neste ano ganhou legitimidade em um webisode no qual regenera e dá origem ao War Doctor de John Hurt). Curiosamente, o irmão dele, Mark McGann, também fez testes para o papel. E também Anthony Head, de Buffy, e Rowan Atkinson (sim, o Mr. Bean);


  • Quando Doctor Who voltou definitivamente, no começo dos anos 00, Christopher Eccleston era o resumo de tudo o que personagem representaria nessa nova era: engraçado, mas agressivo, destemido, mas perturbado. Opções mais seguras foram consideradas antes, como Alan Rickman e – atenção – Stephen Fry! E também: Hugh Grant (que hoje se diz arrependido por não ter aceitado) e até Judi Dench. Os jornais britânicos apostavam em outro nome conhecido: Eric Idle, do Monty Python (quando Idle participou de Os Simpsons, o Homer chamou o personagem dele de Doctor Who);


  • David Tennant é um Doctor irretocável (o melhor de todos, para mim). Então, é até difícil pensar em outra pessoa no lugar dele. Só Tom Baker conseguiu, prematuramente anunciando Eddie Izzard como o escolhido em uma entrevista;


  • Quando chegou a hora de regenerar, dizem que até Benedict Cumberbatch foi convidado para o posto, que acabaria com Matt Smith. E segundo o roteirista-chefe Steven Moffat, um certo Peter Capaldi também foi levado em consideração;


  • Boatos dizem que o papel de 12º Doctor foi oferecido a Idris Elba (Luther, Círculo de Fogo) e Chiwetel Ejiofor (12 Years a Slave), mas ambos recusaram. Rory Kinnear e Ben Daniels também estavam entre os cotados, mas Capaldi saiu na frente. 


  • Doctor Who volta a ser exibido em 2014, com Peter Capaldi no papel central. Como ele mesmo já havia sido considerado para o trabalho, é bom olhar essa lista e manter alguns dos nomes em mente - em Doctor Who nunca se sabe quem pode ressurgir do passado para conquistar o futuro.

    segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

    Brian Epstein: a redescoberta do lendário empresário dos Beatles



    Na história dos Beatles sempre houve um grande debate a respeito de que seria “o quinto beatle”. Eu sou de uma tese simples: ninguém. Mas se for para entrar no clima, eu diria que é um posto dividido igualmente pelo produtor George Martin e o empresário Brian Epstein.

    A vida do segundo, que deixou uma segura posição de administração das empresas familiares para apostar no mundo desconhecido da vida artística, virou uma interessante HQ em 2013. Ela se chama, claro, The Fifth Beatle e foi escrita pelo produtor da Broadway Vivek Tiwary.


    A graphic novel usa de recursos surrealistas para mostrar os lados mais obscuros da personalidade de Epstein - que era gay em uma época absurda em que ainda era crime ser gay no Reino Unido - incluindo o vício em remédios prescritos. Bonito, inteligente e articulado, ele foi o protótipo do superstar manager, dando crias que até hoje se espalhando pelo mundo do entretenimento (pense em Scooter Braun, empresário de Justin Bieber, PSY e outros).


    “Fiquei assustado em descobrir como havia pouca informação sobre Brian Epstein e a administração dos Beatles”, escreve Tiwary no posfácio do volume - e ele tem razão, até hoje a única referência da vida e do trabalho do empresário é autobiografia A Cellarful of Noise (1964, atualmente só disponível em versão para Kindle) e alguns poucos livros menores. “Então mergulhei em uma pesquisa que durou mais de duas décadas.” (Também vale a pena ver o documentário que a BBC fez em 2010, The Brian Epstein Story)

    Epstein morreu aos 32 anos, em agosto de 1967, vítima de uma overdose de remédios para dormir. Os Beatles, já estraçalhados internamente, se enfiaram numa espiral de escolhas erradas, brigas internas e interesses distintos que os levaram a uma separação poucos anos depois.

    Quando li que um filme sobre a vida de Epstein seria feito, pensei: “tomara que seja baseado nos quadrinhos de Vivek Tiwary”. Por sorte, será mesmo – com roteiro escrito por ele e lançamento previsto para 2014 (e a liberação das músicas dos Beatles já aprovada). O ator para o papel é supostamente Benedict Cumberbatch – uma daquelas escolhas perfeitas e irrepreensíveis para contar uma das grandes histórias de bastidores do mundo da música.