12/08/2008 - 09:42h
China is pop: o mundo do cinema é aqui (parte 1)
Admito que eu era meio ignorante quanto ao cinema chinês até pisar aqui. Mas Hong Kong me salvou desse mundo de perdição (ou me jogou nele…). Minha principal barreira é que não gosto de filme de época. Achei O Tigre e o Dragão um saco, interminável.
Chegando a Hong Kong, novas portas se abriram. Primeiro que conheci Johnnie To, um daqueles diretores que faz você pensar “como é que passei tanto tempo sem ver os filmes desse cara?”. Recomendo Mad Detective (e estou doido para ver Sparrow, que sai em DVD no fim do mês).
Enfiando a fuça em várias lojas de DVD fui pescando muita coisa boa: os filmes de terror de Herman Yau (Ebola Syndrome!), o moderninho Pang Ho-Cheung… Então, chegando a Pequim, já estava com o preconceito derrubado, surrado, morto e enterrado.
Comprei vários filmes da base do “esse parece ser legal”. Tudo aqui é tão barato que dá para se dar a um luxo desses sem peso na consciência (um DVD que tenha acabado de sair não custa mais de 30 yuan, o que dá uns R$ 7,50 – os filmes mais antigos você acha por até R$ 1!). Claro que ainda não vi todos, afinal tenho construções da Dinastia Ming para visitar (e trabalho a fazer).
Voltando ao preconceito: como é que alguém que gosta de cinema pode ignorar um país que, em termos de produção de filmes, está lado a lado com os EUA e a Índia? Aqui tudo começou em 1905, quando o primeiro cinema da China exibiu The Battle of Dingjunshan - o primeiro filme produzido pelos chineses.
O prédio desse cinema ainda está lá, reformado, e fica na área de Dashilar, em Qianmen. Curiosamente, um dos filmes que estão sendo exibidos lá neste momento é Red Cliff, de John Woo. Esse longa-metragem é o mais caro já feito na China, com um orçamento de mais ou menos US$ 80 milhões.
Red Cliff tem uma história - olha só - que se passa na mesma época que a retratada em The Battle of Dingjunshan. E o ciclo se fecha.
E já que estamos no assunto, o filme de Woo foi quebrado em duas partes. A primeira já está nos cinemas e nas lojas de DVDs daqui, a segundo sai no começo do ano que vem. A versão internacional, que também deve ser lançada no comecinho de 2009, vai ser um resumão dos dois longas.
Não dá para falar de cinema chinês sem citar Zhang Yimou (de O Clã das Adagas Voadoras e Hero), o responsável pela abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim. O evento foi tão bonito e tão elogiado que nem o diretor agüentou e disse: “Este tipo de performance em três dimensões é inédita no mundo. Talvez seja muito difícil reproduzi-la nos próximos dez anos. Se Londres [a próxima sede das Olimpíadas] quiser fazer desse modo, acho que não vai nos superar em tão pouco tempo.” Talvez seja por isso que o cinema chinês seja tão bom: confiança não falta.
*Nos próximos posts sobre cinema chinês: o mundo da pirataria chinesa e a paixão pelos VCDs.
Enviado por Paulo Terron

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