segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

O mundo perdido de David Bowie: disco, filme, peça, comerciais e músicas

 
Depois de andar pelos corredores do MIS, em São Paulo, a partir desta semana, você vai ter uma noção bastante concreta do impacto e da importância da carreira do ícone David Bowie.

Mas nesse longo caminho, cheio de curvas, algumas coisas se perderam pelos cantos escuros, onde ficaram esquecidas e empoeiradas - estas são algumas delas.


1. O disco perdido. O ar nostálgico de Bowie não começou em "Where Are We Now", do álbum The Next Day (2013). Lá por 2000/2001, o cantor regravou uma série de faixas do início de carreira (mais 3 novas composições) para um projeto que se chamaria Toy.

O disco tinha vários pontos altos, como a sexy "Baby Loves That Way" (de 1965, época do grupo Davy Jones & the Lower Third) e o single "I Dig Everything", também dos anos 60, que ganhou muito mais gás. E aí muitas coisas aconteceram. A gravadora EMI/Virgin enrolou o lançamento e Bowie se viu mais interessado em colocar na rua Heathen (2002), de inéditas, que começou a ser germinado nas mesmas sessões de gravação de Toy, e este último acabou engavetado.

Algumas faixas viram a luz do dia como lados-B, e o resultado final ficou mofando até 10 anos depois quando, no auge do isolamento de David Bowie, o álbum acabou caindo na internet;


2. Um garoto fã dos Beatles. Como praticamente todo mundo, Bowie é fã dos Beatles. E durante a carreira tocou muita coisa relacionada com o quarteto de Liverpool - "Across the Universe" (com John Lennon, em Young Americans), "Penny Lane", "Imagine", "This Boy" - e foi mais fundo, compondo "Fame" com Lennon e regravando "Try Some, Buy Some" (composta por George Harrison para Ronnie Spector).

Tem até um bootleg, Bowie Sings Beatles, com algumas dessas versões;


3. O poliglota. O caso mais conhecido é com a faixa "Heroes", que saiu em inúmeros formatos: inglês, alemão, francês e misturas de mais de uma língua.

Antes dela, "Space Oddity" teve versão em italiano. E, muitos anos depois, "7 Years in Tibet" foi gravada em mandarim! 


4. No palco por outro motivo. David Bowie leva o teatro a sério, e não só como forma de expressão dentro de shows e clipes. Ele atuou em The Elephant Man (1979), na Broadway, e foi elogiado por não recorrer a próteses de qualquer tipo;


5. Retrato trincado. Em 1974, a BBC produziu um documentário chamado Cracked Actor, acompanhando David Bowie na turnê norte-americana daquele ano, completamente maluco devido ao consumo constante de cocaína.

Um retrato completamente sem filtro de um período estranho e criativo do artista;


6. Dedicado ao indie rock. David Bowie é fã do Pixies faz tempo. Na época do Tin Machine, grupo que montou em uma tentativa de resgatar seu lado mais roqueiro, ele chegou a fazer uma versão ao vivo para "Debaser".

Anos depois, no show em que comemorou 50 anos, em 1997, chamou Frank Black para cantar "Scary Monsters (and Super Creeps)" e "Fashion" com ele. Lá em 2002, tornou tudo mais oficial gravando "Cactus" no disco Heathen.

Agora o Pixies, que não é bobo nem nada, já se ofereceu para ser a banda de acompanhamento do britânico caso ele decida sair em turnê;


7. Garoto propaganda. Com a volta de David Bowie ao mundo da música em 2013, a Louis Vuitton se deu bem tendo o porta-voz mais cool de todos os tempos.

Só que ele já anunciou saquê no Japão e sorvete, no começo de carreira, em comercial dirigido por Ridley Scott.

MUITO MAIS BOWIE



  • Informações sobre a exposição David Bowie, do MIS, aqui;




  • Texto que escrevi sobre 10 músicas de Bowie para o iG;




  • Como David Bowie tentou escrever "My Way" e acabou compondo "Life on Mars?";




  • Texto rápido que fiz para a Capricho sobre o disco The Next Day (2013)



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