terça-feira, 21 de agosto de 2012

Tulipa: "O disco é só uma fotografia de uma música"



Conversei com a Tulipa Ruiz sobre Tudo Tanto, o segundo disco dela, para a edição mais recente da Rolling Stone (Rolling Stones na capa). O vídeo acima é de um trecho não publicado da entrevista, no qual a cantora fala sobre o novo show (que estreia no fim deste mês, em Salvador) e a parceria com Lulu Santos em "Dois Cafés".

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Caetano aos 70



Como jornalista, Caetano Veloso é um dos meus artistas preferidos. Digo "como jornalista" por um motivo simples: escrever sobre Caetano é sempre uma aventura. Você nunca sabe como a história vai acabar. Entrevistas, então, talvez estejam entre o que ele faz de melhor. Pouca gente fala coisas tão interessantes quanto o baiano - e tenho certeza que é daí que veio a fama de "ele tem opinião sobre tudo". Tem mesmo. E é isso que o faz especial, ainda mais em um mundo artístico tão inofensivo quanto este de 2012.

Perdi as contas de quantas vezes falei com o Caetano. Acho - mas não tenho certeza - que a primeira foi quando fiz a capa acima, na finada Bizz. (uma pequena fuga do assunto: na época me espantou muito ver que colegas de profissão diziam que a capa era "do Devendra". Haja má vontade!) Começou no Rio quando, depois de meses de negociação, coloquei o Devendra para conversar com o Caetano - o que seria exclusivo da revista, até a organização de um extinto evento convocar um jornal para a entrevista sem nos pedir autorização. Devendra estava nervoso, mas foi uma conversa ótima. Pareciam duas pessoas que, mais do que tudo, queriam ser amigas.

Devendra – Sempre tocamos “Lost in the Paradise” e emendamos com um trecho de “Nine out of Ten”, e às vezes uns pedaços de “Tropicália”.
Devendra – Estávamos em Londres uns tempos atrás e passamos na frente do Electric Cinema. Pensamos: “Deve ser sobre isso que ele canta em ‘Nine out of Ten’!”
Caetano – Eu costumava ir a esse cinema quase que diariamente, eu morava ali perto, em Notting Hill Gate.
Devendra – [Fazendo cara de desconforto extremo] Sou alérgico a ... Nada, deixa para lá.
Caetano – Alérgico a quê?!?
Devendra – À cadeira de couro que eu estava sentado antes. Também sou alérgico a gatos.
Caetano – Achei que você ia dizer que era alérgico a Londres! [risos]
Devendra – Sou alérgico a duas coisas: vaca e Londres! Se eu passear por Londres montado em uma vaca, não vai ser bom.
Caetano – Uma vaca-louca inglesa!


Depois disso fui a Brasília assistir ao último ensaio antes da turnê do , mais o show de estreia. Foi divertido ver a Banda Cê debater sobre uma linha de baixo que não conseguia reconhecer. Ricardo Dias Gomes tocava e os outros palpitavam: "é Led Zeppelin"; "é Bob Dylan". Até que Caetano, sem olhar para os lados, matou a charada. "É 'Maria Bethânia'." Pouco depois disso, ele se sentou para conversar comigo mais uma vez, sobre o .

As letras do último disco supostamente foram inspiradas pela sua separação. Você mesmo já disse que elas causaram muita dor, são letras intensas. É mais difícil ser solteiro?
Talvez seja. Pelas estatísticas, dizem que as pessoas casadas são mais felizes, em média. Mas eu não diria que as dificuldades que aparecem aí sejam da vida de solteiro. Muitas coisas aparecem na inspiração das canções que são da vida de solteiro. As dificuldades, sobretudo as que aparecem, que eu superei, são da separação, e não da vida de solteiro. Nem todas as canções são documentais, embora todas tenham ecos desse clima emocional. Algumas são diretamente documentais, como “Não me Arrependo” ou “Waly Salomão”. Essas são diretamente documentais, as outras não.


Quando fui para a Rolling Stone, uma das minhas primeiras missões foi entrevistar o Caetano sobre o zii e zie. Digo sem hesitar que é uma das minhas entrevistas preferidas. Dá para ler a íntegra aqui.

Também há algo de autopiedade nas músicas. Como em "Falso Leblon": "Me sinto muito sozinho". Esses são momentos que aparecem nessas canções, é verdade.
Parece uma montanha-russa de sentimentos: tem a virilidade do sexo e em outros momentos você se sente sozinho. Vou dizer: você é jovem, mas deve conhecer consideravelmente da vida pra ver que isso é assim mesmo [risos]. E nesses momentos é assim mesmo.
A solidão tem ar de fraqueza, algo que talvez não seja esperado de alguém famoso como você, não é? A tradição da canção brasileira é de lamentação permanente. Isso só mudou nos anos 70. O Vinícius de Morais deu uma indicação de que se podia fazer canções de amores afirmados e de conseguimentos, e não apenas de lamentações, embora tenha sido um grande mestre de canções de lamento também. Mas o hábito de se escrever canções de amores afirmados, de vitórias, só começou a crescer a partir dos anos 70. Antes disso, a canção brasileira era de lamento, como voltou a ser com Los Hermanos - que, de uma maneira muito tocante, bonita, parece uma referência remotamente irônica a esse "lamentismo". Os autores nunca tiveram vergonha de, por mais famosos que fossem, lamentaram-se. Não é nada demais o fato de eu ser famoso e ter canções que são lamentos. É tradição.
Você acha que as pessoas têm medo de você? [Fica em silêncio] Isso é uma coisa que eu nunca imaginaria e não gostaria de saber. Mas é um tópico a respeito do qual, nos últimos anos, tive de - através das observações de outros - considerar. Talvez algumas pessoas em algumas situações, sim.
O que você acha que pode gerar esse medo que as pessoas têm de você? Eu não sei. Fiquei muito calado quando você me perguntou porque não sei se, de fato, as pessoas têm medo. Eu tive que reconhecer que esse assunto deve ser pensado por mim. Porque as pessoas que trabalham comigo não parecem ter medo. Os músicos com quem eu convivi, tocando em diversas bandas, nunca demonstraram medo, nem pareceram ter medo. Eu não inspiro medo nas pessoas que trabalham comigo. Os meus filhos não têm medo de mim, não demonstram ter. Não percebo assim, então não poderia ver. Sou aquele tipo de cara que é o filho afável, irmão afável, que não briga, que é doce. Não imagino alguém tendo medo de mim. Porém, pode haver outros tipos de medo também. Esses casos que você citou, o Lobão e mesmo o Tom Zé, acho que há um componente de medo, sim, e são até pessoas que, de uma maneira ou de outra, dialogam razoavelmente bem com esse medo e o expressam e fazem dele alguma coisa e eles representam talvez a ponta de um iceberg de um tipo de medo de mim que pode haver em diversas outras pessoas que não agem fazendo e terminam fazendo coisa pior que isso.
Você tem medo de alguém? Tenho medo de muita gente, mas de ninguém em especial. Muitas vezes fico com um pouco de medo de pessoas que estão perto. Mas não é muito, é algum medo. Porque você não sabe se pode desencadear reações de desespero e de... [hesita] Não sei. Mas isso sou eu sentindo medo.


Não me lembro se falei com o Caetano depois disso, antes de reencontrá-lo em Salvador, quando fizemos as fotos para a matéria de capa dele com a Gal Costa - uma imagem que, depois, ele criticou no programa do Jô por um suposto uso de Photoshop no rosto dele (não havia). Talvez isso tenha ofuscado o texto, escrito pelo Ronaldo Evangelista, que pontuava a carreira de Gal e Caetano juntos. Vale a pena ler ou reler.

Enfim, eu poderia passar mais 70 anos escrevendo sobre essas experiências jornalísticas com o Caetano Veloso. Espero que ainda venham muitas pela frente (ele está em estúdio, gravando um disco novo). Mas mais do que isso, que ainda venham muitas músicas novas do Caetano. Porque como ouvinte, ele é um dos meus artistas preferidos.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Willy Moon: o novo protegido de Jack White



Jack White sabe encontrar (e resgatar) talentos. O mais recente exemplo disso é o neozelandês Willy Moon, que faz uma mistura incrivelmente coesa de pop dos anos 50 com soul e produção de hip-hop. A Third Man Records, de White, lança o compacto "Railroad Track" / "Bang Bang" no dia 20 deste mês (e é a primeira vez que um compacto do selo não é produzido por Jack White, já que Moon produz o próprio material sozinho).

Pesquisando no YouTube não é difícil de imaginar como o ex-White Stripes chegou a Willy Moon. O rapaz gravou uma versão para "Shakin'", que o próprio White também regravou em Blunderbuss.



Tulipa joga o disco novo inteiro na internet!


Para quem estava curioso, o disco Tudo Tanto - o segundo de Tulipa Ruiz - já está na internet. De graça e oficialmente! É só baixar no novíssimo site dela. E as músicas também estão todas no YouTube.

Abaixo, umas das minhas preferidas, "Bom".