quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A esperteza de Paul McCartney em Kisses on the Bottom



Musicalmente, o álbum de standards Kisses on the Bottom, de Paul McCartney, tem um detalhe que o coloca a milhares de quilômetros de distância de trabalhos semelhantes, como os feitos por Rod Stewart e Robbie Williams: o ex-beatle se fugiu ao máximo do estilo big band.

Na seleção de Macca as faixas são mais intimistas e, talvez por isso, o disco até soe triste demais. Por outro lado, esse clima justifica a fragilidade da voz do músico em diversos momentos. É a arte de tornar forte um ponto fraco.


Tudo isso é relacionado ao lado musical e artístico do álbum. Mas a esperteza de Paul McCartney extrapola para o mundo das finanças também (não é à toa que ele é um dos músicos mais ricos do planeta): segundo este colecionador/blogueiro apurou, Sir Paul é dono dos direitos de metade das canções de Kisses on the Bottom, por meio da empresa dele, a MPL.

Além das novas “My Valentine” e “Only Our Hearts”, que ele mesmo escreveu para esse projeto, McCartney é dono de “I’m Gonna Sit Right Down And Write Myself A Letter” (Joe Young, Fred E. Ahlert), “More I Cannot Wish You” (Frank Loesser), “We Three (My Echo, My Shadow And Me)” (Dick Robertson, Sammy Mysels, Nelson Cogane), “Ac-Cent-Tchu-Ate The Positive” (Harold Arlen, Johnny Mercer) e “The Inch Worm (Frank Loesser).

(uma observação breve: além de administrar as músicas de Buddy Holly, a MPL cuida do catálogo inteiro de Frank Loesser, incluindo as músicas de Guys and Dolls!)

Então ao regravar essas faixas, Paul McCartney também as joga de volta ao mercado, “reaquecendo-as” e impedindo que elas fiquem esquecidas. Quanto mais gente gravá-las, mais o lucro cresce.

Claro: certamente a inspiração para Kisses on the Bottom não é meramente comercial. McCartney fala desse projeto há algumas décadas, ele parecia ser uma daquelas idéias que ficam sendo adiadas até o momento certo. E agora, em uma junção harmônica de arte e finanças, essa hora chegou.

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