terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Paradise Lost 3 mostra o fim do drama do West Memphis Three (e foi indicado ao Oscar)



Por coincidência, assisti ontem ao documentário Paradise Lost 3: Purgatory, que hoje foi indicado ao Oscar. É o terceiro volume de uma série que revolucionou o estilo por um único motivo: ele não só retratou um caso de assassinato de três crianças nos EUA, mas também mudou o rumo das investigações do caso.

Em 1993, três garotos de 8 anos foram mortos em West Memphis, no Arkansas. A busca pelos culpados começou e logo uma recompensa por informações foi oferecida. Jesse Misskelley Jr, um jovem com problemas mentais, viu a oportunidade de ganhar o dinheiro e - mesmo sem ter relação alguma com o crime - foi à delegacia. Depois de horas de interrogatório, acabou acusado - junto com Damien Echols e Jason Baldwin.



A história é cheia de complicações e reviravoltas, mas resumidamente: Misskelley foi induzido a confessar (e a acusar Echols e Baldwin, que escutavam heavy metal e usavam roupas pretas - então claramente deviam ser satanistas). A injustiça e as palhaçadas do processo foram retratadas em Paradise Lost: The Child Murders at Robin Hood Hills (1996), produzido pela HBO e dirigido por Joe Berlinger e Bruce Sinofsky.

O filme foi tão impactante - e a condenação de Echols à pena de morte tão pesada - que gerou uma campanha gigante pela libertação do trio, conhecido como West Memphis Three. O Metallica cedeu músicas para a trilha, e gente como Johnny Depp e Eddie Vedder entrou para a campanha. Isso tudo é retratado em Paradise Lost 2: Revelations (2000).



Ainda assim, complicações legais deixaram os três na cadeia até o ano passado quando, em uma manobra legal conhecida como "Alford plea", os rapazes se declararam culpados sem abrir mão da inocência e puderam sair da cadeia. E essa parte está em Paradise Lost 3: Purgatory.

A dupla de diretores acabou se aproximando do Metallica e dirigiu o marcante Some Kind of Monster (2004), que mostra a fragilidade e as crises da maior banda de metal de todos os tempos. Depois da libertação, em agosto de 2011, os West Memphis Three retomaram suas vidas: Misskelley estuda para ser mecânico; Baldwin quer estudar direito; e Echols se mudou para Nova York, onde pretende se tornar um escritor.

6 comentários:

Kelly Costa Silva disse...

Tive a oportunidade de assistir pelo HBO e digo, fale apenas assistir,é um ótimo documentário.
Aos atuantes do judiciário, faz refletir sobre as diversas esferas do comportamento humano, autoconfiante demais, para perceber que provas circunstancial sem coesão, levou tres jovens para cadeia durante 15 anos e um ao corredor da morte.
Enquanto, isso, o verdadeiro assassino e covarde, daquela tres crianças, está impune...

ricardo disse...

Gostei muito, principalmente por mostrar que o sistema judiciario em outros países também é imperfeito. Juizes que acreditam estar acima do bem e do mal.

Gidalti disse...

O que mais me deixou indignado ao assistir o documentário é que o fato aconteceu em um país que se vangloria da "liberdade" e da "justiça". Acho que a única justiça que ocorreu foi para favorecer o Estado, que errou feio e não teve que pagar nenhuma indenização pelas "seis vidas" perdidas.

Gidalti disse...

O que mais me deixou indignado ao assistir o documentário é que o fato aconteceu em um país que se vangloria da "liberdade" e da "justiça". Acho que a única justiça que ocorreu foi para favorecer o Estado, que errou feio e não teve que pagar nenhuma indenização pelas "seis vidas" perdidas.

Samuel Ferreira disse...

Os caras passaram duas décadas na cadeia por 1 crime que não cometeram,enquanto o verdadeiro assassino,o padastro do moleque está solto.

Samuel Ferreira disse...

Está na cara que foi o padastro do moleque,aquela cara de sínico não engana ninguém!