terça-feira, 29 de março de 2011

Em defesa de Bruno Mars



É pecado fazer música pop. Talvez seja herança daquele momento icônico do grunge, quando o Nirvana "matou" Michael Jackson nas paradas - a vitória do "real" contra a "superprodução". Foi um momento culturalmente importante, mas que jogou ao fogo toda uma tradição histórica: a dos cantores/compositores pop.

Com a criação desse limbo - que tornou uncool a figura do cantor popular -, o pobre Bruno Mars ficou jogado de lado, desprezado como lixo produzido em massa para consumo imediato.

Uma pena, já que ele promete ser um dos grandes compositores de sua geração. Além de um talento vocal indiscutível, Mars ainda tem habilidade na criação de melodias pegajosas e letras de amor simples e diretas. Uma combinação redondíssima.

O amigo Ronaldo Evangelista concorda. Vale a pena ler a defesa dele, publicada aqui.

E se textos não convencerem, uma pequena seleção musical pode ajudar:

  • "Grenade", do álbum Doo-Wops & Hooligans (com o clipe, que também é bom)

    No vídeo, Mars arrasta um piano até a a amada enquanto tenta explicar a proporção de seu amor. "Eu seguraria uma granada por você", "levaria uma bala no cérebro", "Me jogaria na frente de um trem por você". Mas o melhor é a conclusão nada feliz, cantada por ele: "você não faria o mesmo";

  • "Nothin' on You", gravada por B.o.B com participação de Mars.

    "Garotas lindas no mundo inteiro eu poderia estar perseguindo, mas elas não são nada perto de você", canta Mars, no novo hino do flerte (supostamente) inocente praticado pelos astros da música. É o cinismo charmoso dos rockstars dando as caras;

  • "Fuck You!", gravada por Cee Lo Green (e escrita por Mars com o próprio)

    Se em "Grenade" Mars ainda sofre por amor, aqui ele chuta o pau da barraca. E joga na cara: "tenho pena do coitado que se apaixone por você / tenho notícias pra você: te odeio agora". E, claro, momentos mais tarde vem um: "Te amo, ainda te amo!";

  • "Marry You", do disco Doo-Wops & Hooligans

    Essa é uma felicidade só. Celebração da alegria fugaz, com Mars pedindo por um casamento que dure até quando durar: "Se acordarmos e você quiser se separar, tudo bem. Não, não vou te culpar. Foi divertido".

    Dava para continuar, mas essa introdução ao mundo de Bruno Mars já sustenta a minha tese: ele é pop e fala de amor, portanto é considerado cafona. Preconceito bobo, facilmente vencido quando se escutam as músicas.
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