quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Quando Paul McCartney e Fela Kuti se encontraram, em 1973



No segundo semestre de 1973, Paul McCartney e o que restava de seu Wings (Linda McCartney e Denny Laine) partiram para Lagos, na Nigéria, para gravar um novo álbum. A escolha do local não teve muito segredo: o ex-beatle pegou uma lista dos estúdios da gravadora EMI ao redor do mundo e selecionou um. Ele chegou até a considerar o Rio de Janeiro.

Chegando lá, tudo deu errado: o estúdio não estava pronto, Paul e Linda foram assaltados e perderam as demos do disco no qual estavam trabalhando. E, um belo dia, o Poderoso Chefão da música local apareceu para dar uma prensa em McCartney. Ele mesmo explicou a situação, no livro Wingspan: Paul McCartney's Band on the Run.

"O maioral local, Fela Ransome-Kuti, que fazia shows incríveis com suas trinta mulheres dançando com os peitos de fora e vestindo saias de mato, apareceu no estúdio um dia e me acusou de ser um ocidental tentando roubar a música negra. Poderia ter sido bem perigoso porque ele era um figurão poderoso na área. Então toquei nossas gravações para ele e disse: 'Diga-me se você acha que estou roubando a sua música. Se você achar que sim, não uso essa faixa.' Eu sabia que tudo ficaria bem - não tínhamos ido até lá para roubar ritmos locais, tínhamos ido porque pensamos que seria um lugar legal para gravarmos. Ele se acalmou depois de ouvir as faixas."


Foi difícil, mas assim nasceu o clássico Band on the Run.

Por falar em Paul McCartney, no show de ontem, em Buenos Aires, ele fez mais uma mudança de repertório: a abertura trocou "Venus and Mars / Rockshow" por "Magical Mystery Tour". E "Bluebird", de Band on the Run, entrou no set (pela primeira vez desde 1976!).

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