sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Filme de Scott Pilgrim é fiel à HQ e, ainda assim, supreendente



Vi Scott Pilgrim vs. The World na madrugada de ontem para hoje, perto da Union Square, em Nova York, junto com uma plateia de jovens entre 20 e 30 anos - todos extremamente empolgados com cada detalhe mínimo da adaptação dos quadrinhos de Bryan Lee O'Malley.

O primeiro choque é a velocidade em que a história é contada. Não há enrolação e, especialmente no começo do filme, os cortes são tão rápidos e - mais do que isso - inesperados que o espectador precisa de alguns minutos para se acostumar.

Scott Pilgrim também é uma evolução em termos de referências ao universo da cultura pop. Se Quentin Tarantino popularizou essa ideia de que falar sobre as letras de Madonna em um restaurante poderia ser legal, o diretor Edgar Wright maximizou tudo. A grande diferença é que, enquanto Tarantino usava o pop como mensagem, Wright o usa como meio - inesperadamente o filme vira uma grande referência à série Seinfeld (com trilha, gestos dos atores, reação da audiência e tudo).

Uns dias atrás, um comentarista local da TV de novaiorquina passou vários minutos dizendo que Scott Pilgrim era o pior filme do ano. O que mais o incomodou foi o roteiro. Segundo ele, não fazia o menor sentido que o personagem central, interpretado por Michael Cera, tivesse de lutar contra os sete ex-namorados da namorada dele, Ramona Flowers (Mary Elizabeth Winstead, nas telas). No mundo de quem nunca passou nem perto dos videogames, não faz mesmo - assim como os efeitos visuais que acompanham lutas e sons, outro ponto que o crítico odiou (mas, neste último caso, parece que ele nunca assistiu à antiga série do Batman).

Scott Pilgrim vs. The World, que infelizmente só estreia no Brasil em novembro, é uma experiência visual completa. Mesmo para quem leu os seis volumes da HQ: como o filme foi feito antes do lançamento do último livro, o final foi escrito pelos roteiristas. Há alguma semelhança, mas pouca. Então, até para os fanáticos há surpresas.

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