quinta-feira, 29 de julho de 2010

"O Clube dos Cafajestes originalmente era sobre Charles Manson no colegial", diz John Landis



As edições especiais da GQ sobre comédia sempre são muito boas, mas a deste ano está particularmente incrível. Um dos feitos da revista foi juntar os diretores John Landis (Um Lobisomem Americano em Londres, Os Irmãos Cara de Pau), Edgar Wright (Todo Mundo Quase Morto, Scott Pilgrim), Judd Apatow (O Virgem de 40 Anos), Todd Phillips (Se Beber Não Case) e Adam McKay (O Âncora: A Lenda de Ron Burgundy) para um debate sobre o que é sempre engraçado.

Em certo momento, disponível só no site da publicação, Landis fala sobre O Clube dos Cafajestes (uma das minhas comédias preferidas):

GQ: John, acho que o resto de nós nesta mesa crescemos com os seus filmes, especialmente O Clube dos Cafajestes. Você tinha noção de que a comédia poderia ser algo perigoso e subversivo?

Landis: Perigoso? Não sei. Subversivo? Eu esperava que sim. Eu tentei. O gênio em O Clube era Doug Kenney, que era muito brilhante, muito autodestrutivo. Kenney foi um dos fundadores do National Lampoon mas em certo momento ele quis ganhar uma grana e se aposentar, comprar uma casa nos Hamptons. [O editor] Matty Simmons sabia que ele era o cara mais brilhante de lá, então disse: 'você não pode sair. Vamos fazer um filme!'. Então, Doug escreveu o rascunho de um filme chamado Laser Orgy Girls, que era sobre garotas colegiais fodendo. Matty leu e ficou meio chocado. Ele disse: 'Por que não chamamos o Harold Ramis?'. O primeiro roteiro deles era sobre o Charles Manson no colegial e, na verdade, era bom para caralho. Tinha uma abertura incrível, que começava do lado de fora da [cadeia] San Quentin. A câmera entra pela janela, pelas paredes, pelas grades, e chega às profundezas da cadeia. Lá está o Manson, com uma camusa de força, cela com paredes acolchoadas, suástica cravada na testa, e ele olha para cima e diz: 'Está quente aqui ou eu que estou maluco?'.(...)

Acho que as melhores coisas do filme foram a trilha e a fotografia. Eu queria que fosse granulada e escura. Você perguntou sobre perigo. Vou te contar uma história: 'Quando mostrei o filme pela primeira vez a Ned Tanen, o presidente da Universal, ele parou a exibição depois da cena do bar de negros - parou e saiu correndo. Um tempinho depois, recebi um comunicado dizendo que deveríamos cortar toda a parte da viagem até o bar. 'Haverá revolta! Motins!'. Então mostramos o filme para o Richard Pryor. E o Richard mandou uma nota escrita a mão, em papel azul: 'Ned, O Clube dos Cafajestes é engraçado pra caralho e os brancos são doidos.' E foi por isso que conseguimos terminar o filme."


A foto lá de cima é um print da minha cena preferida no filme (e, na real, minha cena favorita na história da comédia). Ela está no YouTube e tem uma performance impagável de John Belushi.

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