quinta-feira, 30 de abril de 2009

O With Lasers volta a este endereço em maio!

Aguarde até amanhã!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Vanessa Hudgens, Sylvester Stallone: importação de astros

Vanessa na Caras Alaranjadas

O site Just Jared destacou a capa da Caras: Vanessa Hudgens no Brasil. A estrela de High School Music - com uma cara alaranjada e o corpo normal - posou durante uma passagem pela Ilha de Caras. "Nos EUA é meio frio e eu adoro o calor", disse. "Amo andar descalça e ter contato com a natureza aqui, mas não gosto das formigas."

o ComingSoon.net destacou imagens dos bastidores de Os Mercenários, aquele filme que Sylvester Stallone (parcialmente) filmou no Rio. É só "hey", "pá pá pá". E voos rasantes e explosões. E uma galera gritando "lindo! Te amo!".



terça-feira, 28 de abril de 2009

Harper's Island tenta levar terror e mistério para a TV



O que é? Os produtores da série Harper's Island dizem que a ideia é levar um clima de Sexta-feira 13 para a televisão. Ou seja, fazer um filme slasher (aquele tipo no qual as pessoas vão morrendo violentamente, uma a uma) dividido em 13 episódios. Então é assim: um casal leva familiares e amigos para uma ilha onde, anos atrás, um maluco assassinou um monte de gente (incluindo a mãe de uma das personagens). Lá eles pretendem se casar. Pretendem, já que os convidados começam a morrer misteriosamente. Será que o assassinao da Ilha de Harper está de volta?

Quem? Jon Turteltaub (Jericho, A Lenda do Tesouro Perdido: Livro dos Segredo é um dos produtores-executivos, ao lado de Jeffrey Jackson Bell (que escreveu episódios de Alias, Arquivo X e Angel). O elenco tem Christopher Gorham (o Henry, de Ugly Betty, que aqui também se chama Henry!), Katie Cassidy (Supernatural e herdeira da família Partridge), Jim Beaver (Deadwood, Supernatural) e Harry Hamlin (L.A. Law), entre outros. São 13 episódios com pelo menos uma morte em casa, então a série precisa de MUITOS personagens.

Onde e quando? Começou em 9 de abril, na CBS norte-americana, e deve acabar em julho.

Vale a pena? Apesar da ideia divertida, o resultado final é tedioso. É como se você pegasse um filme de terror genérico e o prolongasse por intermináveis nove horas. Como era de se esperar, a CBS não gostou muito das cenas de assassinatos explícitos, então tudo é muito mais discreto do que no cinema.

Tem chance de vingar? Vai ter uma primeira temporada completa. Então a dúvida é: vai haver uma segunda temporada? E como ela seria? Segundo os produtores, cada ano do programa seguiria uma linha diferente do terror. Se a primeira é Sexta-feira 13, a segundo poderia ser Jogos Mortais.

Mais? Há ainda uma série paralela, que é exibida pela internet: Harper's Globe. Ela foi criada pelos mesmos de lonelygirl15 (e tem como estrela a mesma atriz, Melanie Merkosky). Devem ser 16 vídeos de mais ou menos seis minutos cada.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

The-Dream e o disco que pode ser o melhor do ano

Ainda há muito chão pela frente, mas 2009 vai muito bem de música pop. Um grande exemplo disso é o álbum Love vs. Money, do The-Dream. O cantor é aquele que escreveu "Umbrella", da Rihanna, e "Single Ladies", da Beyoncé.

A produção do disco é estranha - é R&B no sentido mais pasteurizado do termo - mas as músicas são muito pegajosas (no bom sentido). Como "Rockin' That Thang" (no disco, "Rockin' That Shit"):



Por enquanto dá para ouvir o disco todo no YouTube. Eu recomendo "Put It Down", "Walkin' on the Moon" (com o Kanye West) e... Ah, tudo. O disco inteiro podia tocar nas rádios. Bonzão.

John Mayer acha que só tem gente bonita no Brasil (ou achava...)

Mayer, bonitão

Viciado em Twitter, John Mayer falou do Brasil ontem:

Posso falar com o Brasil, por favor? Oi, Brasil. Aqui é o John. Parece que vocês querem muito que eu vá praí. Vou tentar. Obrigado, Brasil. 7:19 AM Apr 26th from web

E aí ele começou a olhar as fotos das pessoas que falavam com ele no Twitter.

Baseado no pouco contato que tenho com o Brasil, parece que não há gente feia lá. Gosto disso. Obrigado, Brasil. 7:24 AM Apr 26th from web

O cara namorou a Jennifer Aniston e a Jessica Simpson, então o gosto dele para beleza feminina é meio peculiar. O povo da rede social tratou de mandar a real para ele:

Agradeço por vocês tentarem esclarecer, mas mandar fotos das pessoas brasileiras que vocês consideram feias é mau pra dedéu. 7:32 AM Apr 26th from web

A bela tradução livre foi minha. Para ler os posts originais, clique nos horários/datas de cada um.

The Unusuals mostra o lado esquisito da polícia



O que é? The Unusuals é um drama policial que tem elementos cômicos. Como dá a entender o nome, ele segue a vida de personagens estranhos da polícia de Nova York: Casey é uma detetive dedicada, mas que esconde dos colegas o fato de ser rica; Leo acredita que, vítima de uma maldição familiar, está em seu último ano de vida; e Eric tem certeza de que vai morrer logo - já que tem câncer - mas passa a ser rodeado de milagres.

Quem? Amber Tamblyn (Joan of Arcadia) finalmente retorna à TV e interpreta Casey. Harold Perrineau (o Michael, de Lost) é Leo. O estranhão Adam Goldberg (Zodíaco, Jovens, Loucos e Rebeldes) dá vida a Eric.

Onde e quando? Estreou na ABC norte-americana em 8 de abril. Quatro episódios já foram ao ar.

Vale a pena? The Unusuals mostra um lado diferente das séries policiais (que, aliás, andam bem desgastadas), mas sem deixar de lado a essência desse estilo. Tem um humor meio nervoso, daqueles que gera um riso quase histérico. Afinal de contas o público ri de oficiais da justiça, o que leva ao questionamento: "Será que existem profissionais assim mesmo?" Todo o elenco parece estar confortável, apesar de Tamblyn não ter exatamente o porte que se esperaria de uma detetive. Mas até aí, os policiais que deram choques no "mago pelado doidão" durante o Coachella também não tinham...

Tem chance de vingar? A série tem cinco episódios para provar que merece uma temporada inteira, mas a situação dela não é muito boa. Pena.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Party Down: a melhor nova comédia da temporada?



O que é? Los Angeles é a cidade das estrelas - e como nem todo mundo nasceu para brilhar, a cidade também tem sua (alta) dose de perdedores que não conseguiram se dar bem no mundo do cinema. A série Party Down acompanha o dia-a-dia de uma empresa de catering (ou buffet, como a atividade é conhecida por aqui) na qual todos os empregados têm aspirações artísticas.

Quem? O programa foi criado pelo comediante Paul Rudd (da gigantesca turma de Judd Apatow) em parceria com Rob Thomas (não o cantor! O criador de Veronica Mars e 90210). O elenco tem Adam Scott (o Josh, de Party of Five), Ken Marino (um dos demônios gays de Reaper), Jane Lynch (que começou fazendo parte da Second City, um dos grupos de comédia mais importantes dos EUA), Ryan Hansen (do novo Sexta-Feira 13), Martin Starr (Freaks and Geeks) e a incrível Lizzy Caplan (de Cloverfield).

Onde e quando? Estreou no canal pago norte-americano Starz em março. Cinco episódios já foram exibidos.

Vale a pena? O primeiro episódio é razoável, mas depois a série pega fogo. Engraçada, inusitada e interessante, tem de tudo para ser a melhor comédia da temporada. É uma sitcom que não se limita aos clichês do gênero - e não tem medo de pisar na linha fina entre o bom gosto e a maldade.

Tem chance de vingar? Dez episódios estão prontos. Por outro lado, a série não foi muito comentada pela imprensa - talvez porque seja exibida por uma emissora menor. Então é cedo para afirmar com certeza. Acima você pode ver a íntegra do primeiro episódio, liberado pela Starz no YouTube.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Howard Stern e o verdadeiro talento de Beyoncé (atualizada)

O radialista norte-americano Howard Stern tocou, no programa dele, uma música que teria sido captada da mesa de som de uma apresentação de Beyoncé Knowles no Today Show. Funciona assim: normalmente os artistas fazem playback na TV, mas o microfone fica aberto para que eles possam interagir com a plateia. Se não for mais um trote de Stern, a verdadeira Beyoncé soa assim:



E aí, o que você acha? Existe um áudio clássico da Linda McCartney cantando "Hey Jude" com Paul McCartney. Mas a Beyoncé consegue ser pior.

ATUALIZAÇÃO: Em entrevista a MTV, a cantora diz não ter ouvido a gravação - mas acha ridícula a acusação de que ela não saberia cantar ao vivo.


Podcast Qualquer Coisa #49 tem rara de Jorge Ben (ouça!)

Demorou um pouco mais do que o previsto, mas finalmente está no ar a edição 49 do podcast Qualquer Coisa. Eu, Max de Castro e José Flávio Júnior recebemos Pablo Miyazawa, editor da Rolling Stone, um convidado fujão que sempre sumia na hora de gravar o programa. Ele fala sobre os bastidores da revista, claro.

O Max aproveita e toca "A Lua É Minha", raridade de Jorge Ben que nunca saiu em CD. Tem ainda Prince, Pavement, The Dream e Red Light Company. A seleção musical está especialmente boa.


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Baixe o MP3 aqui. Ouça os podcasts anteriores aqui. Fale conosco: podcastqualquercoisa@gmail.com.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Devendra Banhart e Rodrigo Amarante mostram músicas novas (veja!)

Devendra Banhart, acompanhado pelo hermano Rodrigo Amarante, mostrou músicas novas no Independent, em San Francisco. Canções que devem estar no sucessor de Smokey Rolls Down Thunder Canyon, como esta:



[Via Deporter, o blog do Bruno Torturra Nogueira - que ainda conta como o Amarante não gostou da abordagem dada pela Trip na entrevista que ele concedeu]

Miss Califórnia versus Perez Hilton, round 1

O blogueiro Perez Hilton foi jurado do Miss EUA durante o fim de semana. Sorteado para questionar a Miss Califórnia, ele perguntou sobre a posição dela em relação à legalização do casamento gay. Para a surpresa de Hilton, ela disse ser contra:



Houve um certo barulho na plateia, então o blogueiro correu para dizer que a Miss havia sido vaiada. Não satisfeito, ele fez uma resposta para a moça.

domingo, 19 de abril de 2009

McCartney mostra imagens de The Beatles: Rock Band no Coachella

Sem avisar, Paul McCartney colocou no telão imagens que parecem ser do game The Beatles: Rock Band, a ser lançado em setembro. Foi durante a música "Got to Get You Into My Life" (do Revolver, 1966):



Nada mau, não? O jogo sai no dia 09/09/09.

[Via Angela Joenck Pinto, que agora pilota o blog Toda Ouvidos, no portal da MTV]

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Arctic Monkeys e P. Diddy agora são melhores amigos

O Arctic Monkeys deu uma parada nas gravações do novo álbum e o baterista Matt foi para Miami encontrar o P. Diddy. E agora o rapper ("hip-hopper"? "R&Ber"?) quer ser integrante da banda. Ou contratá-la para o selo dele, Bad Boy Records. Isso que dá frequentar as festas do cara.



Tudo brincadeira, claro. O que é séria mesmo é a cozinha do Diddy (aparece no vídeo). É tipo uma cozinha industrial. "Não é um restaurante, é minha cozinha, motherfucker!", segundo ele.

O canal do Arctic Monkeys no YouTube é muito legal, vale a pena dar uma olhada.

Donos do Pirate Bay são condenados. "Prefiro queimar a grana", diz fundador

Logo do Pirate Bay

Quatro pessoas foram condenadas no histórico julgamento do Pirate Bay, o maior site de distribuição de torrents da internet, na Suécia. Peter Sunde, Gottfrid Svartholm Warg, Fredrik Neij e Carl Lundström foram sentenciados a um ano de cadeia, mais uma multa de cerca de US$ 900 mil para cada um deles. Os jurados consideraram que eles facilitaram o acesso à distribuição gratuita de arquivos protegidos por direitos autorais.

Os suecos Warg e Neij são os criadores do tracker, que abriga milhares de torrents - ou seja, não hospeda os arquivos que são compartilhados, mas dá acesso a eles. Sunde é programador do site e Lundström deu apoio técnico ao PB quatro anos atrás.

Dezessete empresas entraram com a ação e agora a Twentieth Century Fox deve receber US$ 1.3 milhão, a Columbia Pictures fica com US$ 504 mil e a Warner Bros embolsa US$ 300 mil. O quarteto condenado deve recorrer. "Mesmo se tivéssemos o dinheiro, eu preferiria queimar tudo o que devo e nem daria o pó que sobrasse. Nem as cinzas", disse Sunde em um vídeo postado no site.

A lista dos arquivos que levaram ao processo é: a série de filmes suecos Wallander, o dinamarquês Pusher III, Harry Potter e o Cálice de Fogo, A Pantera Cor-de-Rosa, Johnny & June, a primeira temporada da série Prison Break e os jogos World of Warcraft, F.E.A.R., Diablo II e Call of Duty.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Surgem os detalhes do Rock Band dos Beatles

The Beatles: Rock Band para PS3

Sim! O joystick da edição especial de The Beatles: Rock Band vai reproduzir o famoso "baixo com formato de violino" de Paul McCartney. E a bateria Ludwig do Ringo. O pacotão especial com esses acessórios (e outros mais) deve custar US$ 249,99. O blog Gamer.BR tem todos os detalhes. O jogo chega às lojas em 09/09/09.

Art Brut: "Morremos de medo de ter de trabalhar de verdade"



Art Brut vs. Satan é nome épico do terceiro álbum do Art Brut, agora produzido pela lenda Frank Black. Com a mão do ex(?)-Pixies, as letras de auto-ajuda alternativa do vocalista Eddie Argos ganharam uma base mais trabalhada.

O que não quer dizer que o estilo da banda tenha mudado - ele só ficou mais bem definido, um pouco menos tosco (sem perder a sujeira). O guitarrista Jasper Future explica melhor a situação atual do grupo e ainda lembra a passagem do Art Brut pelo Brasil, em 2006.

O novo disco continua energético, tanto quanto os anteriores. Normalmente as bandas começam a diminuir a velocidade das músicas no terceiro álbum. O que manteve vocês na mesma estrada?

Não vemos vantagem em diminuir a velocidade. Não somos assim. E mais: se começássemos a tocar de forma lenta, atmosférica, montagens sonoras tipo [Brian] Eno haveria pouco espaço para que eu pudesse apontar para cima e bater palmas - o que me deixaria bastante irrelevante dentro da banda. Além disso, nós morremos de medo de ter de arrumar empregos de verdade.

O Eddie Argos é famoso por não ter vergonha das letras confessionais que ele escreve. Presumindo que "Alcoholics Unanimous" seja baseada em uma história veraddeira, que tipo de conselho vocês deram para ele quanto ao excesso de bebedeira? E mais importante: ele ouviu?

Não acho que ele deveria ouvir nossos conselhos, já que provavelmente estaríamos bêbados também. A música é como um pedido de ajuda coletivo da banda. O problema só passa a existir quando você assume que ele existe...

Como vocês chegaram ao Frank Black? E de que forma ele ajudou vocês a conseguir o som que buscavam?

Ouvimo dizer que o Frank Black era fã da banda e seríamos imbecis se não fôssemos até ele pedir que produzisse nosso disco. Só a ideia de soar parecido com qualquer coisa que ele tenha feito já é um sonho de infância para todos nós. Não acreditamos quando ele topou. No fim das contas ele tinha os mesmos conceitos que nós: queria um som ao vivo, com poucos truques de estúdio. Tentamos reproduzir a energia e diversão das apresentações ao vivo. Gravamos em 12 dias e nem precisávamos de mais tempo. Incrível. Não sei o que o U2 fica fazendo trancado no estúdio tanto tempo. Será que o The Edge fica tricotando um catsuit para o Bono? Só isso justificaria o tempo que eles passam em estúdio.


Vocês voltaram a ser uma banda independente - e parece que a sua experiência com a EMI não foi muito boa. Existe até um disco pirata chamado Our Parents’ Record Collection (Fuck EMI). Por que foi tão ruim?


Apesar de apreciar o que o título expressa, não temos relação alguma com esse pirata. Passo bastante tempo falando mal da EMI em blogs e coisas do tipo. Entendo que - quando a empresa nos contratou - estávamos praticamente implodindo a banda, mas ainda assim eles nos trataram muito mal. Eles chegaram a lançar um single sem nos avisar. Não é assim que se cuida de uma banda. Mas preciso dizer que eles não estão sozinhos nessa área de incompetência de gravadora. Nem de longe.

Olhando pelo lado de fora, vocês parecem se divertir muito tocando no Art Brut. É assim mesmo? Com as turnês grandes vocês não ficam com vontade de matar uns aos outros ou algo do tipo?


É muito bom fazer parte do Art Brut. Não é um emprego. Para mim é difícil ficar puto com alguém se estou indo viajar para lugares tipo o Brasil e a Austrália. Você teria de ser um cara bem deprimido para se comportar assim.

Você tem alguma boa lembrança dos shows com o Franz Ferdinand no Brasil?

Lembro de chegar ao nosso hotel e ver umas barreiras do lado fora. Pensei que fosse alguma coisa bizarra relacionada a lugares onde não se pode estacionar. Na verdade era para afastar os fãs, que ficavam do lado de fora e cantando e esperando as bandas saírem. Aí pensei que eram só fãs do Franz Ferdinand - mas eles começaram a cantar "Emily Kane". Eu nunca tinha visto algo assim. Me senti um popstar de verdade. Foi certamente uma das melhores coisas que me aconteceram. Obrigado, Brasil.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Kurt Cobain: como poderia ter sido

Realidade alternativa de Cobain

Para lembrar os 15 anos sem Kurt Cobain o Village Voice publicou uma história em quadrinhos de Ward Sutton, naquele estilo "e se" que sempre rende ideias legais. Nela o líder do Nirvana não se mata, mas entra em uma crise e se enfia em todos os clichês do rock: o "retiro", a loucura, o show de reunião... Clique aqui para ler.

[Dica do Ricardo Cruz, que provavelmente sugere que você compre as duas capas diferentes da Rolling Stone Brasil - ambas com Cobain na capa]

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Thurston Moore quer saber mais do Brasil

A Kátia Lessa cruzou o Thurston Moore, do Sonic Youth, em Nova York e fez um vídeo incrível:



O cara fala do Free Jazz (e de free jazz), poesia e Tropicália - só para resumir, porque ele também fala sobre altura, cor de pele e qualidade dos vinis brasileiros.

Bat For Lashes toca Kings of Leon na BBC (ouça!)

Kings of Lashes?

Natasha Khan, mais conhecida como Bat For Lashes, passou pelo programa Live Lounge da BBC e mostrou uma versão para "Use Somebody", do Kings of Leon. Assim:



Melhor que a original, não?

E aproveitando que o assunto é Kings of Leon, outro dia achei um vídeo deles tocando "Slow Night, So Long" com o Eddie Vedder:


Novas séries 2009: Parks and Recreation estreia bem nos EUA



O que é? Parks and Recreation é a série que começou a ser desenvolvida como derivada da versão norte-americana de The Office, mas acabou criando vida própria. Nela a chefe do Departamento de Parques e Recreação de uma cidade do interior se junta a uma enfermeira para implantar um parque na cidade. O programa é – como The Office – gravado em estilo de falso documentário.

Quem? Amy Poehler (Saturday Night Live) é Leslie, a responsável pelo departamento. Rashida Jones, ex-Office, é a enfermeira Ann. O projeto foi criado por Greg Daniels, que adaptou o The Office britânico (criado, dirigido e interpretado por Ricky Gervais) para a telinha ianque.

Onde e quando? Estreou na NBC em 9 de abril.

Vale a pena? Apesar de divertido, não chega a ser engraçado. Os personagens são interessantes, mas as situações e diálogos poderiam ser melhores.

Tem chance de vingar? Inicialmente foram encomendados seis episódios, mas a estreia, colada com The Office, foi bem de audiência.

Mais sobre Parks and Recreation:

*"O efeito Poehler": Será que Parks and Recreation, de Amy Poehler, vai conseguir ressuscitar a NBC? Sem pressão alguma, claro... (revista New York, em inglês);

*"Amy Poehler, deusa doméstica": A mãe mais engraçada dos EUA está prestes a estrear uma comédia que é, bom, que não é bem uma série filha de The Office. Mas definitivamente é da mesma família. (revista GQ, em inglês).

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Black Sabbath: novo CD tem versão alternativa de "Paranoid" (ouça!)

Nova versão de Paranoid

Chegou recentemente às lojas gringas uma edição especial do clássico Paranoid, lançado pelo Black Sabbath em 1970.

É um pacote triplo: um CD tem o álbum original, o segundo disco é um DVD-áudio com uma versão quadrofônica das músicas (fora de catálogo desde o meio dos anos 70) e o CD três junta versões alternativas de clássicos como "Planet Caravan", "War Pigs" e "Iron Man". A mais curiosa delas é "Paranoid", com uma letra muito diferente:



Perfeito para a Semana Santa.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Paul McCartney e a meditação transcendental

Image and video hosting by TinyPic

Ainda no assunto Beatles - que anda quente este ano! -, Paul McCartney deu uma entrevista que foi publicada no programa oficial do show Change Begins Within, o que o reuniu com Ringo Starr no sábado passado. A ideia do evento era arrecadar dinheiro para a implantação da prática de meditação transcendental nas escolas públicas dos EUA.

Como os Beatles foram à Índia em 1968 para aprender a meditar com Maharishi Mahesh Yogi, Sir Paul tem alguma experiência no assunto. John Lennon discordaria. Mas boa mesmo é a resposta à última pergunta.

O que no objetivo da fundação de David Lynch o inspirou a participar do show?

Gosto da ideia de trazer uma prática tão antiga ao mundo moderno. Quem imaginaria que introduzir a meditação no sistema educacional poderia diminuir a agressividade das pessoas e chegar a uma sociedade mais pacífica?

Você viajou à Índia em 1968 para estudar com o Maharishi. Qual foi a experiência - ou ensinamento - mais importante que você teve lá?

Ganhar um mantra do Maharishi e aprender a usá-lo. O resto depende de você. Então, na verdade, receber o mantra e receber aulas sobre como utilizá-lo foi o aspecto mais importante dessa viagem - o resto foi uma diversão incrível.

Que lembranças você tem do Maharishi? Como você o descreveria?

Ele era um homem muito inteligente e espiritual, mas o maior apelo dele, para mim, era o senso de humor contaminante dele.

Por que os jovens deveriam meditar? O que se ganha com isso?

Acho que a meditação oferece um momente de paz com você mesmo e, consequentemente, com o universo - o que antes era considerado uma ideia hippie boba, mas que agora é mais bem aceita e até se encaixa em várias linhas de pensamento científico avançadas.

Há alguma mensagem em particular que você gostaria de passar a seus fãs?

Obrigado por ainda se darem ao trabalho de me ouvir! Desejo paz, amor e felicidade a vocês.

"Não fumem maconha", diz Britney Spears em show

Parece que um dos baratos da Britney Spears na turnê The Circus é gritar uns absurdos no meio das apresentações. Agora, em Vancouver, ela disse: "Drive safe, don't smoke weed, and rock out with your cocks out. Peace, motherfuckers." (algo como - em uma tradução muito livre - "dirijam com cuidado, não fumem maconha e festejem com o pau para fora. Paz, filhos da puta."



Outros grandes momentos dessa série de shows: Britney reclama que as partes íntimas dela estão saindo para fora da roupa e depois lança um "feliz Natal!" em março.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Família Osbourne passa vergonha em volta à televisão



The Osbournes foi um marco na televisão norte-americana. Diziam que era um reality show sobre a família do roqueiro Ozzy Osbourne, mas na verdade mais parecia uma sitcom – daquelas com roteiro impecável. Provavelmente por isso a volta de Ozzy, Sharon, Kelly e Jack à telinha com Osbournes Reloaded, que teve um episódio na Fox dos EUA e já foi cancelado, seja tão decepcionante.

O novo programa era de variedades, com platéia gigantesca e palco estilo American Idol. Eles continuavam soltando muitos “fuck” (censurados, como na série antiga), só que a naturalidade havia ficado pelo caminho. O quarteto só apresentava quadros estilo Programa Silvio Santos. Tudo baseado em idéias requentadas: os quatro trabalhando em um drive-thru de fast food, desafiando estranhos a se beijarem por dinheiro.

Um dos poucos bons momentos do primeiro programa foi um esquete satirizando uma cena de Flashdance, estilo Saturday Night Live, protagonizado por Ozzy. Engraçado, mas claramente baseado nos vídeos de apresentação que rolam antes dos shows do ex-Black Sabbath.



Para encerrar, um desafio capaz de constranger qualquer um: uma namorada foi ao palco e intimou o parceiro a se casar com ela ali mesmo, sem pensar muito. O cara suou frio e aceitou relutantemente. A cerimônia foi encerrada com uma apresentação do Camp Freddy (de Dave Navarro e Matt Sorum, com quem Ozzy já dividiu o palco).

E aí Ozzy pegou uma mangueira e deu um banho de espuma na platéia, banda e noivos. Sabe aquela velha história de que família sempre faz a gente passar muita vergonha? Bom, pelo menos a nossa não foi exibida na televisão.




No Doubt volta à atividade com cover dos anos 80 (ouça!)

O No Doubt versão 2009 finalmente liberou uma música - mas é só uma cover para "Stand and Deliver", originalmente lançada pelo Adam and the Ants em 1981. Compare:





A faixa do No Doubt deve servir de trilha para um episódio da série Gossip Girl. Em maio Gwen Stefani e companheiros caem na estrada, com abertura de Katy Perry, Paramore, Tinted Windows e outros. As datas, por enquanto, não incluem shows fora dos EUA e Canadá.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Versões remasterizadas dos discos dos Beatles saem este ano

Novos CDs dos Beatles

Quatorze discos dos Beatles ganharão versões remasterizadas, novos encartes e DVDs-bônus, segundo o site da Rolling Stone norte-americana. A lista das músicas de cada disco será idêntica às dos vinis - ou seja, nada de faixas a mais. Por outro lado, na tiragem inicial, cada trabalho terá um DVD com um mini-documentário sobre cada álbum. Tudo isso deve chegar às lojas no dia 9 de setembro, o mesmo dia do lançamento do game The Beatles: Rock Band.

O processo para retrabalhar as músicas dos Beatles levou quatro anos e foi feito no lendário estúdio Abbey Road, em Londres. Uma caixa com os 14 CDs em versão estéreo também chegará às lojas. Para os colecionadores mais dedicados haverá um segundo box, reunindo 10 discos em mono, chamado The Beatles in Mono. O site oficial do grupo tem mais informações.

A lista completa dos relançamentos é: Please Please Me, With the Beatles, A Hard Day’s Night, Beatles for Sale, Help!, Rubber Soul, Revolver, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, Yellow Submarine, Magical Mystery Tour, The Beatles (o Álbum Branco), Abbey Road, Let It Be e Past Masters (com os dois volumes da coletânea transformados em um só).

Kiss em SP hoje: uma banda que se ama profundamente

O Kiss se apresenta hoje em São Paulo. Nos anos 90 a dupla criativa da banda, Paul Stanley e Gene Simmons, ainda tinha ótimas lembranças a respeito da primeira vez que vieram para cá, em 1983. No vídeo, de 1994, abaixo os dois falam sobre isso... Até interromperem a entrevista para começar a brigar.



Ainda dentro de notícias relacionadas ao Kiss, a banda vai deixar os fãs escolherem os lugares onde ela tocará nos EUA e Canadá.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Franz Ferdinand toca "Womanizer", hit de Britney Spears (ouça!)

Alex Kapranos na BBC

O Franz Ferdinand provou que "Womanizer", música da Britney Spears, é boa mesmo. A banda fez uma versão roqueira no programa Live Lounge, da Radio 1, na BBC:



É como se fosse o hit que faltou no último disco do Franz. Dá para ouvir a íntegra do programa no site da BBC.

Qual a relação de Paul McCartney com Barack Obama?

McCartney via Fairey

O pôster do evento que reuniu Paul McCartney e Ringo Starr foi feito por Shepard Fairey, o cara daquele cartaz "Hope", que ficou famoso durante a campanha de Barack Obama. Foram feitos apenas 600 de cada cor - azul e vermelho -, todos assinados e numerados.

Os trabalhos custavam US$ 100 no evento (eu comprei um, claro). Caso algum tenha sobrado, o site da David Lynch Foundation promete vendê-los em breve.

E assim foi: metade dos Beatles voltou a se apresentar (veja!)

Meio Beatles

Paul McCartney e Ringo Starr se apresentaram juntos em um show beneficente da David Lynch Foundation, que foi realizado no Radio City Music Hall, em Nova York, no último sábado. Foi assim:





Fora Ringo Starr e Paul McCartney, outra dupla dinâmica fez bonito: Eddie Vedder e Ben Harper. Eles até arriscaram um dueto em "Under Pressure", do Queen (com David Bowie, na versão original):



A noite ainda teve Angelo Balamenti, Sheryl Crow (que fez homenagem a George Harrison tocando "My Sweet Lord"), Paul Horn (tido como "o pai da música new age"), Donovan, Mike Love (o menos amado dos Beach Boys), Bettye LaVette e Moby. De surpresa, Jerry Seinfeld fez uma apresentação rápida.

O repertório completo da noite, apresentada por David Lynch e Laura Dern, foi:

Angelo Badalamenti, com "Theme from Twin Peaks"
Moby e Bettye LaVette, "Natural Blues"
Moby com Bettye LaVette e o Coral de Crianças da TM, "We Are All Made of Stars"
Bettye LaVette e Moby, "As Close As I'll Get to Heaven"
Sheryl Crow, "Riverwide"
Sheryl Crow e Ben Harper, "My Sweet Lord"
Stand up de Jerry Seinfeld
Eddie Vedder, "Guaranteed"
Eddie Vedder, "Rise"
Eddie Vedder, "Arc"
Ben Harper e Eddie Vedder, "Indifference"
Ben Harper, "Fly One Time"
Ben Harper e Eddie Vedder, "Under Pressure"
*intervalo*
Depoimento de Mike Love
Donovan e Jim James (do My Morning Jacket), "Hurdy Gurdy Man"
Donovan e Jim James, "Wear Your Love Like Heaven"
Donovan, Sheryl Crow e Moby, "Season of the Witch"
Donovan e Paul Horn, "Isle of Islay"
Paul Horn, "Meditation"
Depoimento de Howard Stern
Ringo Starr, Ben Harper e Eddie Vedder, "It Don't Come Easy"
Ringo Starr, Ben Harper e Eddie Vedder, "Boys"
Ringo Starr, Sheryl Crow e Eddie Vedder, "Yellow Submarine"
Set de Paul McCartney: "Drive My Car", "Jet", "Got to Get You Into My Life", "Let It Be", "Lady Madonna", "Blackbird", "Here Today", "Band on the Run", "Can't Buy Me
Love".
Paul McCartney e Ringo Starr, "With a Little Help From My Friends"
Paul McCartney, Ringo Starr e todos os outros, "Cosmically Conscious"
David Lynch, "Poem of Unknown Origin"
Todos, "I Saw Her Standing There"

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Green Day e a volta do genérico oportunista

Eu até tenho simpatia pelo Green Day, mas suspeito que seja algo ligado à minha adolescência, quando o disco Dookie não parava de ser tocado lá em casa. No dia 15 de maio eles lançam 21st Century Breakdown, o sucessor de American Idiot (que renovou o sucesso da banda e enganou muita gente com um pseudo-engajamento). A capa é uma imitação do estilo de Banksy, um artista urbano britânico:

Green Day fake

O The Sun achou a imagem "suspeitamente parecida" com o trabalho de Banksy. O artista cujo trabalho o Green Day usou, Sixten, até explicou a origem da ideia em um blog, mas não conseguiu nem escrever o nome da banda direito (usou "greenday" mesmo). Em entrevista à NME ele basicamente disse que a culpa é da ignorância de quem vê a capa: "Se a única referência em stencil que você tem é a do Banksy, você vai gritar 'Banksy!' sempre que olhar para uma."

Banksy, o original, fez a capa de Think Tank, do Blur. E o Green Day está acostumado a furtar os britânicos: primeiro o vocalista Billie Joe começou a cantar com um sotaque brit falso, depois praticamente regravou "Wonderwall" (do Oasis) no hit "Boulevard of Broken Dreams".


quinta-feira, 2 de abril de 2009

A Hora do Pesadelo: o fã que quer ser Freddy Krueger

A Platinum Dunes anunciou o remake de A Hora do Pesadelo e Christopher Johnson não pensou duas vezes: escreveu, dirigiu, editou e atuou em um trailer falso para tentar convencer a empresa a contratá-lo como o novo Freddy Kruger:



Ele também começou um blog onde conta sobre essa história. Tem até um vídeo no qual ele explica como o personagem foi importante para a infância dele.



Johnson fez pontas em filmes pequenos, mas também trabalhou nos efeitos especiais de grandes produções como Jumper, Uma Noite no Museu e Duro de Matar 4.0. Será que existe alguém capaz de substituir Robert Englund, o ator que encarnou Kruger em oito filmes?

Marilyn Manson libera nova na internet (ouça)

Marilyn Manson: lendo no escuro?

Marilyn Manson colocou "We're From America" para download em seu site oficial. A música estará em The High End of Low, a ser lançado em 26 de maio. Esse disco marca a retomada da parceria de Manson com o baixista Twiggy Ramirez, que havia saído da banda em 2002 (e depois tocou no A Perfect Circle e no Nine Inch Nails).



A música é genérica. Interessante mesmo deve ser o projeto Phantasmagoria: The Visions of Lewis Carroll, filme no qual Marilyn Manson interpretará o autor de As Aventuras de Alice no País das Maravilhas. Ele trabalha nesse longa desde 2005 - e agora resta saber se ele vai sobreviver ao Alice in Wonderland de Tim Burton, que estreia em 2010 (e terá versão em IMAX 3D).

Já conhece o "primo" brasileiro do Bruno Aleixo?

Bruno Aleixo numa nice

Que a história de Bruno Aleixo começou quando ele estava foragido no Brasil, todo fã sabe. Mas e a história de que um animador brasileiro tem contribuido para a série do personagem que conquistou a nossa web? O nome do cara é Marcelo Barbosa, só que antes é melhor voltar atrás e explicar melhor o "fenômeno Aleixo".

Bruno Aleixo é um personagem português de animação, criado pelo trio João Moreira, João Pombeiro e Pedro Santo. Os três fazem tudo em um esquema independente de dar inveja - tanto que começaram a trabalhar juntos quando nem se conheciam pessoalmente, já que moravam em cidades diferentes!

Na internet o personagem começou com a série "Os Conselhos Que Vos Deixo", na qual ele - refugiado no Rio de Janeiro - falava sobre seu passado como se tivesse morrido. Depois veio "Aleixo na Escola", com a infância do personagem, e a animação migrou para a TV a cabo portuguesa no fim de 2008, com O Programa do Aleixo, na SIC Radical.

A série atual, Circo Bueno, é feita como se fosse um plágio uruguaio do Bruno Aleixo. Apesar das vozes serem exatamente as mesmas, muita gente levou a sério. E são exatamente esses quadros que o brasileiro Marcelo Barbosa anima, direto de Porto Alegre. Conversei com ele sobre isso tudo:

Como foi que o povo do Bruno Aleixo entrou em contato com você? Você já conhecia as animações deles?

Eu converso há alguns meses com o João Moreira, que faz a voz do Bruno. Na verdade, fiquei um bom tempo sem saber que ele tinha ligação com O Programa do Aleixo. Entrou em contato comigo pela internet porque havia gostado de alguns trabalhos meus, como o Tcheco [série de TV de 1999]. E batíamos papos aleatórios. Ele pediu, por exemplo, que eu mostrasse produções ligadas ao humor no Brasil. Mandei alguns favoritos meus, como Hermes & Renato, TV Pirata... Mas no fim, ele disse que gosta do Tcheco e da Nair Bello. Achei fantástico quando soube que ele "é" o Bruno, porque já tinha virado fã em 2008. Primeiro vi a - já clássica! - disputa de Street Fighter entre Aleixo e Busto, que naturalmente me levou a garimpar pelo material restante e ser mais um dos que cultuam o programa. Poucas semanas atrás conheci também João Pombeiro e Pedro Santo, que, para a minha surpresa, me convidaram para colaborar com a produção dos desenhos.

Você vê alguma semelhança entre o trabalho que você já fazia antes e o que a GANA faz?

Vejo sim, e acho que eles me chamaram porque viram também. Depois de tempos parado, retomei minha produção em 2008. Por coincidência, muitas das escolhas e técnicas que comecei a usar lembram também as que o João Pombeiro usa para os vídeos deles. Então há essa certa afinidade visual. E nos antigos desenhos do Tcheco vejo duas características em comum com o Aleixo: primeiro é que, mesmo com roteiros e estilos muito diferentes, as duas séries sempre tratam de uma falta gigante de comunicação entre as pessoas e todo o constrangimento que isso gera; e há o fato desses desenhos serem desconfortáveis também para quem os assiste na primeira vez. Desde que comecei a ver O Programa do Aleixo e a conversar com outros fãs, me fizeram vez ou outra os comentários que ouvia sempre sobre o Tcheco, dessa estranheza causada logo de cara. Mas os dois programas contam histórias sobre gente desinteressante, sem grandes ambições e discutindo qualquer bobagem. Então julgo adequado o clima pouco convidativo, com cores apagadas, vozes alteradas, takes longos e silêncios idem.



A sua participação funciona exatamente da forma que eles trabalham lá? Te passam o áudio, instruções e você faz o resto?

Eu estou cuidando agora da edição, montagem e animação do Circo Bueno, um suposto seriado uruguaio que rouba os scripts clássicos do Aleixo. Recebo os diálogos gravados de forma corrida, para então recortar e montá-los num ritmo que deixe claro que os palhaços uruguaios estão discutindo sem paciência. Por fim, faço a animação com um estilo bastante diferente da série do Bruno - até para a dúvida sobre o plágio ser real e se esticar um pouco mais. Enquanto Aleixo tende a ser mais contido, a versão em espanhol inevitavelmente me remetia ao Seu Madruga - com todos aqueles gestos e atuação exagerada. Mesmo sendo o mesmíssimo texto, o Aleixo é muito europeu, enquanto Circo Bueno é muito latino. No Aleixo, temos cavalheiros sóbrios tornando-se deselegantes sem perder a pose. Já o Circo Bueno é descontrolado, colorido e vulgar. Fica parecendo que algum dos palhaços logo vai arrebentar a cara do outro.

A parceria entre vocês continuará no futuro?

Tanto eu quanto eles esperamos que sim. O negócio está no início do início. Está sendo um momento de observação, de assimilar o estilo e a narrativa deles. Para o trio de produtores, esses vídeos funcionam a partir de uma linha muito clara a ser seguida. Não posso chegar anarquizando, até pelo respeito e admiração que tenho pelo que fizeram até agora. Dei um rumo diferenciado à série do Circo, mas esse é um caso à parte. E ainda assim, tento ser fiel ao que já foi criado anteriormente por eles. Não quero ser o cara que veio pra arruinar o Bruno Aleixo. Já me disseram que posso sugerir temas pra vídeos futuros, mas ao menos por enquanto eu estou vendo e estudando como funciona. Para fazer algo legal quando for a hora.



Muita gente acreditou na história do plágio uruguaio. A série vai ter quantos vídeos?

Isso aí é engraçado. Me disseram no início que a idéia era ver se iam acreditar se tratar de um plágio real. Mas nunca achei que alguém iria cair nessa história. Por mais que exista um ou outro motivo para causar a dúvida, as pistas de que aquilo é uma piada são muito mais presentes e evidentes. Até as vozes são notoriamente as mesmas dos desenhos do Bruno! Não sei quantos vídeos serão feitos, pois não participo dessa etapa de discussões e planejamento. Mas suponho que, enquanto o assunto render, vai haver o Circo Bueno.

Qual a sua série preferida do Aleixo?

Eu gosto mais d’O Programa do Aleixo. Porque, além de tudo, há essa temática da televisão que, como bom filho dos anos 90, sempre dava um jeito de inserir na minha produção. Mas a imagem do Aleixo na escola também é marcante demais para não ser citada. Não há uma que seja infinitamente melhor que outra. Vi todas. Como disse antes, esse convite que me foi feito foi um tanto surreal, já que havia me tornado fã dos desenhos bem antes da participação neles.

A que você credita o sucesso do Aleixo no Brasil?

Eu e o Moreira já conversamos algumas vezes sobre isso. Porque demorou um pouco pra cair a ficha para ele que o desenho faz muito sucesso por aqui, sendo que nem é exibido oficialmente no Brasil. Me parece ser a primeira vez que a gente presta atenção de verdade em um seriado que não é norte-americano, brasileiro ou japonês. E há um fascínio com as diferenças culturais. Portugueses assistem há tempos a tudo o que fazemos na televisão, mas nós sabemos nada sobre eles. Se sairmos nas ruas pedindo nomes de artistas de Portugal, vão todos falar no Roberto Leal e só. Então, além das histórias e do texto, prestamos atenção nos detalhes que, para os portugueses, são justamente detalhes. Tudo soa novo e original. Eles usam uma série de gírias comuns por lá mas que o pessoal começa só agora a incorporar aqui. E falamos rindo, feito crianças na escola que aprendem um palavrão novo. Por outro lado, depois de assimilarmos as novidades, eles também falam do Brasil nas piadas. E vê-los cantando Leandro & Leonardo ou citando nossos times de futebol é igualmente inusitado. Há então esse aspecto contraditório e único, de ser uma experiência diferente do que nos acostumamos mas brutalmente familiar quando menos se espera. No fim é um intercâmbio cultural com parentes que ainda não conhecíamos muito bem.