quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Atividade Paranormal e a fórmula das "imagens encontradas"



Atividade Paranormal (Paranormal Activity) é um dos filmes mais bem sucedidos no gênero "câmera na mão" (ou "found footage", imagens encontradas depois que os câmeras desapareceram/morreram). É aquele papo repetido à exaustão: custou US$ 15 mil – sendo que originalmente foram US$ 11 mil, mas o Steven Spielberg sugeriu um final que levou mais US$ 4 mil – e faturou US$ 107 milhões.

Mas antes do longa de Oren Peli, esse estilo já dava o que falar. Em 1980 o terror Holocausto Canibal deu o que falar. Era um documentário falso, sobre um grupo de cineastas que se embrenhava na Amazônia para registrar o comportamento de tribos indígenas – e acabavam, claro, assassinados de uma forma terrível.

Quando o filme foi lançado, o diretor Ruggero Deodato fez um acordo com os atores: eles deveriam sumir durante um tempo, para que a história ficasse mais convincente. Deu certo, mas um pouco certo demais. Quando Deodato foi acusava de contribuir para o assassinato do elenco, não conseguia encontrar os atores para desmentir tudo e quase foi parar na cadeia.

A próxima grande revolução veio com A Bruxa de Blair, de 1999. O orçamento de produção foi de aproximadamente US$ 30 mil (que, com mixagens de som e outros complementos, pode ter chegado a US$ 750 mil), com a história do grupo de jovens que tenta localizar uma lendária bruxa gerando uma divulgação boca-a-boca que arrecadou quase US$ 250 milhões.

Em 2007 foi a vez do espanhol [REC], que mostra as gravações de uma repórter que, meio sem querer, acaba presa dentro de um prédio onde se inicia uma infestação de zumbis. O trabalho acabou refilmado nos EUA, como Quarentena. A continuação do original foi lançada este ano, com a terceira parte já em produção.

Até o mestre do terror George A. Romero aderiu às câmeras de mão em Diário dos Mortos, trabalho no qual um blogueiro registra a movimentação em torno da invasão dos mortos-vivos.

E aí chegamos ao maior blockbuster dos "found footage": Cloverfield – Monstro. Por encomenda de J.J. Abrams (Lost, Star Trek), o diretor Matt Reeves criou uma Nova York destruída por um monstro gigante, nos moldes do clássico Godzilla. E o registro da tragédia é feito por uma câmera amadora. A produção, entretanto, não teve nada de amadora: foram US$ 25 milhões e muitos efeitos especiais. Junto veio uma das mais eficientes campanhas de marketing viral de todos os tempos, que levantava conexões entre o filme a série Lost e especulações sobre a aparência do monstrengo.

Ou seja, Atividade Paranormal – com o perdão do trocadilho – não é uma assombração que surgiu repentinamente.

3 comentários:

Leco disse...

que belo texto, meu bom jovem!

terror rulez!

Vinícius disse...

mas alguém disse que é?

Sampson Moreira disse...

Não gosto de filmes de terror e por isso nem não irei ver o filme, mas parabéns pelo post, ficou bem interessante, cheio de curiosidades legais. :)

abraços