quinta-feira, 16 de abril de 2009

Art Brut: "Morremos de medo de ter de trabalhar de verdade"



Art Brut vs. Satan é nome épico do terceiro álbum do Art Brut, agora produzido pela lenda Frank Black. Com a mão do ex(?)-Pixies, as letras de auto-ajuda alternativa do vocalista Eddie Argos ganharam uma base mais trabalhada.

O que não quer dizer que o estilo da banda tenha mudado - ele só ficou mais bem definido, um pouco menos tosco (sem perder a sujeira). O guitarrista Jasper Future explica melhor a situação atual do grupo e ainda lembra a passagem do Art Brut pelo Brasil, em 2006.

O novo disco continua energético, tanto quanto os anteriores. Normalmente as bandas começam a diminuir a velocidade das músicas no terceiro álbum. O que manteve vocês na mesma estrada?

Não vemos vantagem em diminuir a velocidade. Não somos assim. E mais: se começássemos a tocar de forma lenta, atmosférica, montagens sonoras tipo [Brian] Eno haveria pouco espaço para que eu pudesse apontar para cima e bater palmas - o que me deixaria bastante irrelevante dentro da banda. Além disso, nós morremos de medo de ter de arrumar empregos de verdade.

O Eddie Argos é famoso por não ter vergonha das letras confessionais que ele escreve. Presumindo que "Alcoholics Unanimous" seja baseada em uma história veraddeira, que tipo de conselho vocês deram para ele quanto ao excesso de bebedeira? E mais importante: ele ouviu?

Não acho que ele deveria ouvir nossos conselhos, já que provavelmente estaríamos bêbados também. A música é como um pedido de ajuda coletivo da banda. O problema só passa a existir quando você assume que ele existe...

Como vocês chegaram ao Frank Black? E de que forma ele ajudou vocês a conseguir o som que buscavam?

Ouvimo dizer que o Frank Black era fã da banda e seríamos imbecis se não fôssemos até ele pedir que produzisse nosso disco. Só a ideia de soar parecido com qualquer coisa que ele tenha feito já é um sonho de infância para todos nós. Não acreditamos quando ele topou. No fim das contas ele tinha os mesmos conceitos que nós: queria um som ao vivo, com poucos truques de estúdio. Tentamos reproduzir a energia e diversão das apresentações ao vivo. Gravamos em 12 dias e nem precisávamos de mais tempo. Incrível. Não sei o que o U2 fica fazendo trancado no estúdio tanto tempo. Será que o The Edge fica tricotando um catsuit para o Bono? Só isso justificaria o tempo que eles passam em estúdio.


Vocês voltaram a ser uma banda independente - e parece que a sua experiência com a EMI não foi muito boa. Existe até um disco pirata chamado Our Parents’ Record Collection (Fuck EMI). Por que foi tão ruim?


Apesar de apreciar o que o título expressa, não temos relação alguma com esse pirata. Passo bastante tempo falando mal da EMI em blogs e coisas do tipo. Entendo que - quando a empresa nos contratou - estávamos praticamente implodindo a banda, mas ainda assim eles nos trataram muito mal. Eles chegaram a lançar um single sem nos avisar. Não é assim que se cuida de uma banda. Mas preciso dizer que eles não estão sozinhos nessa área de incompetência de gravadora. Nem de longe.

Olhando pelo lado de fora, vocês parecem se divertir muito tocando no Art Brut. É assim mesmo? Com as turnês grandes vocês não ficam com vontade de matar uns aos outros ou algo do tipo?


É muito bom fazer parte do Art Brut. Não é um emprego. Para mim é difícil ficar puto com alguém se estou indo viajar para lugares tipo o Brasil e a Austrália. Você teria de ser um cara bem deprimido para se comportar assim.

Você tem alguma boa lembrança dos shows com o Franz Ferdinand no Brasil?

Lembro de chegar ao nosso hotel e ver umas barreiras do lado fora. Pensei que fosse alguma coisa bizarra relacionada a lugares onde não se pode estacionar. Na verdade era para afastar os fãs, que ficavam do lado de fora e cantando e esperando as bandas saírem. Aí pensei que eram só fãs do Franz Ferdinand - mas eles começaram a cantar "Emily Kane". Eu nunca tinha visto algo assim. Me senti um popstar de verdade. Foi certamente uma das melhores coisas que me aconteceram. Obrigado, Brasil.

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