terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Ronald Rios e a graça da geração de "comediantes Strokes"



Um dia alguém me passou um link de um texto que contava uma história bizarra: um cara chegava na casa do outro e ficava mostrando uns desenhos de dragões se enrabando. Foi uma das coisas mais engraçadas que eu já li.

Tempos depois, acabei vendo outro viral - desta vez um vídeo - de um teste do vibracall de celulares. Sim, uma moça usava os aparelhos e avaliava o desempenho sexual das marcas e modelos. A segunda coisa que mais chamava a atenção eram os comentários de um carinha, que ficava sentado ao lado tentando comentar aquilo tudo, como se fosse uma coisa comum.

Um tempinho depois, mais um vez sem querer, caí na cobertura em vídeo, feita pelo site da MTV, do festival Planeta Terra. Confesso que, de cara, pensei: "Que porra é essa?" E logo depois ri muito.

Só nessa terceira experiência consegui fazer a ligação: tudo aquilo era obra da produtora Badalhoca, formada pelo comediante Ronald Rios e pelo diretor Erik Gustavo. Além de espalhar os vídeos pela web, eles também alimentam um blog no site da MTV Brasil.

Via Twitter encontrei o Ronald Rios e, por email, conversamos um pouco sobre a Badalhoca e essa nova forma de humor, que ele chama de "comediantes Strokes" (revelados pela internet, sacou?):

Como nasceu a Badalhoca? Aliás, quando ela nasceu?

Então, o [diretor] Erik Gustavo começou a fazer vídeos com os amigos dele lá em 2005, 2006. Mas eram produções feitas no improviso, não havia muita pretensão, não. Mas já usava o nome Badalhoca. Eu só fui aparecer no fim de 2006, com um roteiro para um vídeo chamado Música Para o Seu Bolso, acho que esse foi o pontapé inicial. Para mim, antes o Erik estava mais treinando suas habilidades em edição - à medida que eu ia desenvolvendo minha comédia escrevendo em sites.

Como foi que vocês chegaram à MTV?


Cara, há várias versões para essa história [risos]. A oficial é que um dia saiu um vídeo nosso, Você Devia Jogar Basquete, na capa do UOL e o Brunno Constante, repórter do site da MTV, viu e quis nos convidar para fazer algo para eles. Muita conversa depois, temos um blog lá onde publico uns textos, um podcast com o Erik e colocamos vídeos também. Além disso, vai um esquete nosso ao ar toda madrugada de quarta para quinta, à 00h45 no programa Portal MTV. NA TV. MÃE, TÔ NA TV.

O seu humor tem muito de stand-up comedy, com as observações sobre o cotidiano. Além de não ficar em pé, quais você diria que são as diferenças entre esse estilo e a sua comédia?

Depende. Se você pega um vídeo como o Você Devia Jogar Basquete, eu diria que não tem diferença, fora o fato deu estar sentado. Claro que, além do monólogo em linguagem de stand-up, há logicamente a adição de cenas curtas de ficção etc. Mas se você pega o Com a Palavra, Ronald Rios, cara, aquilo ali é 100% improvisado. Há improviso no stand-up, mas não daquela maneira, de entrar sem nada em cena. Claro que eu tenho um "jeito stand-up" de pensar, então daí vem a semelhança. Ah, e claro: o "jeito stand-up" de pensar é porque eu faço stand-up também! Participo de um grupo chamado Ponto Cômicos. Estamos sem fazer nada desde novembro, mas acho que em março voltamos à ativa.

De qual tipo de humor você mais gosta? Quem são as suas referências?

Ahhhh próxima pergunta, senão eu vou passar uma hora aqui. Pô, eu adoro um monte de coisa! Vou falar só algumas coisinhas: em stand-up, o Chris Rock é imbatível. Consegue falar de mulher, presidente e raças com muita sagacidade. Meu programa de esquetes favorito é o Chappelle's Show, que foi muito longe, tocando em vários pontos das relações raciais na América. Seinfeld e 30 Rock são grandes sitcoms, com textos de primeira. Eu comecei a escrever, tanto diálogo quanto textos de observação, bastante baseado em Seinfeld. Ricky Gervais é a melhor coisa que saiu da Inglaterra desde os Beatles. Ah, e George Carlin e Woody Allen são a base da vida, do universo e tudo mais. Ah, Flight of The Conchords é AWESOME.

Durante algum tempo o humor brasileiro ficou preso a uma formula que, claro, se desgastou. Agora estamos passando por uma explosão de novos talentos. O que faltava para isso acontecer? Por que não rolou antes?

Internet, cara. Internet. YouTube. Eu chamo esses comediantes, eu incluso, de "Comediantes Strokes." Eles estouraram por causa da internet, e embora não estejam necessariamente inventando a roda, estão definitivamente fazendo-a rodar de um jeito mais atraente.

Nenhum comentário: