quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

With Lasers 1 Ano: Play that funky music, white boy


Finalmente, a negrice está de volta.

Como bem comentou o Sasha Frere-Jones nesse texto da New Yorker em outubro, o indie-rock de guitarras sofre de um problema muito sério: branquidão aguda. Eu já havia comentado en passant sobre a volta do soul na Folha, no ano passado, mas só toquei a ponta do iceberg.

Pensa bem: nos últimos anos tivemos o eletrônico Jamie Lidell brincando de Otis Redding, o DJ descolado Mark Ronson usando a síncope e os Daptones como elementos principais, a Amy Winehouse fazendo as girl groups e soulwomen dos anos 60 soarem como a última novidade do mundo da música, o Chromeo fazendo música como se estivesse em 1979 - isso tudo só pra citar brancos e sem falar no electro, que cada vez mais se aproxima das suas origens na disco music (que por sua vez se originou no funk), e no R&B pop americano, que vive nova era de ouro com Pharrell/Neptunes, Timbaland, Bloodshy & Avant, Rich Harrison e todos os Justin Timberlakes e Beyoncés afins.

Não acaba aí: dá pra ficar citando ainda a Joss Stone com seu primeiro disco produzido pela Betty Wright, o branquelo relax Jack Johnson começando a ser visto com menos ódio pelos ditadores do street cred (partindo do marketing bobo de "seu disco novo tem mais guitarras"), a funkeira roots Sharon Jones seguindo a cartilha James Brown e virando discoteca básica de blogueiros, o Gnarls Barkley criando um soul moderno, a Lily Allen fazendo um dos melhores discos dos últimos tempos com samples de Professor Longhair e Soul Brothers, a Amerie sampleando The Meters (sem falar em Tom Zé, mas isso é outra história), a Corinne Bailey Rae vendendo horrores e até a inglesinha de 19 anos Adele ameaçando se tornar hype.

Enquanto isso, no Brasil, um monte de fãs de Stevie Wonder, Jorge Ben e da cena Black Rio vão se cansando dos clichês do samba-rock e do hip-hop e criando algo novo - do "funk até o caroço" do BNegão até o dub acústico e tropical da Céu, passando pelo suingue do Curumin, pelo Racional do Instituto e pelo Prince chinfra do Artificial (do Kassin).

Então, como a gente é legal e pra não ficar só no blá-blá-blá, vamos fazer um mapa rápido de sons que você pode ouvir hoje, agora, pra se sentir mais feliz e mais musical. Pode começar pelo vídeo abaixo, que é o Jamie Lidell tocando ao vivo no estúdio o primeiro single do seu disco novo (Jim, que sai em Abril pela Warp) e depois continuar nos links. De nada.

E parabéns, Terron. Quem diria que isso ia tão longe?



Sharon Jones - http://www.myspace.com/sharonjonesandthedapkings
Orgone - http://www.myspace.com/orgonemusic
Chromeo - http://www.myspace.com/chromeo
Calvin Harris - http://www.myspace.com/calvinharristv
Juvelen - http://www.myspace.com/juvelen
Tommy Guerrero - http://www.myspace.com/tommyguerrero
Artificial - http://www.myspace.com/artificialfreeusa
Céu - http://www.myspace.com/ceuambulante
Curumin - http://www.myspace.com/curumin
BNegão - http://www.myspace.com/seletores
Instituto - http://www.myspace.com/instituto

[Por Ronaldo Evangelista, ex-sócio do With Lasers que saiu do blog porque foi preso. Conseguiu permissão especial para escrever neste especial comemorativo de 1 ano - mas já voltou para a solitária]

3 comentários:

Paulo Terron disse...

achei pedante

c4rolin4 disse...

Gostei da lista Ronaldo.

ronaldo evangelista disse...

Ronaldo, faz um texto aí pro aniversário de um ano do With Lasers.

Legal, Terron, qualquer texto?

É, mas tem que ser pedante.

Ah, então tá fácil.