terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Ódio

Para a geração que tem até trinta e poucos anos hoje em dia, os anos 90 foram uma espécie de novos anos 60. Redefinição de valores, criação de padrões estéticos, ironização suprema do mundo. E, junto com outros ícones da cultura pop da época, como Cameron Crowe, Richard Linklater, Nirvana, Pavement e Douglas Coupland, um dos artistas que melhor definiram (inventaram?) toda essa "atitude" foi o quadrinista Peter Bagge, com sua HQ Hate.

Publicada entre 1990 e 1998 pela editora Fantagraphics, Hate trazia as desventuras do personagem Buddy Bradley, alter-ego do próprio Bagge. Buddy é um tipinho suburbano, largado, de camisa de flanela, de saco cheio do mundo, morando em Seattle, sem saber o que fazer da vida e se arranjando em subempregos, aquela coisa.

Com uma narrativa exagerada, tão realista quanto absurda, e muito, mas muito engraçada, Hate foi um dos quadrinhos alternativos mais vendidos de sua época - e até hoje o Peter Bagge escreve sobre o personagem, mas só uma vez por ano, na revista Hate Annual.

A notícia aqui é que no próximo dia 15 de maio vai ser lançado "Buddy Does Jersey", segundo volume dos livros que compilam todas as histórias publicadas nos oito anos e 30 edições de Hate. O primeiro volume, lançado em 2005, chamava-se Buddy Does Seattle e compilava do número 1 ao 15. O novo vai do 16 ao 30. Nem é preciso dizer que ambos são altamente recomendados.

Para ter um gostinho do humor do Bagge, aqui dá pra ver os quadrinhos de comentário político (leia-se deboche social) que ele escreve desde 2001 para a revista Reason.

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